Quinta-feira, 26 de novembro de 2009 Busca:

A difícil vida do blu-ray player

Quarta-feira, 11 de novembro de 2009 às 18h52
Os mais velhos devem se lembrar quando chegaram ao mercado dos DVD players. Foi um verdadeiro "frissom", para usar um termo da época. E realmente havia motivo para tal. Afinal, os discos chegavam para substituir os VHS, que já não eram bons quando chegaram e, alguns anos depois, já haviam se tornado insuportáveis aos olhos de todos que queriam um pouco mais de qualidade nas imagens (essa, aliás, é uma história antiga interessante, de como um formato péssimo, o VHS, ganhou a briga de mercado contra um formato ruim, o Betamax). 
Hoje, os DVDs começam a sair de cena. O que a indústria de Hollywood e também os fabricantes de players esperavam é que eles fossem substituídos pelos discos blu-ray e por seus players. Mas, o mundo ficou mais complicado e a substituição não parece que vai acontecer do mesmo modo como ocorreu com a chegada dos DVDs.
Os blu-ray players enfrentam adversários de peso. A qualidade das imagens e do som gerados pelo novo formato são incontestáveis. Porém, hoje, essa qualidade começa a estar disponível também em outros lugares, além dos discos e de seus players. Já existem, por exemplo, pendrives grandes o suficiente para armazenar filmes inteiros em alta definição. Alguns até trazem softwares que reproduzem arquivos blu-ray. Nos países mais desenvolvidos, o download de filmes em alta definição anda a passos largos. Para completar o cenário, são cada vez mais comuns televisores que reproduzem sozinhos o conteúdo armazenado em pendrives, ou que se conectam diretamente à Web, sem precisar de um computador, e são capazes de "dar play" em arquivos de vídeo.
Hollywood já percebeu que o cenário não será o mesmo e tenta encontrar maneiras de compensar a queda de arrecadação que começa a aparecer com a queda nas vendas de DVDs - que não está sendo equilibrada pelas vendas de blu-ray, justamente por conta desse ambiente mais cheio de alternativas. Nesse caso, a posição dos grandes estúdios pode determinar os rumos das possbilidades tecnológica. É esperar para vem.

O sonho do IPTV

Quarta-feira, 04 de novembro de 2009 às 19h40
Brasileiros adoram TV. Boa parte de nós cresceu em frente às telas da televisão e extraiu delas uma boa parte da carga de informação que carregamos conosco. O que pode parecer natural, na verdade não é. Muitos países não têm a mesma carga de cultura televisiva que nós, para o bem e para o mal. O fato é que, justamente por termos tais características, a disseminação da tecnologia IPTV (Internet Protocol TV) por aqui talvez tivesse grandes consequências.
Para quem não está familiarizado, quando se fala de IPTV, basicamente fala-se de usar a Internet para distribuir o sinal da televisão. Da mesma maneira que hoje recebemos as imagens e os sons por meio de antenas, ou cabos, passaríamos a receber esse conteúdo por meio de uma rede de dados. A vantagem? São muitas. 
Em primeiro lugar, há a possibilidade de abertura de mercado para novos produtores que não precisariam, teoricamente, de uma emissora para distribuir sua produção. Do ponto de vista do telespectador, ele pode se libertar de vez das amarras da programação. Com o IPTV você, literalmente, poderia assistir ao programa que quisesse, no horário que desejasse, sem precisar gravar nada: tudo pode estar sob demanda - como os vídeos da Internet atualmente, mas sem "bufferings" e em alta definição.
Por outro lado, a possibilidade de um IPTV em larga escala poderia ser assustadora porque mudaria, definitivamente, o modo como assistimos televisão. 
Boa parte do texto foi composta no condicional porque a disseminação dessa nova tecnologia por aqui esbarra em vários obstáculos, que passam desde a questão da infraestrutura da banda larga, pelos "lobbies" das grandes programadoras, até as questões da regulamentação das telecomunicações.
Enfim, IPTV parece ser uma grande promessa, mas, atualmente, a chance de ela ficar apenas nisso mesmo é bastante considerável.

