Não é possível fazer coisas erradas e esperar bons resultados
Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil caiu no ranking de competitividade internacional. Entre 60 países, estamos agora na 51ª posição em capacidade de atrair negócios. Para a carreira de profissionais brasileiros, isso é uma severa adversidade.
Não é possível fazer coisas erradas e esperar bons resultados. Afinal, há tempos a história é a mesma: começamos o ano com certa expectativa de crescimento e, paulatinamente, vamos diminuindo-a até dezembro. E, ao final, observamos que crescemos menos que a média mundial, logo, não é difícil aceitar que perdemos cada vez mais posições no ranking de competitividade.
Os motivos são os de sempre: gestão governamental pífia, infraestrutura precária, pior carga tributária do mundo, entre outros elementos que fazem do Brasil um local desinteressante para investidores.
Se quisermos, em algum momento, resolver esses problemas, precisamos levar em conta que vivemos em um mundo em constante transformação. Não é possível gerir uma carreira, uma empresa ou um país sem observar essas alterações e agir de forma a adaptar-se a elas e agregar valor ao futuro. Por esse motivo, o indivíduo deve pensar em sua carreira com uma mentalidade constante de aprendizado e evolução. Assim, mesmo quando a realidade é desfavorável, devemos fazer um esforço para aprender com ela.
Tenha propósitos elevados
Não é de hoje que os governos, no Brasil, estão mais preocupados em se perpetuar no poder do que em gerir o País. Na sua carreira, não queira alcançar cargos para os quais não está preparado, somente para ter mais dinheiro. Tenha propósitos elevados. Sua vida profissional é a respeito do quê? Quais problemas você deseja resolver? O que fará pelas gerações futuras?
Quando você define propósitos elevados, automaticamente saberá o que deve aprender e aprimorar para que seja capaz de cumpri-los.
Apresente resultados elevados e consistentes
Qual sua posição no ranking de sua profissão? Você é uma referência para o mercado no qual atua? Não caia na armadilha de pensar que não está em uma competição. Afinal, o que as pessoas que estão na mesma carreira que a sua estão almejando neste momento? O mesmo que você! Portanto, observe se os resultados que você entrega estão no mesmo nível de seus colegas de profissão. E veja se é capaz de mantê-los nesse nível ao longo do tempo.
Não é difícil apresentar resultados no curto prazo. Difícil é assegurá-los com perenidade e de forma a não causar problemas no futuro. Por exemplo, um gerente de uma planta industrial que deixa de cumprir o calendário de manutenção apresenta uma grande redução de custos, que irá impactar positivamente o resultado do ano. Entretanto, no ano seguinte, a planta apresentará graves problemas de quebras de máquinas e equipamentos, o que forçará paradas de emergência. Isso, se não houver acidentes, que, em casos extremos, podem ceifar vidas e causar grandes estragos às instalações da empresa.
Lembre-se: você deve assegurar sua carreira ao longo das décadas e adquirir conhecimento para ter renda passiva quando se aposentar. Não deixe sua aposentadoria na mão do governo e não a coloque nos ombros das gerações futuras. Seja responsável por você mesmo.
Seja ético
Não há uma única semana na qual a imprensa não denuncie algum caso de corrupção no governo. Mas pessoas de má índole estão em todos os setores da economia. Afaste-se delas. Sua carreira não irá progredir, se você não souber identificar e afastar-se de profissionais que não jogam pelas regras do jogo. Em geral, são indivíduos incompetentes e incapazes de obter renda de outro modo que não seja fraudando normas.
O bom profissional respeita as leis e sabe jogar o jogo empresarial com habilidade, até mesmo ganhar daqueles que não fazem igual. Lembre-se: você não tem liberdade para escolher 100% das pessoas com quem irá se relacionar. Por vezes, terá de conviver com indivíduos de má índole ao seu redor. Faça o que for necessário para vencê-las. Tapetes são puxados ao longo da vida, esteja preparado para saltar no momento apropriado. E, se cair, levante-se! Acostume-se com a frustração de hoje, pois amanhã tem mais. O treino para a vida, de certo modo, nada mais é que suportar as frustrações e fazer o que for necessário para cumprir os seus propósitos.
Tenha uma infraestrutura de alta qualidade
Não economize em sua formação e desenvolvimento. Se você quiser ser um profissional de alto desempenho, terá de investir muito em você mesmo: cursos de idiomas, especialmente o inglês; boa formação; aprimoramento constante; coaching; viagens internacionais para conhecer o que há de mais moderno em sua área de atuação; check-ups regulares etc.
Do mesmo modo que o Brasil possui sérios problemas provocados por uma infraestrutura barata e de má qualidade, um profissional que negligencie sua capacitação coloca em risco o futuro de sua carreira. O mundo não para de requerer cada vez mais de todos, portanto, você precisa de uma capacidade sólida, para adaptação e aprendizado constantes. Não seja um profissional barato: alto desempenho custa caro.
Não tente fazer tudo
O governo quer fazer de tudo: ser dono de petrolíferas, bancos, correios, portos, energia, estradas, entre outras inúmeras atividades econômicas. Mas o que ele faz com competência mesmo é cobrar e fiscalizar tributos. Então, por que se meter nesses outros setores?
Você jamais irá progredir na sua carreira, se não souber liderar. Para isso, precisa desenvolver competências essenciais de um líder, como: ter propósitos elevados, comunicar-se, delegar, fazer o follow-up, dar feedback e ter um rigoroso controle de agenda. Você tem de aprender a desenvolver pessoas e, principalmente, desenvolver novos líderes. Bons líderes formam bons líderes, não seguidores.
O importante é que você saiba controlar as ações sob sua responsabilidade, não que você as faça. Para isso, sua carreira tem de se desenvolver para dar conta das complexas atividades de um líder.
Seja confiável
Nosso governo é confuso, as leis tributárias mudam a cada instante, o que dificulta para um investidor saber o quanto ganhará ao longo de seu investimento. Ainda por cima, há uma grande insegurança jurídica, pois a legislação é alterada mesmo que afete contratos estabelecidos.
Na sua carreira, tenha integridade, aquilo que você se comprometer a fazer, faça. Não dê desculpas ou explicações. Faça! É impressionante a quantidade de pessoas que se comprometem a fazer inúmeras coisas e não dão conta: de pedreiros a eletricistas, de encanadores a pintores, mas também de prefeitos a presidentes. Prometem demais e entregam pouco.
Na sua carreira, faça o contrário, prometa pouco e entregue muito. Seja extraordinário em tudo que se comprometer a fazer.
Se você quiser ter uma vida marcante, relevante e inspiradora, aprenda em todos os instantes, por mais desfavoráveis que sejam.
Quando o indivíduo focaliza muito os cargos acima do seu, por vezes se esquece daqueles que estão abaixo. Como consequência, apesar de querer subir, não cria as estruturas necessárias para que sua promoção não cause danos às operações da empresa. Não pensar nesse organograma significa que o profissional não percebe que, para que sua carreira avance, precisa ter alguém capaz de assumir a responsabilidade de seu cargo atual.
Para que isso ocorra, tem de aprender a formar pessoas para sua cadeira. Vamos pensar de uma forma abrangente. Para que a carreira avance, o profissional deve ter uma agenda que compreenda:
Contatos com dois níveis hierárquicos acima do seu. Afinal, quem contrata – ou promove – gerentes são diretores. Portanto, não faz muito sentido você querer se mostrar somente para o seu gerente. Embora ele seja um importante influenciador, quem decide sua promoção não é ele. Exceto aquelas para o mesmo cargo, mas com nível diferente, por exemplo: júnior, pleno e sênior. Portanto, ter uma agenda para se expor a gestores dois níveis acima do seu é fundamental para sua carreira.
Segundo, deve ser capaz de conhecer seu valor no mercado. Não é possível você pleitear um cargo maior, se não souber o quanto vale no mercado. Use pesquisas salariais, que você encontra em jornais, e também atenda a solicitações de headhunters (recrutadores e caça-talentos). Afinal, você deve saber se há oportunidades para você fora da empresa. Se possuir uma oferta real para sair da companhia, é muito mais seguro entrar em uma negociação para uma promoção.
Portanto, jamais deixe de responder a uma solicitação desses profissionais e nunca revele esses contatos em sua empresa – você não tem nada a ganhar ao deixar seu chefe saber disso. Eu já vi gerentes, de forma muito desonesta, convencer seus liderados de que eles poderiam revelar-lhes essas conversas, somente para interferir nas negociações e evitar a saída de seus subordinados. Portanto, sigilo é fundamental em sua carreira – considere-a como um empreendimento, não há negócio que exista sem informações sigilosas estratégicas.
Tanto para ser promovido dentro da empresa, ou por meio de uma oportunidade externa, a terceira ação fundamental é formar pessoas abaixo de você. Por maior que seja seu descontentamento com a organização, a habilidade de formar sucessores é a que mais irá precisar ao longo de sua carreira rumo ao topo. Essa competência é muito mal treinada pelas pessoas. Principalmente por aquelas oriundas de cargos muito intensivos em conhecimento técnico, como é o caso das carreiras na área de computação. Muitos profissionais chegam aos cargos de liderança e acreditam que ser líder é ser o técnico dos técnicos. Uma visão operacional daqueles que são bons em acumular e usar conhecimentos, mas possuem grande dificuldade com relações interpessoais. Contudo, para construir uma carreira de sucesso e que seja valiosa à organização e às pessoas sob sua responsabilidade, o profissional deve saber comunicar-se, delegar funções e formar substitutos.
É verdade que há empresas, principalmente familiares, nas quais os líderes não desejam sair de seus cargos. Entretanto, mesmo nessas organizações, é possível treinar sua capacidade de formar pessoas e deixar estruturas bem montadas atrás de você, enquanto galga os degraus do sucesso.
Além disso, se você ficar muito tempo em uma mesma posição, corre o risco de perdê-la para alguém mais jovem, mais barato e com maior capacidade de lidar com novas tecnologias. Portanto, aprender a formar sucessores é uma competência que, por si só, o qualifica a posições maiores e mais relevantes. O pior que pode acontecer a você não é perder o emprego para aqueles que você formou, mas perder seu valor por achar que seu conhecimento é mais importante que sua capacidade de formar pessoas.
Bons líderes são capazes de formar bons líderes, não seguidores. Desse modo, conforme sua carreira avança, sua liderança permanece presente na estrada que construiu para você, mas também para as gerações futuras de profissionais. Vamos em frente!
As empresas, de certo modo, copiam as escolas, ao usar os números de forma não apropriada para motivar seus funcionários
Ainda me recordo de que, quando criança, dizia a mim mesmo que a matemática não poderia ter se desenvolvido, se fosse algo desagradável. Cheguei à conclusão de que, de fato, a forma como é apresentada nas escolas tem feito com que muitas crianças a abominem e jovens optem por carreiras que não sejam de exatas.
Tive a felicidade de encontrar um professor, Aguinaldo Prandini Ricieri, que, além de explicar matemática de forma incrível, é um grande incentivador da carreira de consultor em cálculo. Apesar de passar em Física na USP, meus estudos me levaram à administração e, posteriormente, ao marketing e ao coaching.
Entretanto, nunca deixei de usar matemática em minhas atividades. Sempre tive interesse pela história, pelas emoções e a vida daqueles que a desenvolveram. Indivíduos como Leibnitz, John Napier, Legendre, Lagrange, Laplace e tantos outros. Histórias incríveis vividas em meio aos números.
Penso que as empresas, de certo modo, copiam as escolas, ao usar os números de forma não apropriada para motivar seus funcionários. Estabelecer metas numéricas, especialmente de caráter financeiro, é fundamental para o controle e o crescimento das empresas. Sem elas, seria impossível a gestão, pois aquilo que não é medido não é gerido.
Entretanto, acreditar que pessoas se sintam emocionadas e motivadas porque a empresa cresceu 10%, reduziu seus custos em 5% e bateu metas milionárias de vendas é uma tolice tão grande quanto não matematizar as operações.
Empresas felizes, empregados infelizes
Não é raro ver empresas com números espetaculares, mas que, ao conversar com seus empregados, observamos seu lado sombrio. Ambientes desconfortáveis, líderes despreparados e diálogos desrespeitosos. Vale a pena desenvolver sua carreira em um lugar assim?
Penso que a principal transformação que deve ocorrer nas empresas é o acréscimo de elementos que sejam relevantes para a experiência de vida de seus profissionais. Falar somente em metas numéricas, sem proporcionar uma vida relevante a seus funcionários, significa continuar a tratá-los somente como uma peça na engrenagem empresarial.
Observo os empregados serem cobrados a “pensar fora da caixa” e ser inovadores. Mas, quando olho os ambientes, vejo que ao seu redor eles enxergam: paredes com cores pálidas, descascadas, placas com sinais de “saída de emergência” e “extintor de incêndio”.
Algumas ainda possuem ar-condicionado para os dias mais quentes. Mas conheço poucas com aquecedores para os dias mais frios. Líderes autoritários, ríspidos e pouco abertos a novas ideias. Tudo é medido em termos de custo e quase nada em termos de valor agregado. Não é à toa que a retenção de talentos tornou-se um pesadelo para as empresas. Elas são as próprias fontes desses sonhos maus.
Um bom caminho é agregar às metas numéricas uma definição clara, da experiência que se deseja proporcionar aos funcionários. Do mesmo modo que a empresa preocupa-se em desenvolver um produto e serviço com características para atrair clientes, especialmente os mais lucrativos, deve ter um profundo interesse em atrair pessoas, especialmente aquelas capazes de agregar mais valor.
Luz, câmera, ação!
A melhor forma de fazer isso é ter uma visão idêntica à de um diretor de cinema. Se queremos uma meta, devemos pensar na imagem que a torne clara como experiência de vida. Como serão os ambientes, quando uma determinada meta for alcançada? É difícil querer que um empregado sinta-se alegre com o fato de a empresa ter crescido 10%, quando, para ele, nada mudou em seu ambiente de trabalho: cadeiras desconfortáveis, equipamentos quebrados, nenhuma atualização nos computadores ou sistemas. Só mais trabalho.
Outro elemento a definir é o conjunto de temas dos diálogos que queremos ver nas organizações. Lembro-me, quando gerente de vendas na área de computação, no início dos anos 1990, de que as reuniões mensais com o diretor falavam exclusivamente sobre: “Cumprimos a meta, agora vamos para a meta do mês que vem.” Ano após ano, esse era o assunto. Como ser inovador, se a conversa é só essa?
Finalmente, definir como são as pessoas, especialmente os líderes de que a organização precisa. Gerentes coercivos, sem abertura para diálogos e novas ideias, vão atrair que tipo de funcionário? É esse o tipo de colaborador que será capaz de apoiar a estratégia da empresa e segui-la? Muitas organizações não percebem que sua cultura impossibilita a execução da estratégia. E que, ao final, o que irá prevalecer é a cultura, não a estratégia. Observe os países e entenderá ao que me refiro.
A pessoa que vê a si mesma como um diretor de cinema, com a missão de criar a vida mais desejável possível, sabe que os números são importantes somente na medida em que contem uma história marcante, relevante e inspiradora. As empresas deveriam fazer o mesmo. Os departamentos financeiros não podem ser os únicos responsáveis por todas as decisões, principalmente aquelas que provocam nos funcionários experiências de vida que os desmotivam, tiram sua energia e dificultam sua atuação para gerar valor para a companhia.
As pessoas passam mais de 60% do tempo que estão acordadas dedicadas ao trabalho. Sua experiência de vida, portanto, é diretamente influenciada pela qualidade do que vivenciam no trabalho. E ela é formada pelos ambientes, diálogos e líderes a que são submetidas. Afinal, todo ser humano precisa mais de inspiração do que de números. Vamos em frente!
Seus esforços, sozinhos, não são capazes de produzir o resultado desejado
Apesar da relevância de seus esforços para obter sucesso profissional, considere dois elementos que complementam suas ações: as outras pessoas e o contexto. Seus esforços, sozinhos, não são capazes de produzir o resultado desejado, se os outros não fizerem a parte deles e o contexto for desfavorável.
Portanto, cabe ao profissional adquirir cada vez mais conhecimento, refletir e adaptar-se às transformações do mundo, do país e do mercado em que atua. Mas também perceber quem são os outros e o contexto que interferem no seu sucesso.
O outro
O governo é um enorme “outro” que favorece, ou não, seus esforços. Pelos dados recentes do PIB (Produto Interno Bruto), temos um dos piores governos do mundo. Afinal, em 2012 o PIB mundial cresceu 3,3%, enquanto o Brasil somou somente 0,9%. Para efeito de comparação, a economia americana avançou 2,2%; a Rússia cresceu 3,7%; a Índia, 4,9%; o México, 3,9%; e o Peru, 6%. Já a China expandiu 7,8%. Além disso, o Brasil acumulou crescimento de apenas 3,6% no primeiro biênio da presidente Dilma Rousseff, enquanto o mundo cresceu 3,9% somente em 2011.
Assim como no começo de 2012, o governo afirma que cresceremos até 4% em 2013. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta 3,5% – e no ano passado calculava 2,1%. Ou seja, conseguimos a proeza de crescer menos da metade disso. Devemos esperar algo em torno de 1,5% para este ano? Penso que sim, pois, em anos recentes, temos crescido menos que a média global.
Além do governo, descubra outros indivíduos que interferem na sua carreira. Procure se aproximar daqueles que são favoráveis e afaste-se, ou anule a influência, daqueles que jogam contra a sua trajetória profissional.
O contexto
O contexto também é crucial no seu desempenho. O Brasil é um país incrivelmente forte, pois, com toda a corrupção, serviços públicos pífios, violência, má infraestrutura, baixa qualidade educacional e a pior carga tributária do mundo, ainda cresceu 0,9%. Afinal, não é possível esperar resultados grandiosos, fazendo tantas coisas erradas e por tão longo tempo. Mas o brasileiro, que consegue sobreviver a tudo isso e evoluir econômica e socialmente, é mais forte ainda.
Se a sua carreira avança, saiba que, infelizmente, não está no cenário mais favorável. O que significa que, como trabalhador brasileiro, tem de se esforçar muito mais do que em outros países para preservar e aumentar seu padrão de vida.
Mas, além do país, observe também o contexto de sua profissão. Ela está em declínio ou em ascensão? Como você espera que ela se desenvolva nas próximas décadas? Quais as ameaças? E quais os fatores que podem alavancar sua carreira?
Escolha
Pensar nos seus esforços, nas consequências das ações dos outros e no contexto é o que permite a você ter uma reflexão estratégica a respeito de sua carreira. Isso significa gerar ações que possam produzir a vida que deseja, com equilíbrio no curto e no longo prazo.
Honre seus esforços ao escolher as pessoas e os contextos favoráveis. Portanto, a pergunta apropriada é: o que o contexto e as outras pessoas podem fazer por sua carreira? E, se não gostar da resposta, reflita sobre como pode influenciar e, se necessário, trocar ambos.
Preste atenção ao elemento mais importante da sua vida profissional
A declaração de Bento XVI, de que lhe faltava a energia necessária para continuar a empreitada que recaía sobre seus ombros, é importante para refletir sobre a carreira que escolhemos.
Claro que a renúncia do papa somente será compreendida ao longo da história. Assim como em toda religião, o lado obscuro do catolicismo cria condições indecifráveis no curto prazo para quem procura interpretar os acontecimentos do lado de fora de seus domínios. Esperemos a história.
Entretanto, de fato, energia é o elemento mais importante da carreira profissional. Isso ocorre porque toda profissão possui bônus e ônus. Nós escolhemos as carreiras pelo bônus, e as deixamos pelo ônus.
Em geral, quando ainda muito jovens, observamos aqueles que nos inspiram, ou fatos que nos impulsionam para certas profissões. O desejo de ser bombeiro para salvar vidas, ser advogado para lutar pela justiça ou ser engenheiro civil para construir obras são exemplos muito claros.
Entretanto, ao ingressar na carreira, vivenciamos a responsabilidade que é seu cotidiano. O médico que salva vidas tem de lidar com a morte de seus pacientes. O advogado que luta pela justiça pode se ver em um imbróglio com seus sócios. E o engenheiro tem de lidar com a enorme pressão por custos e prazos de uma obra. Toda profissão tem seu ônus. Qual é o seu?
Ele será o responsável pela perda de energia na carreira, se for ignorado. Essa perda ocorre porque a maioria desconhece a rotina e o que acontece no longo prazo em sua profissão. Também ignora como sua vida pessoal é afetada por esses fatores. Além disso, o foco excessivo nas tarefas faz o indivíduo esquecer-se de observar as transformações que vão pelo mundo. E são elas que, por vezes, ferem de morte sua profissão. Por último, poucos pensam em um plano de saída da carreira.
Portanto, algumas ideias são importantes para refletir sobre a condução de nossa vida profissional.
Rotina
A rotina de uma carreira molda muito a vida particular. Algumas profissões exigem que o indivíduo esteja disponível 24 horas por dia. Médicos, bombeiros, gestores de operações industriais, presidentes de empresas são exemplos de carreiras nas quais o indivíduo dificilmente terá momentos prolongados de descanso. No longo prazo, pode ser que seja desgastante esse dia a dia, se a pessoa não estiver preparada para suportá-lo. E, também, para comunicá-lo ao seu par, filhos, família e amigos.
Conhecer a rotina de uma profissão antes de ingressar nela é, portanto, fundamental. Entretanto, o profissional que está no meio de sua carreira, deve se interessar em observar e conhecer como é o fim daqueles que nela se encontram.
O mundo se transforma
Dedicar-se de corpo e alma à sua profissão é algo positivo. Mas, se essa dedicação impede o profissional de atualizar-se e manter-se atento às transformações do mundo, pode ser que ele se veja em uma profissão sem futuro. E sem preparo para mudar. Sugiro, portanto, que todos se preocupem em ler notícias, análises, livros sobre o que há de novo, participar de seminários e palestras em sua área de atuação e também sobre temas inovadores.
Lembre-se: o mundo não muda, se transforma. A diferença é que uma transformação, uma vez ocorrida, não permite que se volte ao estado anterior. Não há como retornar a lava ao interior do vulcão, e a paisagem ao seu redor se modifica após a erupção. Na economia, ocorre o mesmo: a máquina de escrever, a fotografia com filme de 35 mm, a ficha do telefone público e a fita cassete são exemplos de objetos que não voltarão a existir. Assim como as carreiras conectadas à sua produção, comercialização e uso.
Estar atento às transformações do mundo e como elas afetam sua carreira é a competência mais relevante a ser desenvolvida no longo prazo. São elas que determinam a sua permanência, ou não, na profissão que escolheu.
Já pensou em um plano de saída da carreira?
Por último, a perda de energia – quer pelo ônus da rotina, pela transformação econômica, ou mesmo pelo surgimento de uma oportunidade – demanda que o profissional pense em um plano de saída de sua carreira. Por vezes, é frustrante ter de deixar a profissão para a qual nos preparamos com tanto esforço. Em outros momentos, deixá-la pode ser um grande alívio.
Contudo, mesmo em uma nova carreira, o indivíduo novamente terá de pensar sobre as responsabilidades e as realizações que ela possibilita. Não há profissão em que exista somente o bônus.
O importante é ter consciência de que mudar de carreira não é o pior que pode acontecer com você; o pior é insistir em continuar até o fim, sem energia. Pois o ônus pode chegar em forma de um estresse que o levaria a uma doença física ou psicológica de trágicas consequências.
A felicidade não é uma busca, mas um encontro diário para aqueles que possuem energia suficiente para lidar com as transformações que a vida, outras pessoas, o tempo e o mundo impõem a todos. Vamos em frente!
Post publicado em 25 de Fevereiro de 2013 | 15:45h
Uma tragédia, como essa de Santa Maria, nos impulsiona com rapidez à posição de julgadores
Um grave problema de nossa cultura é que ela é avessa à responsabilidade. Por essa razão, é fácil encontrar pessoas dispostas a fazer qualquer coisa, desde que não sejam cobradas pelos resultados de seus atos. Assim, indivíduos irresponsáveis fazem o que desejam, sem observar leis, regras, procedimentos e métodos, nem consultar profissionais habilitados para orientá-los.
As pessoas querem ter sucesso e empreender, o que são objetivos válidos na esfera profissional. Assim como desejam se divertir e descansar, também objetivos apropriados em suas vidas particulares. Entretanto, em ambas as situações, são constrangidas, ou assim se sentem, ao cobrar compromissos dos demais. Principalmente quando o assunto é segurança de pessoas.
Desse modo, aquele que viaja na velocidade-limite da estrada é considerado idiota. O jovem que se nega a beber porque vai dirigir é chamado de bobo. Se ele perguntar, ou pior, afirmar que um amigo está bêbado e pedir a ele para não dirigir, será ridicularizado. Isso quando não for agredido. Agora, imagine se ele perguntar, ao ser convidado para uma festa, se o local é seguro?
Se isso ocorre entre amigos, quem ousaria cobrar responsabilidade de um estranho, de um servidor ou autoridade pública?
Precisamos compreender que uma pessoa não se torna adulta porque passou a consumir bebidas alcoólicas, fumar ou dirigir. Também não amadurece automaticamente ao casar, ter filhos ou ao assumir um cargo de gerência. Mas, sim, quando é capaz de celebrar e cumprir compromissos.
Uma tragédia, como essa de Santa Maria, nos impulsiona com rapidez à posição de julgadores daqueles que, por ato ou omissão, contribuíram para que centenas de pessoas morressem ou se ferissem gravemente. Entretanto, a dura realidade é que o País possui inúmeros indivíduos que se comportam desse mesmo modo em suas esferas de atuação.
Se eu soubesse quais palavras os sensibilizariam para fazê-los amadurecer e ser responsáveis, escreveria aqui. No entanto, o único pensamento que me ocorre é ser repetitivo nesta mensagem e acreditar que, no longo prazo, mais pessoas serão influenciadas pela ideia de que amadurecer é algo positivo para elas mesmas e para a sociedade.
Afinal, é verdade que somos herdeiros de uma cultura, mas também somos agentes de sua transformação. Temos de valorizar quem evita uma tragédia, tanto quanto aquele que salva vidas no decorrer de uma. Entretanto, o primeiro é muito mais difícil de ser percebido. Em geral, é considerado inconveniente pelos demais, justamente por falar sobre coisas desagradáveis. É ele que insistentemente vê riscos, cobra que leis sejam cumpridas, regras e métodos, observados e que se consultem profissionais habilitados em situações complexas.
Como é o caso das questões de segurança. Enquanto acreditarmos que essas situações possam ser resolvidas com jeitinho, dicas e intuição, sempre colocaremos a vida de brasileiros em risco, principalmente dos mais jovens, que não possuem experiência, conhecimento e domínio emocional para lidar com essas questões.
Devemos, continuamente, preparar líderes e fazê-los se interessar em ocupar posições relevantes nas empresas, nos governos e no mundo. E um líder preparado sabe que é responsável pela vida das pessoas atingidas pelos resultados de suas ações.
PS Meu mais profundo respeito às famílias atingidas por essa tragédia inominável.
Ter mentalidade de aprendizado e adaptação é fundamental para a evolução da carreira
O mundo é como uma escada rolante de descida que você tem de subir. Se você o fizer devagar, ficará parado. Se parar no meio, descerá. Somente aqueles que a sobem correndo é que avançam, ainda que mais lentamente do que gostariam pelos seus esforços. Por essa razão, ter uma mentalidade de aprendizado e adaptação é fundamental para a evolução da carreira profissional e da vida como um todo.
Embora não seja uma regra geral, até os 30 anos de idade, a vida é muito parecida com um carro. Se você souber ler três indicadores no painel, será capaz de pilotá-la muito bem. Uma oportunidade de trabalho, dinheiro para estudos e lazer, boas companhias, e tudo funcionará perfeitamente.
Após os 30, e conforme a idade avança, a vida exige que saibamos lidar com seus desafios, como se passássemos a ser o piloto de um avião capaz de transpor grandes distâncias. Indicadores mais complexos nos informam como lidamos com as frustrações, as tristezas e as decepções. Eles mostram o quanto de energia temos, como estamos em diversas esferas e qual capacidade de controle ainda possuímos para direcionar a vida para onde desejamos.
Você pode ter perdido seu emprego, dinheiro e padrão de vida, mas, se ainda tem saúde, família e amigos, acredite, você não perdeu nada. O importante é olhar para frente, atualizar-se e buscar novas oportunidades. Será o momento de empreender? Mudar de carreira? Aprenda com a frustração da perda.
A vida demanda que saibamos cair e nos levantar.
Caso tenha perdido algo maior, como sua saúde, amigos ou um ente querido, então, tenha foco em sua transcendência. Ela é sua capacidade de lidar com a morte e a separação daqueles que você ama e com sua própria morte. Uma religião, doutrina, filosofia ou um simples pensamento próprio a respeito é importante para preparar-se para enfrentar esses momentos. Por vezes, você precisará fornecer serenidade para aqueles que passam por esses desafios; em outros instantes, é você quem precisará de paz e tranquilidade para transpô-los. Todos nós estamos sujeitos a eles.
A morte é uma grande amiga, ela nos diz que não temos todo o tempo do mundo. Que temos de estar completos com aqueles que amamos, isto é, que não podemos ter conversas pendentes, mágoas e ressentimentos que não estejam trabalhados. Será que você não precisa aprender a conversar a respeito daquilo que é relevante?
Mas pode ser que 2012 tenha sido um ano de ganhos. Uma promoção, um novo emprego, um novo empreendimento ou um novo relacionamento, quem sabe? Então, é hora de aprender a se reconhecer. Celebrar sua capacidade de realização e, se desejar, compartilhar com aqueles que lhe são caros. Principalmente, agradecer aos que lhe propiciaram a oportunidade, que abriram as portas e – não se esqueça – àqueles que acreditaram em você, especialmente familiares e amigos.
Acima de tudo, aprenda que, ao final de um período, sua vida pode ter se expandido ou contraído em diversas esferas. Seja lá o que lhe aconteceu, as possibilidades que se abrem para o novo ano devem ser capazes de fazer você se inspirar, arregaçar as mangas e afirmar: vamos em frente!
Tome cuidado com dívidas, inflação, juros e aposentadoria
Alguns profissionais são altamente influenciáveis por propagandas e amigos. Gastam muito mais do que seus rendimentos permitem e, inconscientemente, colocam seu futuro em risco.
Não importa qual cargo que alguém ocupe, se sua fonte de renda é o salário, então deve ter um cuidado muito grande com dívidas, inflação, juros e aposentadoria. Compartilho, aqui, os principais pontos a que todo profissional deve estar atento.
Dívidas
Contrair dívidas para consumir é uma das piores decisões que alguém pode tomar. Principalmente se for para adquirir produtos supérfluos, redundantes ou acima de seu padrão de vida. Infelizmente, alguns indivíduos não sabem que, para lidar com o sucesso em sua carreira, precisam estar preparados. Caso contrário, ao alcançar o cargo que tanto desejavam, o salário aumenta, mas, simultaneamente, suas despesas também. Isso ocorre porque não sabem lidar com amigos que o instigam a ter produtos e serviços caros, nem sempre necessários, e com o desejo de mostrar um estilo de vida sofisticado. E que comprove que sua carreira vai muito bem.
Inflação
Com os governos ao redor do mundo imprimindo dinheiro sem lastro, os fundamentos para uma inflação global estão criados. Portanto, mais um motivo para não adquirir nada financiado que tenha como indexador a inflação.
Cuidado com aluguéis: deverão subir muito nos próximos anos. Portanto, se sua renda aumentou e você pretende passar para um imóvel compatível com ela, evite alugar. Prefira adquirir, preferencialmente com prestações decrescentes.
Além disso, apesar de fáceis de fazer, os investimentos financeiros dificilmente acompanharão a inflação nos próximos anos. Portanto, seja prudente ao escolher em que investir seu dinheiro ganho com tanto esforço. Por último, aproveite a escassez de mão de obra para manter seu salário em linha com a inflação, pois o mais provável é que o poder aquisitivo caia ao longo do tempo.
Juros
Os juros básicos estão caindo, e isso é bom para que investimentos em negócios saiam das gavetas. Os profissionais deverão ter boas oportunidades de trabalho ao longo dos anos. Entretanto, pelo mesmo motivo, o rendimento pago por certos investimentos deverá cair. Logo, esse é mais um fator a ser considerado na hora de investir seu dinheiro.