Caminhos da modernidade

Quarta-feira, 23 de setembro de 2009 às 15h22
No final do século XIX, o Brasil já estava bem atrás do chamado mundo desenvolvido - como constata reportagem recentemente publicada pela revista Veja, em que se compara o tipo de ferrovias que já existia nos EUA, enquanto por aqui o transporte ainda era primordialmente feito em lombo de mulas.
Veio o século XX, e as ferrovias ganharam a companhia das rodovias. E, novamente, ficamos para trás (ainda estamos, na verdade - mesmo as caras estradas paulistas, consideradas as melhores do país, ficam muito atrás de Autobans e Autoroutes alemãs e francesas, que aliás têm pedágio mais barato que os paulistas).
Finalmente, chegamos ao século XXI e, as estradas contemporâneas que mais importam não são as físicas, e sim as virtuais. E, aqui, novamente, temos uma medida da visão estratégica brasileira e de nossa distância para o mundo mais desenvolvido. A condição de acesso da nossa banda larga é vergonhosa. Trata-se de serviço caro, limitado, e de baixa qualidade. O pior é que não há sinal de mudança no horizonte. Não há movimentação pública ou privada no sentido. Até porque o modelo de privatização de telecomunicações adotado no país não incentiva a concorrência. Em alguns casos, saímos do monopólio estatal para o monopólio privado - com todas as mazelas que um monopólio traz embutidas.
Nesse sentido, o Brasil desse começo de século XXI repete a história do século XIX: o mundo desenvolvido prepara-se para novos ciclos de desenvolvimento, agora baseados na tecnologia digital, e nós continuamos a navegar pela internet em lombo de mulas.

Web pela rede elétrica, e o Wimax???

Quarta-feira, 26 de agosto de 2009 às 18h33
A notícia de que a Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica - finalmente regulamentou o PLC - Power Line Communication - é positiva. Afinal, a rede elétrica está espalhada pela maior parte do país, e pode ser um dos melhores canais de escoamento para o oceano da Web se espalhar pelos rincões. Mas, aí vem a pergunta: e o Wimax? Por que a Anatel demora tanto a regulamentar o uso da nova tecnologia em sua versão móvel? Por enquanto, o Wimax só está liberado no Brasil na sua versão estática.
No exterior, a briga entre 4G e Wimax começa a esquentar. Em Moscou, por exemplo, a maior parte dos notebooks vendidos já sai de fábrica com o Wimax embutido, e a tecnologia já é uma das principais formas de acesso dos moscovitas à Web - muito à frente das redes 3G. Mas, por enquanto, nós brasileiros (também emergentes, também Brics, como os moscovitas) estamos alijados dessas experiências, e um dos principais entraves é a burocracia estatal. Aliada - e por vezes refém - do lobby de alguns setores de telecomunicações locais.

Às vezes, dá desânimo

Terça-feira, 25 de agosto de 2009 às 16h50
Os norte-americanos não se cansam de dizer que têm um das piores velocidades de acesso à Web - isso, claro, entre os países desenvolvidos. O que dizer da nossa situação? Mesmo em regiões teoricamente privilegiadas, como São Paulo, as velocidades são baixas. E - pior - a velocidade vendida está longe de ser a velocidade entregue. A analogia não é minha (foi feita por alguém que agora não recordo o nome): se comprássemos gasolina como compramos serviço de banda larga no Brasil, seria como se você pedisse para encher o tanque para rodar 100 quilômetros e, depois de 10 quilômetros rodados, o carro parasse sem combustível. Afinal, as nossas operadoras vendem 1 mega mas só se comprometem a entregar 10% disso. Não sei se a prática é legal, mas é, no mínimo, desonesta.
Voltando ao caso norte-americano, eles reclamam de uma velocidade média de acesso que está em cerca de 5 mega. É bom frisar: média. Tá certo que é bem menos que os coreanos, que têm média de 20 mega. Mas, quando olhamos para o nosso quintal, é difícil encontrar regiões que ofereçam velocidade  maiores que 1 ou 2 mega nas capitais - que dirá fora desse eixo. E, no final, eles só entregam 10%... Nós, brasileiros, realmente gostamos muito de Web para, ainda assim, sermos campeões em tempo de utilização.