Aposentadoria
Não adianta muito alguém elevar seu padrão de vida por meio de salário, se não pensar em como manterá seu nível de renda quando se aposentar. Depender do governo significa que terá de reduzir drasticamente seu padrão de vida. Entretanto, mesmo quem tem plano de previdência privada tem de tomar muito cuidado, pois a queda dos juros, dos valores das ações e de seu rendimento tem feito com que fundos de pensão apresentem um desempenho abaixo do esperado. Como resultado, alguns profissionais estão recebendo menos do que planejaram quando contrataram seu plano.
O topo de uma carreira profissional não é a diretoria da empresa, mas a alfabetização financeira necessária para que o indivíduo faça investimentos e tenha renda passiva. É essa renda que deve ser utilizada ao longo dos anos para adquirir bens e ter a vida que deseja.
Quando alguém se baseia somente no salário como estratégia para ter um padrão de vida elevado, constrói uma vida de muito risco. Gerenciar esse padrão até ter outras fontes de renda é a decisão mais apropriada e demonstra maturidade do profissional. Vamos em frente!
As consequências disso nas carreiras dos profissionais
Nas últimas semanas recebi o telefonema de duas operadoras de cartão de crédito, oferecendo um valor em dinheiro para eu fazer o que quisesse. E que, se eu aceitasse essa quantia, elas fariam uma simulação de quanto seria a prestação e, em seguida, fariam o depósito em minha conta corrente. Não aceitei.
Quando observo esse comportamento de operadoras de cartão de crédito, dos bancos e do governo, vejo com clareza a raiz do problema de termos, neste momento, o aumento da inadimplência em geral e do endividamento das famílias brasileiras: a falta de conhecimento relevante sobre finanças.
As pessoas estão se endividando não porque tiveram essa ideia, mas porque a dívida foi oferecida a elas de forma planejada, e elas não estão preparadas para avaliar se podem, ou não, contraí-las.
As consequências das dívidas nas carreiras dos profissionais
Alguns governos ao redor do mundo, diante de uma contração econômica, aumentam o crédito aos consumidores (tradução: oferecem dívidas a eles), na esperança de que comprem mais e, desse modo, a economia inicie novamente uma fase de expansão. No Brasil, esse pensamento, em geral, favorece setores industriais específicos, em vez de, por exemplo, promover uma reestruturação dos tributos – o que seria mais recomendado, tendo em vista que temos o pior sistema tributário do mundo.
Mas o ponto principal é que isso acarreta profundos problemas nas famílias, nas pessoas e em suas carreiras. Afinal, se o indivíduo estiver empregado, irá consumir um tempo precioso de sua vida pagando dívidas e, se perder o emprego, em pouco tempo ficará totalmente sem dinheiro. Pior é quando, em um ato de desespero, faz novas dívidas na esperança de pagar suas contas. Acaba em uma espiral descendente, perdendo até mesmo o patrimônio conquistado arduamente. Isso é assim no Brasil e em outros países.
Endividar-se não é o melhor caminho para desenvolver-se, e não ajuda o indivíduo a pensar em outras formas de aumentar sua renda. Para isso, é necessário que se interesse por uma esfera fundamental de sua vida: a econômica. Sua carreira vive e se desenrola nesse ambiente, portanto, conhecê-lo faria o profissional ter maiores chances de ser bem-sucedido.
A dívida que coloca dinheiro no seu bolso
A exceção é quando faz uma dívida para adquirir algo que colocará dinheiro no seu bolso: um curso que lhe permita uma certificação fundamental para desenvolver o trabalho e incrementar suas receitas, uma casa ou escritório que compre para colocar para alugar, enfim, algo que irá gerar mais recursos do que a dívida que contraiu. Se a pessoa se endivida para consumir ou para fazer um investimento que dará um resultado menor que a soma que ela deve, o dinheiro termina e a dívida fica para ser paga.
Não é necessário ser um gênio em matemática para fazer essas contas. Mas é preciso força de vontade e maturidade para esperar para ter as coisas. Algumas empresas e indivíduos (cuidado com os amigos!) irão tentar seduzi-lo a acreditar que o certo é você ter agora e pagar depois. Portanto, o mundo e as pessoas estariam em melhores condições se fossem alfabetizados financeiramente.
Tenha interesse por finanças!
Acreditar que o mundo financeiro é complexo e que não há como ser compreendido faz com que muitos não se interessem em conhecê-lo com a profundidade necessária para gerir sua vida adulta. E ficam à mercê daqueles que se aproveitam desse seu desconhecimento (tradução: governo e bancos). Nestes mais de dez anos como coach de executivos, o que observo são duas consequências terríveis da falta de educação financeira:
Em primeiro lugar, as dívidas, mas também os juros, inflação e aposentadoria, consomem renda e riqueza das pessoas. E, em segundo, elas despendem um tempo enorme de vida envolvidas com questões econômicas que lhes parecem incompreensíveis e perdem o foco em seus sonhos. Sentem-se empobrecidas e limitadas em sua própria existência.
Nos casos piores, são destruídas por essas questões e sentem-se fracassadas em definitivo. A carreira profissional não deveria ser sobre isso.
Até que as dívidas os separem...
Sei que isso é uma questão de foro íntimo, mas, amor e finanças não andam bem juntos sem conhecimento sobre o tema. Duas pessoas, sem essa instrução, unidas, em geral, acumulam dívidas elevadas com carro, moradia, filhos e lazer. Em alguns casos, são provocadas por negócios que, no passado, deram prejuízos a um dos cônjuges. Nesse contexto, por mais que o casal ganhe, nunca é o bastante. Principalmente se for um dinheiro ganho exclusivamente por meio de suas carreiras como empregados. Pela mesma dificuldade passam pessoas que pagam dívidas que foram provocadas por seus pais, irmãos, outros familiares e, em alguns casos, amigos.
Sua carreira é seu maior investimento, cuide bem dela!
O momento econômico atual é muito delicado. A menos que você faça uma dívida para adquirir ativos que coloquem dinheiro no seu bolso, não a contrate. Endividar-se para consumir não é a melhor estratégia para ter o que deseja. Eduque-se financeiramente, aprenda a investir e a ter renda passiva, então, terá melhores condições de consumir e ajudar, de fato, o Brasil. Você precisa de muitos anos para ter conhecimento e prática com investimentos. Contudo, o tempo dedicado a lidar com esse tema, fundamental para sua sustentabilidade econômica, ainda é muito melhor do que o tempo das carreiras profissionais que tenho visto sendo desperdiçado no pagamento de dívidas.
Impossível olhar para eles e não perguntar: como conseguem?
Em época de Olimpíadas, olhamos esses semideuses descerem do Olimpo e nos encantar com seu desempenho inacreditável. Impossível olhar para eles e não perguntar: como conseguem?
O mundo se transforma a todo instante. Os mercados, as empresas e os indivíduos nunca permanecem os mesmos. Devido a essa transformação constante, que na maior parte do tempo é muito lenta e imperceptível, todos nós somos convidados a nos adaptar e nos transformar também. Estar consciente dessa realidade é que nos permite escolher. Aceitamos a transformação ou resistimos a ela?
Os que resistem à transformação imaginam que o mundo será como antes. Acreditam que as condições que permitiram seu sucesso no passado se repetirão e, portanto, não precisam se aprimorar, apenas esperar. Em geral, é o que fazem.
Já aqueles que aceitam a transformação, sabem que precisam se adaptar constantemente, pois seu aprendizado torna-se obsoleto a cada instante, e que ficar parado, nessa realidade, equivale a morrer em vida.
Aqueles que melhor se adaptam às transformações, em geral, são os que se tornam líderes. São eles que contribuem para o desenvolvimento dos demais, liderando um processo que também é transformador.
Nesse sistema de adaptação e melhoria contínua, é que observamos o quanto temos a aprender com os atletas olímpicos.
Seja treinável
Existem muitos cursos que se propõem a ensinar o profissional a ser líder. Não conheço nenhum que o ensine a ser liderado. Entretanto, para se desenvolver precisa de uma competência fundamental: ser treinável. Isso significa, conscientemente, abrir mão de se auto-orientar para receber o treinamento de alguém que, reconhecidamente, é capaz de auxiliá-lo a aprimorar-se.
O problema de alguém tentar fazer isso sozinho é que, provavelmente, não usará um método reconhecido. A consequência é que demorará muito para aprender, e o resultado será duvidoso.
Os melhores atletas são treináveis, dedicam-se ao treino de corpo e alma por anos a fio.
Aprenda a lidar com as frustrações
Mesmo que dois ou mais atletas desempenhem com perfeição sua modalidade, somente um será o campeão. Para competir, um atleta deve saber lidar com a derrota. Nesse sentido, significa aprender com ela. Na raiz da palavra competição está o conceito de que seu oponente dará o melhor de si, e você deverá fazer o mesmo. E, nesse exercício, ambos cooperarão para o aperfeiçoamento mútuo.
Em nossa cultura, as pessoas têm um relacionamento fatalista com a derrota. Como se ela fosse definitiva, vergonhosa e não devesse acontecer. Com esse pensamento, é difícil se aprimorar. A derrota é apenas um feedback para dizer ao indivíduo que, da forma como ele está fazendo, não funciona. Portanto, deve fazer de outro modo. Aumentar seu repertório e aprimorar-se.
Ganhar jogando mal
Um campeão não é aquele que se apresenta competindo bem o tempo todo, mas aquele que, mesmo em um dia infeliz, consegue vencer. Quando observamos os grandes, vemos claramente que são capazes de arrancar uma vitória em momentos em que não estão no seu melhor ou quando cometem erros. Isso exige reconhecer que somos humanos e, como tal, não estamos todos os dias em nosso melhor momento. Portanto, temos de aprender como fazer para arrancar o resultado necessário em um dia difícil.
Ganhar dos desonestos
No campo, assim como na vida, não temos condições de escolher 100% das pessoas com quem vamos nos relacionar. E encontraremos aquelas que não jogam pelas regras do jogo. Temos de identificá-las e ganhar delas também. Se não desenvolvermos essa competência, chegaremos ao fim de nossa carreira lamentando a má sorte de termos tido nosso tapete puxado.
Além de identificar essas pessoas de má índole em nosso campo de atuação, temos também de ter muito cuidado com os juízes. Isto é, aqueles que determinam o jogo, quando é falta e o que é válido. Refiro-me a líderes que deveriam saber que seu papel principal é desenvolver pessoas e assegurar as condições para que isso ocorra. Entretanto, muitas vezes são eles os elementos desonestos. Portanto, temos de ter habilidade para identificá-los e, na maioria das vezes, endurecer o jogo para que possamos sair vencedores nessas situações. Mas saiba que, no caso de juízes desonestos, por vezes a única saída é aceitar a derrota na partida e esperar a próxima oportunidade.
Treine todas as suas dimensões
Não adianta um atleta estar preparado fisicamente, mas ser fraco emocionalmente. O preparo mental é tão importante quanto o atlético. É fundamental que o atleta desenvolva a mente para suportar os rigores do treino e as pressões das situações desfavoráveis durante a competição. Um profissional na empresa deveria fazer o mesmo.
Em geral, as pessoas são contratadas por suas habilidades técnicas e demitidas por seu comportamento. Nada causa mais dano à carreira do profissional que seu despreparo emocional, incapacidade de lidar com a política da organização e aceitar os paradoxos empresariais. Amadurecer significa percorrer uma estrada rigorosa, mas nem todos estão dispostos a fazê-lo.
Vença os desequilíbrios
A vida é injusta, acostume-se a isso. Nas competições, os atletas americanos possuem mais recursos que os demais. Na China, eles usam o esporte como propaganda política, portanto, há um apoio ao esporte muito mais intenso que no Brasil.
Em Londres são mais de 14.000 atletas e somente 302 medalhas de ouro. Não importa o quanto tenha se esforçado, a maioria voltará somente com a lembrança de ter participado do evento.
Se nós formos esperar por maiores e melhores políticas de incentivo ao esporte, recursos para educação e justiça para fazer o que tivermos de fazer para vencer, aguardaremos indefinidamente.
Em nossa carreira, com frequência, ocorre o mesmo: as dificuldades para estudar e graduar-se são enormes. A competição para ingressar nas empresas é brutal. Em seu interior, a pressão por resultados, as jornadas exaustivas e as cobranças são constantes. Isso sem falar nas deslealdades e condições desbalanceadas provocadas por paradoxos, políticas e favorecimentos. Acostume-se com isso. Não há empresa perfeita.
Vencer vale a pena
Competir é a essência do espírito olímpico. Mas competir para vencer. Ou seja, um atleta nos jogos deve competir para ser vencedor, e não somente para participar.
Na empresa, e de certo modo na vida como um todo, precisamos ser incansáveis, não nos paralisar diante do medo, recusar a ser insignificantes e nos recuperar dos fracassos.
A vitória é reservada somente para aqueles que não desistem. E vale cada segundo da jornada.
Vamos em frente!
PS: meu mais profundo respeito e agradecimento a todos os atletas brasileiros que nos representam na Olimpíada de Londres.
As fontes de inspiração da sua vida (principalmente as pessoas que você ama) são o segredo para superar grandes desafios e seguir em frente
Na vida há paradas. Assim como um veículo precisa de manutenção, nossa existência está sujeita a paradas, algumas programadas, outras, não. No dia 3 de abril, tive uma parada não programada na máquina. Como alguns de vocês já sabem, pois mencionei em meu livro a respeito, tive uma embolia em 2005 e, infelizmente, mais uma agora. Sabia que algo não ia bem, pois estava suando muito e ficava cansado somente de me deslocar de um compromisso a outro. Após uma última reunião na tarde daquela terça-feira, fui ao Hospital Sírio-Libanês e eles constataram o que eu já esperava: embolia no pulmão direito. Dei entrada no PS, onde fiquei por dois dias aguardando um quarto. Não ter sido presidente do Brasil, tem lá suas desvantagens. Mesmo com um plano de saúde top internacional, o hospital estava lotado (não para ex-presidentes, é claro). Momentos como esse, nos quais você é obrigado a ficar parado, são de grande valia para observação e reflexões. Talvez a vida nos ofereça paradas obrigatórias somente para refletirmos.
Reflexões
A primeira que me veio é que o dia em que presidentes e ex-presidentes usarem hospitais públicos para cuidar de sua própria saúde, vou acreditar que fazem, de fato, algo pela saúde da população. Olhando pela janela do quarto, também observei como não vemos o outro em nossa cultura. Ao lado do hospital há muitos prédios, e é comum ver moradores sacudindo e batendo tapetes e toalhas na janela, como se embaixo deles não houvesse outro morador ou pedestres na calçada. Quatro dias de hospital depois e... estou de volta. Agora, sim! Nada melhor do que voltar ao trabalho. Tão devagar quanto possível. No dia 11 de abril, dei uma palestra para cerca de 300 pessoas, e na saída, ao aspirar a fumaça de alguns fumantes na calçada, percebi que algo ainda não estava certo. Mas continuei a semana, mais um dia de coachings, reuniões e, à noite, às 3h da manhã, acordei de forma abrupta. Algo estava muito errado... ainda. Direto para o hospital, novamente o Sírio-Libanês, excelente atendimento, mas... embolia de novo. Mesmo tomando remédios para evitá-la. Nesse momento, as emoções e os pensamentos não ajudam – “É o fim..., os médicos não sabem o que está acontecendo” – pensei. Felizmente, estava enganado, o próprio remédio para curar o problema poderia provocá-lo e aparentemente foi isso que ocorreu. Fatos da vida, efeitos colaterais são esperados. Ao menos ganhei mais momentos para reflexão, embora alguns dissabores inesperados também.
O ponto mais baixo
Novamente internado, aguardando no PS. Dessa vez, por menos de um dia. Chega, no fim da tarde, o mesmo pneumologista que cuidara de mim da vez anterior. Começo a descrever os sintomas, procurando informá-lo com maior precisão possível para ajudá-lo no diagnóstico. Afinal, por que o tratamento não funcionara? Talvez fosse importante descobrir para ajudar outras pessoas com a mesma doença, pensei. De repente, ele simplesmente diz: “Só gostaria de alertá-lo de que hoje não estou na retaguarda!” Continuei explicando os sintomas. Paro. Penso e pergunto: “O que o doutor quis dizer com ‘não estou na retaguarda’?” E ele me explica: “É que todas as minhas visitas serão cobradas.” Particularmente, sou um capitalista, acho que o Brasil precisa de mais pessoas interessadas em ser empresárias, em ter lucro, em criar empregos, em fomentar propriedades privadas – se você acha que é dono da sua casa, experimente deixar de pagar o IPTU e você descobrirá rapidamente a quem ela, de fato, pertence. Mas há situações em que, a última coisa que deve ser colocada na mesa é o dinheiro. Se você trabalha com desenvolvimento humano, como é meu trabalho de coach, ou cuida de pessoas, como é o trabalho de um médico, deve reconhecer que o dinheiro é uma consequência direta de sua capacidade de fazer seu trabalho com dedicação ao seu propósito. O dinheiro virá, mas não pode ser o foco principal de sua atuação. Disse a ele para não se preocupar, aliás, ele foi o primeiro a ser pago.
Os pontos mais altos
Entretanto, ainda no mesmo dia em que entrei no hospital, uma médica, clínica geral e cardiologista, recomendada por um CEO, cliente e amigo, apareceu um pouco mais à noite para me ver. Sentou-se ao meu lado na maca. Conversou demoradamente comigo sobre meu histórico, viu todos os exames. Eu ainda ali, lutando para não ser tomado pelo desespero, falando de minha tentativa de contatar um hematologista renomado, que seria um especialista-chave para analisar meu caso. Ela me interrompe e diz: -“Eu conheço esse especialista. Não é você quem irá contatá-lo, eu assumo daqui. Deixe comigo”. Imediatamente ela ligou para ele e passou um sms. Chorei de cansaço e de alívio de encontrar alguém com essa postura naquele momento. Ela e os demais médicos gentilmente esperaram eu receber de meu plano de saúde. A alguns deles tive de insistir para que me enviassem suas informações para eu efetuar o pagamento: estavam ocupados demais cuidando da vida de outras pessoas. Um, simplesmente, não cobrou suas visitas.
Mais reflexões sobre o mundo que nos cerca
Duas embolias e quatro dias depois e... hora de voltar para casa. Mas, embora a parte clínica estivesse sob controle, o estresse estava enorme. Até conversar era difícil. Já passei por outras internações, e novamente me vem a nossa questão cultural de não observar o outro. É comum ouvir carros e motos buzinando próximo a hospitais. Já passei até por situações em que o alarme de um carro estacionado disparou, e nenhum policial, bombeiro ou serviço público podia desligá-lo (ou queria). O barulho para alguém internado só piora a situação, é terrível. Sei da importância de nossas florestas, de nossas árvores, mas a poluição sonora em São Paulo e outras cidades é um caso de emergência. Já morei ao lado da movimentada Avenida Santo Amaro, em São Paulo, e fico imaginando as pessoas dentro de suas casas, se recuperando de uma doença, ou simplesmente descansando, e tendo de ouvir o barulho de motos e ônibus, principalmente. Não sei por que nos comportamos como se fosse normal que motos façam um barulho excessivo, trafeguem buzinando, ou que ônibus tenham motores que ensurdecem seus passageiros, motoristas e demais pessoas ao redor. Parecem dinossauros urrando em nossas ruas. Quando olho as marcas associadas a esses ônibus, fico pensando como alguém tem coragem de colocar seu logotipo nessas máquinas? É a esse tipo de produto que a empresa quer ver sua marca associada? Isso é o melhor que seus engenheiros conseguem fazer e o departamento de vendas colocar no mercado? E o que passa na cabeça de um prefeito ou vereador – claro que me refiro aos que não são proprietários das linhas de ônibus – para autorizar que veículos ruidosos trafeguem em nossas ruas? Precisamos de menos barulho, para o bem de todos. E, por falar em barulho, com tantas obras em São Paulo, e outras cidades, ainda não inventaram um abafador para as máquinas? Ou máquinas menos barulhentas? Britadeiras, tratores, bate-estacas... as construtoras trabalham como se não houvesse seres humanos por perto. O operário tem, ao menos, um protetor de ouvido, mas os demais seres humanos que se virem.
O que inspira você?
É bom ter consciência do que inspira você. No meu caso, a cada palestra, cada coaching, cada curso ministrado, a energia foi voltando. E agora, finalmente, um artigo, compartilhando a experiência, é claro. Muito bom! Se me permite compartilhar mais algumas coisas importantes: como sempre menciono, preocupa-me muito a consciência financeria das pessoas. Se elas possuem clareza sobre sua situação e como ela se afeta com seus atos e com os acontecimentos inerentes à nossa vida. Como é o caso de uma doença que nos deixa internados. Nesses momentos um plano de saúde é bom, mas tenha também um seguro que você receba quando estiver hospitalizado. Não pretendo fazer propaganda de nenhum aqui, mas é importante que você se preocupe em ter renda quando não puder trabalhar. Procure no mercado o seguro que lhe atenda melhor. Nessas horas, ele é fundamental. Somos seres humanos e, por vezes, a máquina falha. Tive a sorte de ter me precavido e não perdi renda nesse período. Não se esqueça de cuidar sempre das outras esferas de sua vida: espiritual, familiar e amigos, principalmente. Quando você sente que a vida pode terminar, você não pensa em um carro espetacular ou no relógio de ouro. Você quer apenas poder ver seus amigos mais uma vez; sua família, seus irmãos e sua mãe, mais uma vez (meu pai já se foi); e o amor de sua vida, mais uma vez. E isso o mantém vivo! Muito vivo! Vamos em frente!
Mas, para que isso aconteça, não basta o conhecimento acadêmico adquirido. É preciso desafiar-se.
Resumo: A vida se desenvolve em ciclos. O indivíduo, para ser bem-sucedido, deve ser capaz de reconhecer e aprimorar continuamente seus talentos de acordo com o que vê pelo mundo. É preciso acompanhar as transformações e sempre atualizar-se para que sua carreira não se interrompa ou avance menos do que poderia.
As vidas de Chico Anysio e de Millôr Fernandes, que se tornaram completas recentemente, nos inspiram a pensar no quão importante é, para a carreira e a vida particular, nossa capacidade de criar e desenvolver nossos talentos.
Vivemos em um mundo que se transforma constantemente. A velocidade e a complexidade desse fato e seus impactos em nós são fontes de constante preocupação, mesmo que estejamos bem empregados. O que fazemos hoje terá valor no futuro? Difícil responder. No começo do século passado, um condutor de bonde seria visto como alguém com uma carreira promissora. Até os anos 80, alguém especializado em filmes fotográficos dificilmente poderia imaginar que sua profissão entraria em declínio em tão poucas décadas. Suas habilidades serão úteis ao mundo daqui a dez ou vinte anos?
Nossos estudos são nossas escolhas
Ocorre que, quando alguém, em sua juventude, define sua carreira, o faz em resposta à pergunta: o que você vai estudar? Conforme nossa ambição e condições, o indivíduo escolherá a faculdade ou a universidade que lhe ensinará o que deseja. Entretanto, o mundo contemporâneo exige uma enorme capacidade de adaptação, e com velocidade. Para que isso aconteça, não basta o conhecimento acadêmico adquirido. Embora seja fundamental, há um aspecto que a pessoa terá de desenvolver sozinha: desafiar-se!
Você é uma empresa
De certo modo, cada indivíduo deve imaginar-se como uma empresa. E, como tal, ser capaz de desenvolver uma estratégia para si que possibilite não apenas sua sobrevivência, mas também seu crescimento. E a forma como as empresas fazem isso é se autoatacando continuamente. Elas saem da zona de conforto e procuram fazer cada vez mais, melhor, com menores custos, mais rápido e diferente. As gerações mais novas já perceberam isso, mas alguns indivíduos ainda estão esperando ser ensinados, que alguém lhes diga o que fazer ou tenha tempo e dinheiro para requalificá-los profissionalmente. E esse último pensamento parte da questionável premissa de que alguém sabe para onde vão o mundo, as tecnologias e as demandas do mercado, bem como o que fazer para manter a empregabilidade.
As notícias são sobre você
Para ser capaz de atualizar-se e desenvolver novos talentos com o passar dos anos, a pessoa deve ter disciplina em observar alguns fatores fundamentais para sua carreira. Em primeiro lugar, deve olhar o que ocorre com o mundo. Em seguida, fazer as conexões das notícias com o mercado no qual atua e com a empresa em que trabalha. E, por último, ver como isso afeta sua vida profissional. Se o resultado dessa análise for que sua carreira está em risco, então é o momento de agir, pois o pior que pode acontecer é a pessoa esperar ser demitida ou se estagnar na carreira para querer, então, mudar.
Desenvolver uma habilidade nova é possível. Entretanto, quanto mais a idade avança, fatores como crenças, responsabilidade com a família, experiências do passado, sucesso que tornou a pessoa rígida em suas ideias, medo do fracasso e de ficar sem dinheiro, entre outros, vão se cristalizando e, por vezes, tornam-se barreiras intransponíveis. Por isso, sugiro que o indivíduo nunca pare de ler, de submeter-se a novas experiências, conhecer diferentes visões de mundo e conversar com as novas gerações, para manter-se sempre desafiado e com ideias sobre o que é valorizado e o que está sendo deixado de lado. "Você é o que você compartilha" é o pensamento que domina nossa era.
A importância do método
Para cada talento que você deseja desenvolver, procure pelo método. Onde está e quem pode ajudá-lo a aprender o que você precisa? A internet nos permite encontrar técnicos, personal trainers e os melhores especialistas em todos os assuntos. Mas você tem de seguir um método para adquirir a habilidade que pretende desenvolver. Nessas horas, humildade, capacidade de aprendizado e adaptação são fundamentais. Preocupa-me o fato de que há gente demais querendo ensinar, por vezes, coisas que não conhecem ou não são autoridades no assunto. Por exemplo, pessoas que desejam ensinar como ser rico e que não são ricas. Pessoas que querem ensinar a ser saudável e que não são saudáveis. Portanto, seja seletivo quanto a quem irá escolher para ajudá-lo no desenvolvimento de uma nova habilidade.
A vida ocorre em ciclos
Deseje aprender muitos talentos. Se você trabalha com contabilidade, aprenda sobre vendas. Se trabalha com computação, aprenda marketing. Se for de marketing, se interesse por recursos humanos. Normalmente, não percebemos que nosso conhecimento é muito influenciado por aquilo que aprendemos primeiro. Em geral, o vemos como sendo "a verdade". É difícil reconhecer e livrar-se do que aprendeu primeiro, principalmente se esse aprendizado foi o motivo do sucesso do indivíduo por um longo ciclo. Mas é preciso compreender que a vida é feita de ciclos e que eles terminam. Esse é o principal alarme que temos para nunca parar de desenvolver novos e relevantes talentos. O mundo se transforma e devemos acompanhar essa transformação até o fim de nossos dias. Vamos em frente!
No mundo das celebridades ou das empresas, sucesso sem preparo é uma rumo perigoso e por vezes muito infeliz
Whitney Houston, Amy Winehouse e Michael Jackson são exemplos de seres humanos que possuiram tudo que as pessoas dizem desejar para ser felizes: foram famosos, ricos e amados, aliás, são amados até hoje. Mas, se autodestruiram. O que teria acontecido?
Não é apenas no universo das celebridades da música, ou do cinema, que isso ocorre. Nas empresas, executivos e outros profissionais que, teoricamente, fizeram ou estão no meio de carreiras bem-sucedidas se autossabotam. Abusam de álcool e outras drogas, e são infelizes em suas vidas pessoais. Para piorar, no trabalho, suas palavras e ações são motivos de sofrimento para si e para aqueles que os cercam. Por quê?
O despreparo para o sucesso.
Muitas pessoas acreditam que, quando tiverem sucesso material e financeiro, as demais áreas de sua vida se resolverão. Mas, isso não ocorre. Lidar com problemas financeiros é muito difícil, entretanto, ser bem-sucedido financeira e profissionalmente e arruinado em outras esferas da vida é um tipo terrível de fracasso.
Quando o sucesso ocorre e o indivíduo não está preparado, em geral é esmagado por ele. Acontece que terá de lidar com uma agenda repleta de compromissos, cobrança das demais pessoas, autocobrança exagerada, exposição pública, críticas improcedentes, a gestão da vida pessoal e financeira, enfim, tudo se torna muito complexo. Assim como não se espera que um motorista, com seu conhecimento sobre o painel de um carro, seja capaz de pilotar um avião; na vida, não se espera que alguém esteja habilitado a gerir a complexidade do sucesso com a visão de uma criança.
Embora não exista uma cartilha para lidar com o sucesso, até porque as pessoas estão mais preocupadas em achá-lo do que em gerenciá-lo, algumas sugestões são relevantes de se pensar.
Você não pode mudar seu passado
Ninguém escreve em seu CV: "sou pós-graduado pela FGV e foi muito difícil porque passei fome e meu pai abandonou minha família quando eu tinha 10 anos". Lamento que coisas terríveis tenham acontecido em seu passado, mas o mundo não se importa com isso. Ele quer saber de seus méritos. A pessoa tem de aprender a lidar com os eventos lamentáveis de sua vida, seus medos, dificuldades indescritíveis que enfrentou para chegar onde chegou. O sucesso não vai tornar esses fatos mais compreensíveis ou aceitáveis. O indivíduo terá de elaborá-los, aceitá-los, lidar com eles da forma mais funcional possível. Isto é, compreender que fazem parte de seu passado, mas não se deixar influenciar negativamente por eles, querendo compensá-los, consertá-los ou escondê-los por meio de seu sucesso.
Aprenda a lidar com as frustrações
Não existe uma regra que estabeleça que seus pais são obrigados a amar você.
Também não há lei que diga que seus amigos querem seu bem, sempre. Ou, que pessoas mal intencionadas jamais se aproximarão de você. Ou, que todas suas ações produzirão os resultados desejados. A dura realidade é que algumas pessoas literalmente tiveram de ser salvas de seus pais. Outras, de seus amigos e amores. E há aquelas que tiveram de se reerguer devido a decisões erradas que tomaram no passado e que consumiram grande parte de sua energia e tempo para ser corrigidas. A vida tem dessas coisas. Não há sucesso que possa torná-lo mais forte com relação às frustrações. Você terá de buscar essa força no exercício diário da vida, reconhecer que as frustrações, por vezes profundas, fazem parte da existência humana. Querer uma vida sem dor, sem problemas é um desejo impossível. Aliás, as únicas pessoas que não possuem problemas estão no cemitério. As demais acordam todos os dias e têm de enfrentá-los.
E quando a morte chegar?
Nossa evolução nos permitiu ter consciência da realidade que nos cerca e nos transpassa. Mas, o preço é saber que um dia aqueles que amamos morrerão, e o mesmo ocorrerá conosco. Quanto tempo ainda temos?
Não espere para ter aquela conversa com quem é relevante para você. É melhor colocar na agenda aquele assunto importante e tocar nele o quanto antes com aquela pessoa. As conversas que não aconteceram, por vezes, são as lembranças mais difíceis de aceitar. E muitas pessoas bem-sucedidas sucumbiram após a morte de entes queridos.
Não queira fazer tudo sozinho
Certa vez, perguntaram a Dalai Lama se era possível um ser humano se desenvolver sozinho. Após longa pausa e algumas considerações, a resposta foi: "Sim, é possível... só que leva muito mais tempo."
Assim, se há preparo possível para o sucesso, diria que é, em primeiro lugar, observar às demais pessoas. No meu trabalho de coach observo que os indivíduos seriam mais saudáveis se soubessem que suas dúvidas, angústias, frustrações e seus medos existem porque estão presentes a todos que pertencem à raça humana. Mas, precisam de referência, de alguém que lhes diga isso e demonstre com fundamento. Por isso, ter humildade para desenvolver-se, mesmo depois de chegar lá, é um fator de preparo para a carga que o sucesso acarreta.