Core i5 em setembro

Quarta-feira, 19 de agosto de 2009 às 17h38
A família Core i7 trouxe a nova tecnologia do Nehalem para os desktops. Agora, a partir de setembro, o mesmo conceito chega para os notebooks, sob a marca Core i5. Para que não está familiarizado, a arquitetura Nehalem trouxe chips produzidos com circuitos de 45 nanômetros - o que representou bons ganhos de velocidade e eficiência para os processadores. Agora, quase um ano depois do lançamento do Core i7, é a vez do Core i5 trazer o mesmo conceito para os notebooks.

Filmes online

Terça-feira, 18 de agosto de 2009 às 18h19
Muita gente diz que o Blu-ray vai ter vida mais curta do que o DVD. Tendo a concordar com o primeiro argumento: ele é caro. Afinal, gastar mais de mil reais por um player - num país como o Brasil - é coisa para poucos. Além do mais, alguém já tentou alugar um disco Blu-ray? Mesmo em São Paulo, ainda é difícil encontrar opções. 
Se, de um lado, as limitações e o preço da nova tecnologia são problemas reais, de outro, o que alguns andam dizendo que ela não será adotada por conta da concorrência do download, parece-me, no mínimo, otimista demais num país como o nosso. Alguém já tentou fazer download de material em alta-definição? Com nossas conexões de "banda larga" esse pode ser um processo infernal, com interrupções e horas intermináveis. 
Conclusão: nos Estados Unidos, talvez seja verdade que o Blu-ray não emplaque como aconteceu com o DVD por conta dos downloads. No Brasil... acho que o DVD ainda será a opção por alguns anos. Infelizmente.

Nokia e Microsoft juntas

Quinta-feira, 13 de agosto de 2009 às 20h59
A principal consequência do acordo entre Nokia e Microsoft é que os aparelhos da primeira oferecerão todas as funcionalidades do pacote Office Mobile da segunda. Para os consumidores da Nokia, esse é, certamente, um benefício, já que editar textos e e-mails em seus smartphones não é tarefa das mais simples. Para a Microsoft, a tentativa é de não perder terreno no mundo dos aplicativos móveis, já que seu pacote Office Mobile perde espaço cada vez mais para o Google Docs e para aplicativos da Blackberry.
Só que esse parece ser um acordo que não trará maiores repercussões para o mercado. A Nokia não conseguiu se livrar do problema crônico: é a maior fabricante de celulares do planeta, mas só no andar de baixo, dos aparelhos mais simples. No mundo dos smartphones, sua presença (não em volume de vendas, mas sim em inovação), é tímida. Mesmo seu mais recente lançamento, o N97 não chega a empolgar. O desempenho não é dos melhores e a navegação na Web, por exemplo, é quase sofrível. O pior é que o aparelho vai custar no Brasil algo em torno de 3 mil reais! Preço demais para desempenho de menos.
Do lado da Microsoft, talvez o melhor fosse apostar numa navegação de internet melhor no seu Windows Mobile - já que alguns fabricantes, como a HTC, por exemplo, conseguem tirar bom proveito do software. A exceção aqui é, novamente, a navegação na Web oferecida pelo Windows Mobile. Tão ruim que não vale a pena nem comentar. 

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Wharrysson Lacerda é jornalista e roteirista, com ampla atuação em televisão e em produtoras de vídeo. Sua carreira inclui passagens por diversos veículos.

Wharrysson Lacerda
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