Portanto, no decorrer de seu desenvolvimento, contrate profissionais que possam contribuir com seu fortalecimento: médicos para manter o check up e saúde de seu corpo físico em dia, nutricionista, um personal trainer que possa lhe dar um bom condicionamento para um dia puxado de atividades. Mas, não se esqueça de incluir também: um coach que possa ajudá-lo a desenvolver competências nas diversas áreas de sua vida. Consultar um psicólogo para ver como anda sua saúde emocional e psicológica. Ter momentos de serenidade como uma meditação, um retiro, ou qualquer atividade que possa acalmar sua mente. Centrar-se e energizar-se com frequência.
Também é fundamental que aprenda a ser um investidor. É impressionante a quantidade de celebridades que morrem quebradas financeiramente. Mas, o mesmo ocorre com muitos profissionais bem-sucedidos e que se aposentaram.
Essa área é complexa e provavelmente a mais negligenciada por todos. O mundo e as pessoas estariam em melhores condições se fossem alfabetizados financeiramente.
Reavaliar amizades
Sempre estar atento e reavaliar todos esses profissionais mencionados, amigos e mesmo familiares. Se o indivíduo não tiver competência para identificar pessoas de má indole que se aproximam dele, principalmente após seu sucesso, terá sérios problemas. Portanto, até mesmo antes de amar, é bom fazer essa lição de casa. Muitos amores foram a causa de ruínas de pessoas bem-sucedidas profissionalmente.
Por este motivo que também deve ser capaz de gerir suas emoções, para que não lhe causem danos ao longo do tempo. O preparo psicológico é, portanto, fundamental.
Não conheço ninguém que afirme que se tivesse menos dinheiro estaria melhor. Mas, conheço pessoas que se lamentam do sucesso não ter lhes dado a serenidade que tanto desejavam. O sucesso profissional e financeiro é somente uma área de nossa vida, não é a vida toda. Após chegar lá, seja lá onde for para você, as demais esferas da vida continuarão esperando para ser exploradas e conquistadas. Vamos em frente!
Uma empresa faz um bom negócio em investir no desenvolvimento da liderança feminina
Resumo: Para crescer, as empresas precisam que seus empregados e clientes sejam leais à empresa. Não adianta vender mais e perder clientes por mau atendimento. Os empregados são responsáveis pelo principal contato da empresa com os clientes. E seu comportamento é afetado diretamente pelo comportamento de seu líder. Aprender a liderar apropriadamente é um desafio e incentivar profissionais com conhecimento técnico a seguir a carreira de liderança é uma excelente solução. Isso porque as mulheres são mais humildes para aprender, ao mesmo tempo que são mais ambiciosas e persistentes para desenvolver suas carreiras. Uma empresa faz um bom negócio em investir no desenvolvimento da liderança feminina.
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No mês internacional da mulher destaca-se o quanto as empresas têm de potencial para aumentar seus lucros, se desenvolvessem apropriadamente suas profissionais com conhecimentos técnicos para a carreira executiva.
Marcas devem cativar a lealdade de seus clientes
Uma questão fundamental para aumentar a lucratividade da empresa é que seus clientes sejam leais à marca. Não adianta o departamento de vendas trazer mais clientes, se os demais os perdem por mau atendimento. E a lealdade à marca é diretamente proporcial à lealdade dos funcionários à companhia.
Afinal, o ponto mais relevante de contado da empresa com o consumidor é quando ele é atendido por um de seus funcionários. Nesse momento, se o empregado estiver aborrecido com a organização, sentir-se injustiçado, mal tratado ou sem o reconhecimento devido, provavelmente tratará mal o cliente, gerando todo tipo de transtorno. O resultado é a perda de um cliente conquistado a duras penas.
Como seus líderes tratam os funcionários?
Chegamos, portanto, à causa dessa questão: a experiência que é proporcionada aos funcionários. Ela é provocada por seus líderes. Quando este é mau preparado, dá poucos feedbacks , não se preocupa com as pessoas e como conseguir resultados por meio delas, gera um ambiente propício a comportamentos contrários aos propósitos da empresa. Principalmente, gera funcionários resignados e cínicos, que focam mais seus salários e a manutenção de seus empregos do que o bom atendimento aos clientes – sejam eles externos ou internos.
Líder despreparado não faz a empresa crescer
Portanto, sem líderes preparados a empresa não aumenta sua lucratividade e não cresce. Do lado dos funcionários, se eles não se transformam em líderes, ao longo do tempo se desmotivam na carreira, principalmente por questões financeiras. Além disso, se a empresa traz líderes de fora, tira a energia de quem já está na companhia e se via em condições de aprimorar-se para os cargos de gestão. Se lhe fosse dada a oportunidade para isso, é claro.
Afinal, se a empresa promove quem não está preparado, perde um técnico nota 10, para ganhar um gerente nota 1.
Entretanto, as empresas veem os técnicos como profissionais difíceis de se interessar por pessoas e negócios. Em muitos momentos, os técnicos desejam aprender, mas não respeitam consultores sem origem em carreira técnica para desenvolvê-los. Eles querem ouvir alguém que explique de forma lógica o que fazer para desenvolver a carreira. Por isso que uma pessoa que nunca foi técnica gasta muita energia e recursos para convencer um técnico a ser líder.
A solução é treinar novos líderes por meio de metodologias feitas especificamente para pessoas com cabeça de técnico. Em primeiro lugar é fundamental inspirá-las para a carreira de liderança. Mostrar-lhes os ganhos que existem, não apenas para a empresa, mas para elas, ao percorrer esse caminho. Somente após essa inspiração oferecer de forma lógica o conhecimento sobre liderança, até mesmo falar de forma lógica sobre assuntos ilógicos como: emoções, política dentro da empresa e relacionamentos interpessoais. Por último, e talvez um dos mais difíceis tópicos, transformar sua comunicação, atitude e imagem nas de um líder. É impressionante a quantidade de gerentes que pensam que ser líder significa se o técnico dos técnicos. Com isso, dirigem-se ao presidente da empresa, e aos clientes, com uma linguagem rebuscada, cheia de expressões técnicas e incompreensíveis.
Mais mulheres na liderança, mais lucros
E o que as mulheres têm a ver com isso? Na minha experiência de mais de dez anos como coach, observo que as mulheres são mais humildes para aprender e, ao mesmo tempo, mais ambiciosas e persistentes para evoluir em suas carreiras. Portanto, uma empresa faz um bom negócio ao investir em suas técnicas para incentivá-las pela carreira executiva. Elas são capazes de, uma vez desenvolvidas apropriadamente, criar um ambiente onde o clima organizacional é mais positivo, todos os detalhes das operações são levados em conta e os resultados são obtidos por meio de pessoas cuidadas e motivadas. Isso cria a lealdade dos clientes e permite à empresa crescer com segurança. Uma excelente razão para celebrar, não apenas o mês, mas o sucesso das mulheres em suas carreiras. E cumprimentar às empresas que crescem ao saber ouvi-las, valorizá-las e reconhecê-las. Vamos em frente!
Se os principais líderes não estiverem atentos a alguns detalhes importantes, ninguém na empresa estará
Resumo: CEOs precisam compreender que a tecnologia há muito deixou de ser uma ferramenta, mas passou a ser o ambiente no qual a empresa vive e realiza negócios. Quando a liderança da empresa não se envolve para que organização viva nessa natureza tecnológica, condena seus profissionais e clientes a usar a tecnologia voltada para si mesma. Isso torna a experiência da marca empobrecedora. Ao compreender essa complexidade, os líderes capacitam a empresa a tornar essa experiência marcante, relevante e inspiradora. Algo que as marcas não têm feito, na sua maioria, de forma apropriada.
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Estava em Miami neste início de ano e, ao alugar um carro, me lembrei da importância do líder na experiência do consumidor.
Chegamos, minha esposa e eu, ao balcão da Avis e havíamos feito todo o processo de reserva no Brasil, inclusive o pagamento. O atendente, muito cordial, solicitou-nos o voucher e os documentos. Em seguida, começou a preencher algumas telas no computador... E assim permaneceu por cerca de 30 minutos, interrompendo somente quando nos solicitou para assinar o comprovante de pagamento do cartão de crédito.
Embora estivéssemos vindo de uma cidade próxima, fiquei imaginando se uma pessoa tivesse acabado de desembarcar após oito horas de voo, passado pela imigração e manuseado as malas, o quão cansativa seria aquela meia hora em pé por um procedimento no mínimo curioso, já que tudo havia sido acertado previamente.
Foi quando virei para minha esposa e afirmei que, se aquele sistema utilizado pela Avis tivesse sido pensado por Steve Jobs, provavelmente haveria na tela (touch-screen, é claro) uma foto minha e do carro, e o atendente teria somente de, com o dedo, movê-la para cima dele.
Como fui programador de computadores na década de 80, observo o quanto os principais líderes das empresas não compreenderam, ainda, que a tecnologia não é mais uma ferramenta, mas a natureza de seus negócios. Toda vez que vejo um atendente preencher um registro é como se voltasse no tempo. Pois são os processadores que precisam que todas as informações cheguem a eles no formato de registros, não as pessoas. E cada vez mais as empresas deslocam esse trabalho para os clientes, em vez de aprimorar seus programas e, consequentemente, a experiência do consumidor.
Por uma dessas ironias, fui a uma loja da Apple na mesma viagem. O vendedor me atendeu somente com seu celular. Deu-me as opções possíveis do produto que precisava, escolhi, e ele me pediu apenas a gentileza de aguardá-lo no mesmo lugar. Saiu de minha presença e, em poucos minutos, retornou com o produto. Perguntou-me como iria pagar. Dei-lhe meu cartão e ele o passou no próprio celular. Em seguida, pediu- me para assinar, com o dedo (nada de canetas), na tela do aparelho. Emitiu e entregou a nota fiscal a mim e despediu-se. Fiquei cerca de dez minutos na loja.
Não tenho intenção aqui de menosprezar a Avis, nem de enaltecer a Apple. Até porque a Avis é um excelente “case” de negócios, com sua campanha “we try harder”, que a fez internacionalmente reconhecida. Por outro lado, a Apple já teve seus dias e produtos inglórios.
Entretanto, é inegável que um líder como Jobs faz grande diferença, porque entende que a tecnologia deixou de ser uma ferramenta e passou a ser a natureza dos negócios. Ou seja, as organizações não têm o domínio ou usam tecnologia, mas existem em um mundo criado e com propriedades e conceitos possíveis por meio dela. Essa natureza possibilita uma interação homem-máquina cada vez mais amigável. Contudo, para que isso ocorra, as marcas precisam compreender que essa interação faz parte da experiência que elas provocam em seus clientes. Ela pode ser marcante, relevante e inspiradora; ou deprimente, irrelevante e empobrecedora.
Os líderes, especialmente CEOs e presidentes, desempenham um papel fundamental, de promover a consciência dessa mudança para um meio ambiente de tecnologia em favor da marca empresarial. Em um mundo onde as mídias se entrelaçam e formam complexas relações, é fundamental que a liderança esteja atualizada e se esforce para compreender e adaptar-se a esse contexto.
Principalmente compreender as implicações desse ambiente nas interações com os empregados, clientes e comunidade. São essas interações que afetam a percepção de todos sobre a empresa.
Não gerir a marca nas redes sociais, dificultar a interação com os clientes, possuir softwares anacrônicos no ponto de venda e disponibilizar call center com indivíduos sem o poder de resolver problemas são exemplos de situações que provocam grandes estragos na experiência do consumidor e, consequentemente, nas marcas. Se os principais líderes não estiverem atentos a tudo isso, ninguém na empresa estará.
Veja algumas dicas para não perder oportunidades e não se sentir estagnado
Resumo: Começo do ano é um bom momento para se pensar a carreira. Ela se desenvolve em ciclos e devemos ter a preocupação de assegurarmos que ela jamais parará. Sendo assim, se o indivíduo souber qual área deve prestar atenção em dado momento, poderá agir e mover sua carreira sempre para frente. Aprimorar-se continuamente, amadurecer, cuidar do marketing pessoal, interessar-se por resolver problemas e pensar no seu papel no futuro são ações fundamentais para assegurar uma carreira duradoura e de sucesso.
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Após o descanso do começo do ano, é um bom momento para avaliar em que momento estamos em nossa carreira e o que fazer para movê-la para frente. Quer um indivíduo esteja iniciando uma nova fase, consolidando uma posição ou desejoso por um novo momento na carreira, o importante é pensar no que fazer para que ela nunca pare. E ter em mente que ela se desenvolve em ciclos. Toda vez que a carreira para, é porque o profissional parou antes em alguma área de seu desenvolvimento. Assim, se avaliar que setor é esse, será capaz de definir ações para criar novas oportunidades, e isso deve ser feito desde sempre.
Nunca parar de aprender O conhecimento de uma pessoa pode rapidamente tornar-se obsoleto ou insuficiente para ser relevante para as empresas. Uma nova formação acadêmica, um curso de pós-graduação ou uma língua estrangeira podem ser o diferencial relevante para uma oportunidade.
Vença sua timidez! Por mais competente que seja, se um profissional não souber se expressar nos momentos decisivos, como numa entrevista para emprego, diante de clientes ou dos níveis hierárquicos mais elevados, sua competência ficará oculta. A sugestão é que um indivíduo faça tantos cursos de expressão verbal ou oratória quanto puder. Se não tiver condições de investir em um, deve adquirir ou emprestar um gravador e gravar-se falando. Procurar ver se concatena bem as idéias, se sua dicção é boa e se não fala muito rápido ou muito devagar. Procurar um coach, se necessário. Se, ainda assim, sua timidez persistir, considerar a possibilidade de consultar um psicólogo, para que ele possa lhe ajudar a ultrapassar essa barreira. Ou, nos casos mais leves, quem sabe não se desinibe em uma aula de teatro ou mesmo dança de salão? Enfim, tem de encontrar uma forma de vencer a timidez, ela é responsável por boa parte das carreiras que avançam muito lentamente ou se estagnaram.
Amadurecer Talvez seja o início de um ciclo em que sua maturidade seja colocada à prova. Nesse sentido, deve procurar se expor a mais experiências de vida. Arriscar-se mais. Se possível, fazer uma viagem sozinho para o exterior, preferencialmente a um país que não fale uma língua que conheça. Aprender a se virar. Fazer um trabalho voluntário e entrar em contato com pessoas que vivem dificuldades, mas as vivem com destemor – ajudá-las.
Marketing Pessoal, esse desconhecido tão criticado Outros elementos fundamentais para sua carreira avançar são a sua imagem, fala e postura. A pessoa deve lembrar-se de que o profissional vende a todo instante a sua credibilidade. Assim, deve ter uma imagem que transmita isso: procurar se vestir com a sobriedade, elegância e estilo de um locutor de telejornal sempre que estiver à procura de um emprego ou de um cargo mais elevado. Evidentemente, fazer os ajustes necessários à sua idade, ao cargo pretendido e à empresa na qual busca a recolocação. Portanto, não aparecer de terno e gravata em uma empresa que vende materiais para esportes radicais, nem deixar sua nova tatuagem à mostra ao procurar emprego em um hotel tradicional. Pensar, antes de agir.
Onde procurar um novo ciclo para a carreira? O indivíduo também pode estar procurando no lugar errado o início ou o novo ciclo de sua carreira. A maioria dos empregos não está nas grandes empresas, mas nas menores. Diferentemente do que se imagina, muitas empresas de pequeno porte possuem grandes clientes e lucratividade, o que lhes permite pagar salários elevados. Além disso, há a vantagem de poder desenvolver e utilizar muitas habilidades em um mesmo lugar, o que é muito bom, principalmente para quem está começando uma nova carreira. Afinal, as empresas menores não possuem tanta estrutura, o que não significa que não tenham atrativos: dinamismo, desafios, crescimento e, em muitos casos, ousadia.
Aprimore seu networking Em cada uma dessas ações que possam mover seu desenvolvimento rumo a um novo momento da carreira, que pode ser um novo emprego, a pessoa deve lembrar-se de conversar muito com as demais que estão ao seu lado. Procurar aquelas que possam indicá-la para uma nova colocação ou influenciem alguém que possa contratá-la. Não ter ilusões, estima-se que de 60% a 80% das vagas relevantes nas empresas são preenchidas por indicação. Desse modo, ter interesse em conhecer pessoas e conquistá-las com uma conversa marcante, relevante e inspiradora. No mundo corporativo, saber iniciar um diálogo com alguém extremamente importante para sua carreira de forma curta e curiosa é o que se chama de "conversa de elevador". Isto é, o indivíduo entrou no elevador com a pessoa que pode contratá-lo ou influenciar quem o contrate e tem somente até o andar de destino dela para falar sobre quem é e o que deseja para sua carreira. Não pode ser óbvio nesse momento, deve saber criar a curiosidade. Entretanto, não pensar que jogar uma conversa mole para cima de alguém vai ser suficiente para conseguir a nova colocação. Competência e boa comunicação é que formam uma combinação poderosa de sucesso.
Ser interessado pelos problemas à sua volta Uma pessoa deve ter interesse genuíno em resolver problemas, aprimorar processos, produzir produtos de alta qualidade, atender com extrema atenção e cuidado os clientes externos e internos da empresa. Em outras palavras, não basta que alguém queira trabalhar em uma empresa, é preciso querer que a empresa ganhe. Assim, descobrir quando a companhia que trabalha ou procura “faz um gol”, ou seja, alcança suas metas, e avaliar se isso tem a ver com seus desejos, valores e princípios. Se não tiver, procurar outra companhia. O mundo está cansado de ser atendido por pessoas que não gostam do lugar onde trabalham. E uma sugestão para quem está começando: seja treinável, ou seja, saiba ouvir orientações e aplicá-las rapidamente na sua rotina de trabalho.
E se tudo estiver indo bem na carreira? Por último, se a pessoa já descobriu quais áreas de sua vida podem parar e o que fazer para aprimorá-las, deve saber exercitar o seguinte: imaginar o mundo daqui a três, cinco e dez anos. Nesse mundo do futuro, pensar como estarão o mercado e as empresas em que pretende atuar. Qual será o seu papel nessas empresas? Nessa função do amanhã, quais competências precisará ter? Comparar com as habilidades que possui hoje e comecar a desenvolver desde já aquelas que ainda não tem. Assim, corre menor risco de se tornar obsoleto ou de se achar surpreendido por uma demissão.
São muitas as ações que alguém pode fazer para se desenvolver e ir em direção ao sucesso de sua carreira. Adquirir novos conhecimentos, aprimorar-se financeiramente, realizar um ano sabático, fazer um coaching, participar de uma aventura, desenvolver sua maturidade espiritual e seu marketing pessoal, entre outras. Elas vão construir para o indivíduo, desde o início da carreira e nos demais ciclos, um horizonte mais claro do que fazer para se aperfeiçoar e ir longe. Vamos em frente!
Se você tiver um plano tão bem elaborado quanto o de uma organização, sua carreira pode ter um futuro promissor
Resumo: Sua carreira é o seu mais importante investimento. Portanto, conectar as notícias econômicas com ela é um fator fundamental para ser bem-sucedido a longo prazo. Muitas decisões são tomadas sem essa conexão e o resultado é uma falsa sensação de segurança e a surpresa de ver sua carreira interrompida inesperadamente. Para proteger-se das crises econômicas o caminho recomendável é alfabetizar-se financeiramente. Um plano de décadas, como é a carreira profissional, depende disso para ser concluído com sucesso.
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A carreira profissional é parte de um investimento, com certeza da empresa e, tomara, da própria pessoa. Se ela tiver um plano tão bem elaborado quanto o de uma organização, sua carreira pode ter um futuro promissor. Se não tiver um plano ou visão estratégica, seu amanhã é incerto. Portanto, conseguir ver o futuro e como ele afetará sua carreira, dá ao indivíduo condições de se precaver e tomar as decisões apropriadas. Entretanto, ao observarmos as notícias econômicas que vêm da Europa, dos Estados Unidos e de Brasília, ficamos um tanto intrigados com sua complexidade. E é difícil responder: como isso afeta minha carreira?
Decisões equivocadas
A consequência mais direta de não lidar com essa questão é a pessoa tomar decisões que nem sempre são as mais apropriadas. Por exemplo, recentemente o Bank of America Merrill Lynch fechou sua operação de gestão de fortunas no Brasil. Mas, há menos de um ano, muitos executivos deixaram suas carreiras em outras instituições e construíram um plano de longo prazo com Merrill Lynch. Resultado: têm de procurar emprego em pleno final de ano. Outra notícia do mesmo setor: o Citigroup anunciou que vai cortar 4500 postos de trabalho ao longo dos próximos trimestres. Portanto, ao contrário do que os protestos sugerem, o futuro não está fácil para quem pretende fazer carreira em Wall Street. E vai piorar.
A falsa sensação de segurança
A consequência de não se interessar em observar as notícias econômicas e conectá-las com sua carreira é uma falsa sensação de segurança. Por exemplo, neste exato momento funcionários públicos em países europeus estão perdendo seus empregos, pois seus salários e, principalmente, suas aposentadorias são um peso insuportável para a economia daqueles países. E, em Brasília, tenta-se equacionar o mesmo problema, para evitar isso no futuro. Portanto, quando alguém decide hoje pela carreira pública deve saber que não é certeza de ter emprego para o resto da vida. E que, se as mudanças atuais forem aprovadas, sua aposentadoria será similar aos da iniciativa privada. Se desejar mais, deverá fazer parte de um fundo de pensão complementar. Mas, esses fundos não são grandes investidores do mundo? Sim! E aqui vai mais um ponto de atenção: se eles estão entre os maiores investidores do mundo e há uma crise sistêmica na economia, o que acontecerá com esses fundos quando um colapso financeiro em escala global ocorrer?
Alfabetizar-se financeiramente
A única forma de alguém proteger sua carreira ao longo do tempo é alfabetizar-se financeiramente. Compreender os complexos meandros das decisões econômicas e como elas impactam sua vida profissional. Afinal, um investidor que não sabe o que está fazendo torna qualquer investimento arriscado, e sua carreira é um investimento de décadas.
O mundo e as pessoas estariam em melhores condições se elas fossem alfabetizadas financeiramente. É importante o profissional, ao ingressar em sua carreira, procurar desde o início o equilíbrio entre realização pessoal e ganhos financeiros. É horrível trabalhar com algo de que não se gosta, tanto quanto não conseguir o padrão de vida desejado. E esse plano de carreira, para acontecer de forma apropriada, deve estar nas mãos do indivíduo, não da empresa. Ele que deve se interessar por entender a complexidade econômica e decidir quais os melhores caminhos a seguir para evitar sérios problemas, que podem significar um futuro incerto e muita insegurança para sua vida.
Entenda a origem do termo e a evolução de seus significados até chegar ao mundo corporativo
Resumo: Muitos profissionais, inclusive da área de TI, vêem na carreira de coach uma possibilidade para seu futuro. Neste artigo vemos a surpreendente origem húngara da palavra coach. A evolução de seus significados até chegar ao mundo corporativo. Nele o coach é o profissional especializado no desenvolvimento de competências de liderança. Mas, com o tempo o processo evoluiu e também é utilizado para se desenvolver competências em outras áreas da vida, inclusive na esfera pessoal. Somente pessoas sadias podem participar do processo. As metodologias de coaching são oriundas de áreas que explicam a complexidade humana: psicologia, filosofia, biologia e física quântica.
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Quando em 2001 saí da área de computação e comecei minha jornada no desenvolvimento de líderes empresariais não vislumbrava que no futuro muitos seguiriam as mesmas trilhas.
Mas agora, com tantas pessoas, inclusive de TI, investindo na carreira de coach é um bom momento para revisitarmos suas origens.
Origem da palavra coach.
Coach é uma palavra inglesa, mas de origem húngara (kocsi). Kocs é uma cidade na Hungria que fica no condado de Komárom-Esztergom, às margens do Rio Danúbio e da estrada que liga Viena, na Áustria, a Budapeste. No século XVI, começou a produzir carruagens que se tornaram as mais cobiçadas da época por seu conforto – elas foram as primeiras a ser produzidas com suspensão feita de molas de aço. Assim, as carruagens de Kocs eram chamadas de kocsi szeker. Os nativos dessa cidade também são chamados de kocsi. E é esse vocábulo que os ingleses entendiam como "coach". Portanto, o primeiro significado da palavra coach é “carruagem”.
Com o passar do tempo, surgiu uma metáfora. Do mesmo modo que a carruagem leva as pessoas aos diversos campos geográficos, o coach era a forma como se chamava o tutor que conduzia outras pessoas pelos diversos campos do conhecimento. Conta-se também que as famílias muito ricas, quando em longas viagens pela Europa, levavam servos no interior da carruagem, que liam em voz alta para as crianças o que elas tinham de aprender. Esse servo passou a ser chamado de coach também.
Na segunda década do século XIX, os alunos da Universidade de Oxford adotaram a gíria "coach" para designar os professores que lhes auxiliavam nos exames finais. Em seguida, a própria universidade começou a chamar os técnicos das equipes esportivas desse modo. Portanto, o segundo significado da palavra é "técnico".
Uma curiosidade: apesar de ser considerada arcaica, a palavra "coacher", para designar o coach, existe, mas caiu em desuso a partir da década de 1910. Todavia, ainda hoje, algumas empresas a adotam para se referir ao coach.
Desafios que fizeram surgir a profissão de coach
Nas décadas de 1950 e 1960, o gigantismo das operações empresariais impulsionadas pelo mercado de capitais gerou alguns desafios básicos. Primeiramente, para obter resultados maiores, os profissionais mais antigos foram dispensados. Isso acarretou a perda de experiência relevante para as empresas, que se viram obrigadas a recontratá-los, mas como consultores externos. E, segundo, o aumento do número de subsidiárias em países distantes fez surgir a necessidade de formar líderes. Entretanto, a formação de líderes é um processo que requer um profissional com formação e características específicas: o coach. Diferente de um consultor, o coach não possui as respostas, mas as perguntas que desenvolvem o pensamento e o comportamento do líder.
Assim, a pergunta que deu origem ao que hoje conhecemos como processo de coaching foi: "É possível criar e desenvolver um líder?". E, se isso é possível, como fazê-lo?
A resposta a essa pergunta é: sim, é possível desenvolver um líder. A maioria das pessoas tem condições de se formar em liderança – diga-se de passagem, querendo ou não, todo indivíduo é líder de sua própria vida. Mas, sob qual princípio ocorre esse desenvolvimento?
Se você e eu começássemos a treinar vôlei todos os dias, é improvável que venhamos a jogar na seleção brasileira de vôlei. Por outro lado, é muito provável que joguemos cada dia melhor.
O mesmo ocorre com o treino para a liderança. Ele não tem o propósito de tornar alguém um Bill Gates, um Steve Jobs ou um Antônio Ermírio de Moraes, mas, sim, o melhor líder que a pessoa possa ser dentro do seu contexto e das suas possibilidades. E quem sabe qual será o limite de uma pessoa?
Tipos de coaching
Ao longo do tempo, descobriu-se que desenvolver um líder nada mais é que desenvolver um ser humano. Que, por vezes, por acidente, está em um cargo de liderança. Mas, o que se desenvolve são suas dimensões humanas. Essa descoberta levou o processo a se bifurcar em duas grandes áreas:
– Coaching executivo – que é o coaching original, utilizado para desenvolver competências de liderança nos profissionais.
– Coaching de vida – utilizado para desenvolver competências relacionadas a outras áreas da vida do indivíduo. Particularmente, prefiro chamar de coaching de desenvolvimento humano.
Portanto, coach é um profissional especializado no desenvolvimento de competências de liderança e de desenvolvimento humano.
Em português, soa estranho e é por vezes desconfortável ter de utilizar o vocábulo em inglês para designar o coach. No entanto, no mundo executivo, a língua inglesa é vista com naturalidade, e a mistura da língua portuguesa com ela, apesar de às vezes confusa, academicamente inapropriada e muito combatida por alguns, é largamente aceita.
O coach, repetindo, é o profissional que conduz o processo de desenvolvimento de competências de liderança ou de vida.
Coaching é o nome do processo (literalmente "treinamento", em inglês).
Coachee é o nome que se dá ao cliente que contrata o coach.
Coachable (treinável) é como designamos a pessoa candidata ao coaching. Somente pessoas saudáveis podem se submeter ao coaching. Pessoas que não se responsabilizam pelo resultado de seus atos ou com problemas psicológicos, como, por exemplo, depressão e síndrome do pânico, não podem se submeter ao processo. Coaching não é terapia, e o protocolo estabelece que o coach, ao identificar um cliente com esses problemas, deve interromper o processo e encaminhá-lo a um psicólogo.
Metodologias
O bom coach irá estudar metodologias oriundas de quatro áreas de conhecimento sobre seres humanos:
– Psicologia: estudam-se somente os métodos vindos dos tratados sobre seres humanos funcionais. Por exemplo, os estudos do Dr. Martin Seligman sobre psicologia positiva. Entenda-se como ser humano funcional aquele que é saudável, capaz de criar a vida que deseja e desenvolver as ações que produzem essa vida.
– Filosofia: principalmente metodologias que têm como fundamento o método socrático, o estoicismo grego e a ontologia.
– Biologia: tratados que fazem a conexão sobre como as emoções são produzidas e seus efeitos nas células do organismo, como os estudos da Dra. Candace Pert, Ph.D.
– Física Quântica: especificamente como o ser humano transforma, conserva e consome energia. Não se estuda em coaching a parte matemática da física quântica, mas somente as implicações da energia no ser humano. Embora eu recomende que um bom coach se interesse pelo conhecimento em física quântica.
Um coach oferece a seus clientes não apenas as metodologias, que podem ser aprendidas em vários cursos ao redor do mundo, mas também seu próprio autodesenvolvimento.
É uma profissão desafiadora e que auxilia as pessoas saudáveis a desenvolver as competências necessárias para alcançar os resultados que desejam. Seja na liderança empresarial ou em suas próprias vidas.
O líder deve ser aquele que é capaz de explicar de forma inspiradora o jogo da empresa
Certa vez, estava em uma empresa de tecnologia e sistemas, conversando com a diretora de negócios sobre sua operação. A sala era imensa, cerca de 150 profissionais concentrados em seus computadores, sentados lado a lado, atendiam clientes remotos, no desenvolvimento de propostas e programação. De repente, entrou um gerente de vendas segurando um documento aberto na mão esquerda e batendo nele com a outra mão espalmada. Ele veio até a diretora e falou entusiasmado:
– Fechamos mais um!
No mesmo instante, um técnico sentado próximo, que digitava em seu computador, levou a mão à cabeça e gritou:
– Puuuu...! Mais trabalho!!!
Ficava claro ali a grande deficiência dos líderes em explicar o jogo da empresa a seus funcionários. Comparativamente, imagine se víssemos um torcedor de futebol reclamar que seu time fez o segundo gol em uma partida:
– Ah, não! Outro gol? Já não tínhamos feito um? Para que mais?
Por mais estranha que seja essa cena em uma partida, nas empresas ela ocorre com frequência. As pessoas estão cansadas, não se interessam pelo jogo, não entendem como ele ocorre, não gostam dele e, portanto, não torcem para ninguém. Embora estejam jogando.
Nos esportes, alguns curtem futebol, outros tênis, Fórmula 1, vôlei e há quem simplesmente aprecie esportes em geral. As empresas também são assim. Há inúmeras, para todos os gostos, mas, para que as pessoas gostem do ambiente empresarial, é preciso que alguém explique do que se trata o jogo e por que ele é interessante. Nesse aspecto, os líderes têm falhado miseravelmente.
Primeiro, porque não sabem se expressar, não esclarecem como a empresa funciona como um todo e, principalmente, não são capazes de dizer por que o mercado, as atividades da empresa e seus propósitos são interessantes. Não é a rotina que desanima os profissionais – pois é só observar que alguns seriam capazes de jogar e acompanhar futebol todos os dias (alguns o fazem) –, mas sim o fato de não conseguirem ver suas atividades diárias além de uma obrigação para que sejam pagos ao final do mês.
O líder deve ser aquele que é capaz de explicar de forma inspiradora o jogo da empresa. Seus propósitos, objetivos, o que torna interessante o que a ela faz e porque é relevante ao mundo a sua existência. Se o gestor só cobra resultados, redução de custos e dá feedbacks negativos quando algo está errado, não é surpreendente que seus funcionários sejam não apenas desmotivados, mas que não torçam pelo sucesso da organização.
O bom gestor sabe que será cobrado pelos resultados, mas é alguém que torna as operações compreensíveis aos demais líderes e profissionais. Conversa a respeito com genuíno entusiasmo e conecta as pessoas e suas atividades aos propósitos mais elevados da empresa, sua missão e sua relevância ao mundo. Vibram quando alguém tem uma atitude nessa direção e procuram envolver e inspirar os demais a fazer o mesmo. É um grande jogador do jogo empresarial.
O interesse dos profissionais pelas empresas é diretamente proporcional à capacidade dos líderes de explicar como elas funcionam de um modo semelhante aos jogos: propósitos, objetivos, regras, fundamentos, jogadas, pelo que se torce, celebração a cada ponto marcado e pela vitória ao final de um período. A maioria dos líderes está muito longe disso, e eles já tentaram de tudo para criar um ambiente com um mínimo de motivação. Não está na hora de mexer na pessoa que aparece no espelho? Vamos em frente!
Não é incomum vermos profissionais que não conseguem galgar postos maiores por motivos comportamentais
Conheci um gerente que se questionava, já próximo aos 40 anos, por que não conseguia chegar ao cargo de diretor. Afinal, era considerado competente, sincero, falava o que pensava e, como conseqüência, todos gostavam dele. Inclusive os diretores. Entretanto, para ele era um mistério observar que até mesmo antigos subordinados seus já haviam chegado à diretoria e ele não. Livros, workshops sobre liderança, cursos... Parecia que nada o havia feito aprender o que precisava para ser promovido. Um desafio angustiante e obscuro.
Não é incomum vermos profissionais que não conseguem galgar postos maiores por motivos comportamentais. Principalmente, por sua forma de se expressar e a incapacidade de dominar suas emoções. Quando criança, um indivíduo não tem consciência de como se expressa e o quanto isso interfere na sua vida. Entretanto, como adulto, terá muitos problemas na carreira e na vida pessoal se tiver um desejo incontrolável de ser "ele mesmo" e dizer o que pensa de qualquer modo.
O mundo não é desenhado para compreender e aceitar qualquer comportamento ou expressão de uma pessoa, mas feito por regras que, quando quebradas, geram consequências. Elas existem para se permitir o convívio, não para inibi-lo. Entretanto, nem todas são escritas ou faladas diretamente. O profissional maduro deve ser capaz de observá-las – e muitas delas estão nas entrelinhas. Uma pessoa imatura jamais saberá interpretá-las. Ela irá querer clareza em um mundo que é complexo por natureza: o mundo das relações humanas. E as empresas são feitas de seres humanos.
Portanto, é prudente refletir sobre a seguinte questão: você tem tanta necessidade assim de ser você mesmo? Qual o valor de ser você mesmo se, ao fazê-lo, não produz a vida que deseja? Na natureza, os indivíduos que sobrevivem são os mais adaptáveis de sua espécie. E a vida adulta requer adaptação. O profissional que deseja transpor postos maiores deve saber se expressar. Entender o que falar e o que não falar. Saber o momento e a forma apropriada de transmitir uma mensagem. A maturidade requer responsabilidade e temos falta de pessoas que queiram, de fato, subir, se responsabilizar por outras e pelos resultados. Afinal, ser líder não pode ser visto como um esquema para se ganhar mais dinheiro e status.
Entretanto, para aqueles que desejam chegar lá, o desafio é saber ler a cultura da empresa em que trabalham, principalmente nas entrelinhas, e quais comportamentos são incentivados por mensagens faladas e "não faladas", especialmente pelos líderes da empresa. Assim, se o gerente mencionado no início desta reflexão deseja de fato ser um diretor, deve pensar em se vestir, falar e se comportar como um desde já. O bom ator interpreta um personagem com maestria, usa suas emoções a serviço desse papel, que de forma relevante auxilia a contar a história da peça ou do filme. A pessoa deve pensar sobre qual cargo deseja e interpretar bem a função que o levará a alcançar sua escolha. Não há nenhuma regra que estabeleça que alguém somente pode falar, se vestir e se comportar como um diretor quando for um. Ela pode começar a praticar desde já.
Assim como os bons atores estudam seus papéis, treinam e possuem coaches para se aprimorarem, o bom profissional deve fazer o mesmo. Não adianta possuir um intelecto privilegiado, se não for capaz de dominar suas emoções, suas falas e seu comportamento. Ao exercitar esse domínio e ter consciência da vida que deseja ele terá mais condições de se adaptar à cultura da empresa, se desenvolver e ser percebido como um candidato a cargos mais elevados. Afinal, a seguinte orientação, apesar de antiga, vale com muita propriedade para os dias atuais: envelhecer é obrigatório, mas maturidade é opcional. Vamos em frente!
Resumo: Sucesso profissional com qualidade de vida é um desafio que somente pode ser endereçado se a pessoa se interessar em responder à seguinte pergunta: qual o propósito de sua vida? Dois fatores são os principais responsáveis pela baixa qualidade de vida: falta de educação financeira e de domínio emocional. Se se interessar pelos tópicos que a permitem lidar com a complexidade da vida, com o passar dos anos a pessoa terá mais chance de obter a qualidade que tanto deseja.
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No filme Jerry Maguire, o personagem de Cuba Gooding Jr. é um jogador de futebol americano que deseja mais do que o sucesso, quer o "kwan". Quando perguntado o que significa "kwan", ele responde que é o pacote completo: dinheiro, sucesso, qualidade de vida, enfim, muitos podem ter dinheiro, mas podem não ter o "kwan", finaliza.
Essa é a pergunta que mais ouço nos processos de coaching. Como ter qualidade de vida? Como equilibrar a vida pessoal com o trabalho? Embora a pergunta pareça fazer sentido, na verdade não tem uma resposta única para todos. Primeiro, porque sucesso profissional significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Segundo, porque cada indivíduo vive um contexto específico que deve ser considerado para se obter essa resposta.
A pergunta-chave
Para se chegar a uma ação ou a um plano de ações, a pergunta a ser respondida é: “Qual o propósito de sua vida?”. Sem essa resposta, é difícil encontrar energia para fazer o que é necessário para ter sucesso e equilíbrio.
A sugestão para criar um propósito para sua vida é que a pessoa se interesse em se autodesenvolver e alcançar um nível elevado de maturidade. A vida se parece muito com um veículo que adquire complexidade com os anos. Aos 20, se parece com uma moto; aos 30, com um carro. Mas, ao chegar aos 40, transforma-se em um avião de grande complexidade. Não adianta querer pilotar um avião, tendo a compreensão de instrumentos para dirigir um carro. O avião cai.
A dificuldade para obter equilíbrio na vida é que o indivíduo tem, com o passar do tempo, de adquirir cada vez mais conhecimento sobre cada vez mais áreas de sua existência.
Os principais vilões: falta de conhecimento financeiro e de domínio emocional
Pela natureza do meu trabalho, vejo com clareza decisões de pessoas com 30 anos que impactarão suas vidas aos 40 e 50 anos. E vejo executivos nessa idade que se lamentam de suas decisões impensadas do passado. Embora considere que tudo pode ser visto como um aprendizado para a maturidade, certas escolhas carecem de racionalidade e domínio emocional, que são os principais responsáveis pelo desequilíbrio na vida das pessoas.
Dinheiro, sempre ele
O primeiro assunto que observo que as pessoas evitam ao máximo é o conhecimento relevante sobre investimentos. Nossas escolas ensinam muito bem os indivíduos a ser empregados, mas falham de forma decisiva em oferecer informação de como lidar com o dinheiro e gerar fontes de renda passiva, isto é, utilizando-se de habilidades de investidor. Considero esse o fator isolado mais importante para o desequilíbrio e baixa qualidade de vida. Pois, quanto mais se aproxima dos 40 anos, a liberdade da maioria diminui devido às questões financeiras. E isso ocorre mesmo para profissionais bem-sucedidos, mas cujo padrão de vida é muito alto e mantido por salário. O problema é que a renda salarial, além de ser a mais tributada de todas, é também a mais arriscada. Afinal, o salário só possui dois níveis: 100% ou zero.
Entretanto, embora um indivíduo observe com clareza que deve se dedicar por décadas para ser um mestre na sua profissão, tem a ilusão de que pode se tornar um investidor por meio de dicas sobre investimentos. Como não sabe o que é um investimento, em geral pega essas dicas com profissionais que se identificam como consultores, mas que na sua maioria são vendedores de produtos financeiros. É como perguntar a um barbeiro se ele acha que você precisa cortar o cabelo.
Aprender sobre investimentos requer tempo e dedicação, e não há um ponto de chegada, mas um aprendizado contínuo e útil por toda a vida. Sugiro começar com livros a respeito, exercitar muito e então fazer os investimentos que lhe sejam favoráveis e de acordo com seu estilo e interesse.
Informação relevante: um investidor deve conhecer sobre o mercado financeiro, metais preciosos, setor imobiliário e negócios. E entender as implicações em sua vida das dívidas, aposentadoria, tributos, inflação e juros. Em algum instante, será um ou mais desses fatores que serão responsáveis em grande parte por sua baixa qualidade de vida. O mundo e as pessoas estariam em melhores condições se fossem alfabetizados financeiramente.
O desafiador domínio emocional
O segundo fator, domínio emocional, é o que faz com que a pessoa possa ter qualidade de vida mesmo em momentos que lhe são extremamente desfavoráveis. Manter a paz e a serenidade quando tudo vai bem não requer nenhum desenvolvimento. Mas, quando a vida acontece de forma muito desfavorável, violenta ou injusta, nesses momentos é que é preciso desenvolvimento humano para suportá-los e sair deles sadio física, mental e psicologicamente.
Para se desenvolver e ter condições de enfrentar esses dificílimos momentos, o propósito maior deve ser, ao passar por eles, se aprimorar. Não há sentido em vivenciar experiências dolorosas; é a própria pessoa que deve ser capaz de lhes dar significado. Em meu trabalho, já vi seres humanos passarem por coisas indescritíveis, inomináveis, mas ainda assim seguirem suas vidas com uma inspiração inacreditável.
O indivíduo deve se interessar por temas como preparo psicológico, maturidade espiritual, transcendência, a vida como um processo de aventura, no qual o herói é a própria pessoa em sua jornada de transformação, enfim, temas que somente podem ser vivenciados. São eles que auxiliam a pessoa a evoluir, lidar com a complexidade da vida e amadurecer, de forma a criar um propósito maior que ilumine suas ações, suas palavras e, por fim, tragam o equilíbrio que tanto deseja. Pensar nas horas de trabalho é importante; nas horas dedicadas à família, também é importante, mas inspirar-se por sua própria existência é onde está o equilíbrio que a pessoa tanto almeja.
Por fim, a supervalorização das emoções na cultura brasileira causa mais transtornos que benefícios às pessoas. Casais que falam alto entre si. Líderes que gritam com seus subordinados. Colegas de trabalho que se dirigem uns aos outros aos palavrões de forma dura. Pessoas que se fecham diante dos desafios da vida. Enfim, as emoções podem ser grandes aliadas na busca por uma vida sadia, mas, sem domínio e nas doses exageradas, são motivos de deterioração da experiência de vida. Nesse sentido, uma orientação é que a qualidade de vida no trabalho é diretamente proporcional à qualidade dos diálogos. Respeito e consideração entre as pessoas nesse ambiente fariam grande diferença. Principalmente se os líderes fossem conscientes de que suas palavras e seus comportamentos afetam a todos. Vamos em frente!
A dica é mirar no padrão de vida que deseja ter e quais atividades e pessoas considera importante para sua realização profissional
Ao fechar setembro a maioria das grandes empresas já terá concluído seu plano para 2012. E você, com relação à sua carreira, como está o planejamento para o próximo ano?
Em geral as pessoas iniciam sua vida profissional de acordo com as oportunidades que aparecem. Se no princípio, de fato, essa é a ação mais relevante, a partir da segunda etapa da carreira, que consiste em se viabilizar financeiramente, é importante que o indivíduo comece a pensar em dois grupos de fatores fundamentais:
Qual o padrão de vida que deseja ter e quais atividades, pessoas e ambientes considera importante para sua realização profissional.
Com relação ao padrão de vida a pessoa deve refletir sobre tudo que gostaria de ter. Qual casa gostaria de morar? Carro? Quantas viagens por ano e com qual frequência? Deseja se casar? Ter filhos? Quantos? Enfim, a vida que deseja em todos os detalhes possui um custo anual associado. O indivíduo deve calculá-lo. Esse planejamento é fundamental, pois pode acontecer de estar em uma carreira técnica - por exemplo, de engenheiro metalúrgico - e o padrão de vida que deseja somente ser possível se ele se tornar diretor ou proprietário de empresa. Portanto, se isso é necessário, deve começar a pensar desde já a adquirir competências de gestão e liderança, ou de empreendedorismo.
Entretanto, mesmo que o indivíduo consiga o padrão que almeja, se isso lhe roubar a saúde , de nada terá valido a pena. Sendo assim, além de conhecer a vida desejada em termos materiais, deve se preocupar com o segundo grupo de fatores. Isso inclui quais atividades diárias, pessoas e que tipo de ambiente gostaria de frequentar que lhe deem energia em vez de roubá-la. Há pessoas que, devido à sua rotina profissional, chegam a um nível de estresse tão elevado que ao longo do tempo terminam com síndrome do pânico, depressão, doenças ou um esgotamento físico e mental.
Portanto, ao pensar sobre 2012, é importante visualizar os ciclos da vida profissional que virão e como pretende preenchê-los. Comece com o ano que vem, mas pense no futuro, especialmente na imagem, na cena que representa a vida que você deseja ter.
Até ao redor dos 35 anos é comum a carreira ser desenvolvida conforme as oportunidades vão surgindo. Entretanto, o quanto antes a pessoa adquirir consciência sobre aonde cada oportunidade a leva e comparar com a vida que deseja, tanto melhor. É desse modo que evitará problemas de chegar no futuro a um padrão de vida que lhe impede grandes mudanças profissionais. E se isso acontecer e ao mesmo tempo estiver infeliz com as atividades, pessoas e ambientes que fazem parte de sua rotina profissional, estará diante de uma grande adversidade. Há saídas, mas levam muito tempo e gastam muita energia.
Portanto, ao ver sua carreira do mesmo modo que as empresas veem seus investimentos, é prudente ao profissional começar a pensar desde já em seus planos para 2012. Alinhá-los com os padrões de vida e de realização que deseja e acompanhar de perto cada dia para ver se está na direção apropriada. Vamos planejar! Vamos em frente!
Digam a todos que vivi na era de grandes conquistas na eletrônica. Digam a todos que vivi na era de Steve Jobs.
Ainda recordo o motivo que me levou a estudar tecnologia e computação como minha primeira carreira: um robô. Eu o vi quando ainda era criança e suas formas estão para sempre guardadas em minhas lembranças. Estudar eletrônica, física e, posteriormente, análise de sistemas me fez construir, na década de 80, computadores. A reserva de mercado me favoreceu e fui capaz de conhecer Assembly (uma linguagem de programação) e desenvolver-me como programador e projetista de hardware. Mas, apesar de anteriormente ter aprendido a linguagem Basic em um Apple, era inimigo de Steve Jobs. A Apple, na época, usava processadores Motorola, e eu estava na outra trincheira, desenvolvendo computadores com chips da Intel. Como era difícil competir com a Apple! Fazíamos máquinas compatíveis com o IBM PC e conhecíamos em detalhes seus esquemas eletrônicos. Os computadores da Apple, porém, eram diferentes. Mais elegantes e fáceis de usar, tinham algo inexplicável para nós, nerds da época, focados em minúcias técnicas e no uso do computador por pessoas de tecnologia.
O lançamento do Macintosh foi como se um tsunâmi tivesse varrido uma praia povoada. De uma vez só, a Apple havia colocado toda uma geração de computadores na mediocridade. Bill Gates teve de sair correndo pela Microsoft para refazer a cara do DOS, para torná-lo mais amigável. Tradução: copiar o visual do sistema da Apple. Nós do hardware suávamos para fazer as placas de vídeo mais rápidas, para que os caracteres, em vez de simples, toscos e monocromáticos, se tornassem uma tela com vida para imagens e filmes. Uma loucura. A arquitetura Intel da época era o pesadelo da programação. Hoje é o coração da Apple – quanto tempo passou!
Na verdade, a diferença da Apple é sua alma. A alma de Steve Jobs. Um líder deve ter muitas qualidades: delegar, saber ouvir, dar feedbacks, mas, para mim, a mais relevante de todas é a capacidade de ser inspirador. A inspiração é a verdadeira energia do ser humano. Nada substitui pessoas inspiradas dispostas a fazer algo. Se Steve Jobs possuía muitos defeitos – todos nós os temos –, ele possibilitou a muitos sentir e vivenciar a enorme inspiração que suas ideias nos trouxeram. A materialização delas em produtos e serviços tornou nosso mundo e nossa era muito mais interessantes. E ter o enorme privilégio de viver em um período interessante é uma sorte em vida. Digam a todos que vivi na era de grandes conquistas na eletrônica, na computação e no princípio da história dos computadores que se aproximam das pessoas. Digam a todos que vivi na era de Steve Jobs. Vamos em frente!
Por que há pessoas que não se dedicam ao que fazem?
Quando penso em pessoas como a juíza Patrícia Acioli e, no passado, Sérgio Vieira de Mello, o que me vem não é o fim trágico que tiveram ao realizar suas profissões, mas, por que há pessoas que não se dedicam ao que fazem do mesmo modo que eles?
Aquilo pelo que você morreria deveria ser aquilo pelo que você viveria.
Muitas pessoas, em função da carreira que escolheram, mudariam o mundo se estivessem dispostas a tudo por sua profissão. Isto é, a pagar o preço por aquilo que os inspiram e em que acreditam. Penso que todos temos essa capacidade, se assumirmos nossas responsabilidades com esse nível de comprometimento perante os demais.
A maioria começa o dia sem inspiração, vai ao trabalho para ganhar dinheiro e termina o dia, e por vezes a carreira, de forma miserável, infeliz e sem a sensação de que viveu de verdade. Imagina que a vida deve estar em outro lugar, mas não no trabalho, onde passa oito, dez, por vezes treze horas diárias. Sem contar o tempo de deslocamento. Qual é o seu propósito?
A vida é nosso bem mais precioso, mas uma vida sem propósito é praticamente uma morte em vida. Quando alguém como Patrícia morre é como se a inspiração se levantasse e tocasse a todos nós: alguém que sozinha lutava para proteger pessoas, ainda que sem exércitos ou armas. Alguém que se interessava por melhorar o mundo a partir de onde estava, com as ferramentas que possuia e agora, não depois.
Nosso futuro fica sombrio a cada Patrícia que desaparece, mas ao mesmo tempo se ilumina quando nos damos conta de que ela pode viver em nós, como nosso propósito e nossas palavras.
Faça sua vida profissional valer a pena e será uma homenagem a tantos que fizeram o mesmo, que transcenderam sua profissão por tê-la colocado a serviço dos demais.
Tão importante quanto desejar chegar ao topo de sua carreira é saber o propósito pelo qual deseja fazê-lo. Que ele seja o mais elevado possível.
Bons líderes são aqueles que se comprometem com o desenvolvimento de seus funcionários e da localidade onde estão inseridos
Uma pessoa deve ser capaz de reconhecer e aprimorar suas competências, dons e talentos. Afinal, cada um de nós nasce com um conjunto específico de forças que, se encontrar o ambiente e os catalisadores apropriados, leva o indivíduo a uma carreira de muito sucesso.
O bom profissional, portanto, deve identificar e desenvolver seus talentos, mas há uma ação fundamental para que seja bem-sucedido: deve colocá-los a serviço de empresas que possuam maiores chances de ser vitoriosas em seus mercados. Muitas pessoas desperdiçam suas aptidões em empresas comandadas por líderes tacanhos, toscos e com pouca visão de futuro. Alguns gestores empresariais tratam suas empresas apenas como uma fonte de renda para si e se esquecem de se comprometer com o desenvolvimento de seus funcionários, líderes e da localidade onde sua companhia encontra-se. Nessas empresas, em geral, sua carreira se desenvolve lentamente e fica estagnada após um tempo, ou após atingir um determinado nível hierárquico.
Por outro lado, há empreendedores que pensam nas questões do mundo. Eles desenvolvem ambientes inovadores, criam produtos e serviços, ou aprimoram os já existentes para que atendam a um número maior de pessoas. Esses empreendedores são fundamentais para a economia. Eles se esforçam para reinventar o próprio negócio e, em momentos de crise, possuem projetos e ideias que geram renda a muitas pessoas. E uma delas pode ser você.
Haverá um futuro sem Steve Jobs, mas o futuro não será o mesmo sem ele. Algumas pessoas relatam que Jobs era um empreendedor duro, principalmente com fornecedores e funcionários próximos. Entretanto, é inegável a capacidade dele e seu time de aprimorar produtos e fazê-los extremamente úteis e fáceis de manusear pelas pessoas. Para você e sua carreira é importante observar quantas oportunidades são geradas por alguém como Jobs. Por exemplo, quando a Apple lança um produto, em geral o faz com o preço na faixa mais elevada do mercado. Isso permite que a concorrência se posicione logo abaixo, mas ainda com margens saudáveis. E trabalhar para empresas financeiramente saudáveis é importante para sua carreira deslanchar, pois são elas que possuem condições para crescer.
Mas, não é só isso. Enquanto todos falam da crise nos mercados mundiais e principalmente nos Estados Unidos, há um setor que vai muito bem: o de infraestrutura para transmissão de dados via telefonia celular. Isso acontece porque os tablets, cujo volume de vendas foi impulsionado por Jobs e seu iPad, sobrecarregam a rede de dados, exigindo investimentos para ampliação de sua capacidade. Portanto, por meio de um único produto ele criou inúmeras oportunidades diretas e indiretas. Isso ocorrerá no Brasil também. Além disso, a publicidade nesses equipamentos abre uma frente diferenciada para agências de comunicação. E não para por aí: editoras estão revendo suas estratégias, pois o futuro de seus mercados modificou-se completamente a partir desses produtos. As escolas também estão reinventando a forma de apresentação do conteúdo de matérias por meio do tablets.
São esses empreendedores que você deve encontrar para sua carreira deslanchar. Eles são catalisadores de seu potencial. Ou seja, permitem que ele seja utilizado plenamente e que você seja desafiado a desenvolver-se cada vez mais.
Entretanto, não tenha ilusões: são pessoas exigentes, com personalidade difícil e cuja realidade de se trabalhar com eles somente é conhecida por aqueles que já o fizeram - por vezes muito dura. A propósito, um alerta: sempre avalie com rigor líderes que se apresentam com discursos muito envolventes diante do público, pois podem esconder um comportamento difícil nos bastidores da empresa, especialmente nas reuniões internas. Mas, ainda assim, empreendedores com visão e capacidade de atuação global potencializam muito o sucesso dos indivíduos que souberem como desenvolver-se em suas empresas. Em geral, são companhias muito saudáveis financeiramente e com imensas possibilidades de crescimento para inúmeras carreiras.
Uma forma trágica e autodestrutiva de fracasso, mesmo em companhias bem-sucedidas
"Autoridades londrinas anunciaram que a cantora Amy Winehouse foi encontrada por paramédicos morta em sua casa nesse triste sábado, 23 de julho de 2011."
Fiquei pensando se, em algum momento, a vimos viva de verdade. Sua chocante trajetória de autodestruição contrasta com a voz talentosa e admirada por muitos. Mesmo com todo o sucesso, em outubro de 2006, declarou que, quanto mais insegura estava, mais bebia. É duro observar o quanto o sucesso, da forma como a maioria o imagina, não traz felicidade, não torna ninguém mais seguro e não é capaz de resolver problemas da existência humana a que todos estão submetidos. Não importa quanto dinheiro ou reconhecimento a pessoa tenha, as questões mais profundas de sua existência não podem ser resolvidas por essa esfera.
É evidente que o ser humano adulto deve ser capaz de se autossustentar e ser financeiramente viável. Mas acreditar que sucesso, fama e dinheiro resolvem todos os problemas é uma ilusão terrivelmente perigosa. A questão é que, mesmo para ser bem-sucedido, o indivíduo deve estar preparado como ser humano maduro.
Nossa experiência de vida é um processo desafiador entre nosso mundo interior e a realidade exterior – aquela que compartilhamos com os demais.
Não importa o quanto nos digam que somos talentosos, bons ou bem-sucedidos.
Se, em nosso interior, nos sentirmos pequenos, inseguros ou fracassados e dermos mais atenção e dedicação a essas sensações, nem todo o sucesso do mundo, o amor ou a admiração de outras pessoas poderão nos salvar de uma vida e de um fim trágicos.
Querer se livrar dessas sensações por meio da bebida, da droga ou mesmo da fuga do convívio sadio com outras pessoas é um caminho para a autodestruição. O herói não é essa figura indestrutível e cheia de poderes que vemos nos filmes. Tampouco os dragões e feras aladas são os inimigos destruidores que temos de enfrentar. O verdadeiro percurso do herói é aquele no qual a pessoa é colocada à prova de sua própria vida, exatamente como ela é, e nesse trajeto enfrenta suas emoções, angústias, medos e frustrações.
Ela o faz de uma forma tão profunda, que sente que não irá sobreviver, mas ao fazê-lo consegue vivenciar duas experiências fundamentais para a maturidade: ser capaz de sobreviver a suas emoções, especialmente aquelas mais tenebrosas, e sentir-se parte de algo maior chamado humanidade.
Ao percurso do herói, damos o nome de aventura, e a vida é a mais extraordinária de todas e a mais perigosa. Se, ao longo do processo, o indivíduo não aprender a dominar o irracional dentro de si, por mais que faça e por mais elevado que seja seu sucesso, se autodestruirá.
No mundo das celebridades, vemos isso a todo instante e ao longo da história. Não há necessidade de citarmos exemplos, cada um tem o seu na memória.
No mundo empresarial, ocorre o mesmo. É verdade que subir em busca dos cargos cada vez maiores e bem remunerados é uma meta fixa na cabeça de muitos. O mais rápido possível. Entretanto, poucos são capazes de se responsabilizar por seu autodesenvolvimento, especialmente por suas emoções e o domínio do irracional que habita seu interior. A tecnologia não substituiu a experiência de vida. Cada indivíduo, se quiser chegar à fase adulta sadio e capaz de produzir a vida que deseja, terá de aprender a lidar com ambos. Isso não significa distrair-se com drogas, remédios ou bebidas.
Mas ser capaz de aceitar as frustrações da vida, as perdas, saber esperar, reconhecer a necessidade de preparo e que a maturidade é um processo que não pode ser apressado. Em alguns momentos se parece com o elevador: apertar repetidamente o botão de chamada não o fará chegar mais rápido.
Não existe uma fórmula que faça a pessoa amadurecer, mas, ao se submeter a certas vivências, gera as condições para que isso ocorra de forma sadia. Por exemplo: adquirir cada vez mais conhecimento, tanto dentro quanto fora do meio acadêmico, preparar-se psicologicamente, fazer um sabático, submeter-se a uma aventura ou a um processo que lide com a maturidade espiritual, especialmente com a finitude sua e das pessoas que ama. Ler a respeito não é o suficiente. Somente a vivência gera os resultados esperados.
Gerentes e diretores imaturos, independentemente de suas idades, causam a seus liderados experiências empobrecedoras. Diga-se de passagem, jogam pela janela qualquer esforço dos departamentos de recursos humanos em reter talentos. Mas, acima de tudo, possuem uma vida inacreditavelmente infeliz: destruídos na vida pessoal, angustiados com a própria existência, colocam toda a energia em sua carreira, maltratam outras pessoas, ignoram sua responsabilidade com a própria vida e como afetam os demais. Uma tristeza mesmo em empresas bem-sucedidas. Uma forma trágica e autodestrutiva de fracasso.
Geração Y encontra um ambiente empresarial despreparado para suas características e expectativas
"Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus." – Sócrates (470 – 399 a.C.)
Não deixa de ser um desafio refletirmos sobre a geração Y. Afinal, apesar do nome "geração", não é disso que se trata, mas sim de um grupo de indivíduos que se identifica desse modo.
Como geração, não existe. Isso porque estudos científicos mostram que o que conecta uma geração de pessoas são os fatos que vivenciaram, e não o período em que nasceram. Assim, pode-se dizer que há pessoas que, independentemente de suas idades, se conectam por eventos, como a era Senna, a queda das torres gêmeas e, mais recentemente, a caçada e morte de Bin Laden.
Cientificamente, portanto, não há nada que comprove a existência de uma geração específica a partir de meados dos anos 70 – até mesmo a definição de geração Y é bastante imprecisa: alguns consideram as pessoas nascidas a partir de 1975 (quando foi lançado o Altair 8800 – primeiro microcomputador comercial do mundo), mas outros dizem que são as pessoas do início da década de 80 e que vivem superconectadas a tudo, via tecnologia.
O termo apareceu pela primeira vez em 1993, no editorial da revista Advertising Age, para descrever os adolescentes da época e diferenciá-los da geração X – que foi sua predecessora. Desde então, a publicação assim se refere aos nascidos a partir de 1981 ou 1982.
Portanto, é uma definição mais apropriada para gestores que precisam tomar decisões mercadológicas do que de liderança. Entretanto, o comportamento observado naqueles que se identificam como geração Y de fato encontra um ambiente empresarial despreparado para suas características e expectativas.
Em primeiro lugar, são pessoas muito ligadas à tecnologia. Mas a utilizam sem pensar em termos de adequação empresarial, ou se estão sendo apropriadas para sua carreira. Quando chegam às empresas, se surpreendem ao encontrar um ambiente que limita, controla o seu uso e, acima de tudo, que não adota inovações com velocidade. Se no passado havia gestores que relutavam em usar e-mails, hoje é comum encontrar aqueles que não se interessam por redes sociais, por exemplo. Muitas empresas bloqueiam arquivos com áudio, pois podem conter vírus. O resultado é que, nas organizações, as pessoas trabalham muito, quando quem deveria trabalhar mais é a tecnologia. E a geração Y sabe usá-la bem e se frustra ao ver como é pouco utilizada, controlada e restringida dentro da corporação.
Apesar dessa conexão tecnológica, esses jovens não são conectados à empresa em que trabalham. Na realidade, esses profissionais encontram um ambiente econômico, específico no Brasil, de muitas ofertas de trabalho. Com certeza, a geração Y na Espanha tem um apreço muito maior ao emprego – aliás, lá, a pessoa de qualquer geração se agarra ao emprego que conseguir.
Querem crescer rápido, e, se a organização não é veloz ao oferecer um caminho para o topo, se desmotivam e buscam alternativas. Além disso, precisam de feedbacks constantes que indiquem que estão na direção certa. O problema é que os líderes nas empresas não são preparados para dar feedbacks. Em geral, um indivíduo na organização irá desenvolver-se sem nenhum feedback de seu superior. Para a geração Y, essa atitude representa falta de orientação, interação e é muito desmotivadora.
São indivíduos que querem se expressar e colaborar. Uma pessoa que está acostumada a ver somente televisão tem uma postura passiva ao ser informada de fatos e ideias. Alguém da geração Y recebe e compartilha ideias e fatos pela interação. Entretanto, quando chega às empresas, encontra burocracias, normas, hierarquias e limites à sua expressão – alguns apropriados, outros sem sentido. Isso tudo é um aprendizado doloroso e, por vezes, impossível para alguns indivíduos.
Essas são apenas quatro características dos que se rotulam da geração Y.
Na realidade, sempre houve pessoas com apreço pela tecnologia, rápidas, com baixa tolerância à frustração, sem interesse por imposições hierárquicas em momentos desnecessários, colaborativas, divertidas e que desejavam se expressar. Ocorre que, no contexto atual, reter indivíduos nas organizações está muito mais complexo.
As empresas, em geral, possuem velocidade, adaptação, criatividade e inovação quando precisam conquistar mercados, clientes ou se defender de um competidor agressivo. Entretanto, são anacrônicas quando o assunto é gestão de pessoas. Seus líderes maiores não se atualizam, pararam no tempo em termos de uso de tecnologias e, principalmente, no aprimoramento de suas habilidades para gerir pessoas. Não é de surpreender que tenham dificuldades em lidar com as novas gerações.
Não importa o nome que alguém dê a grupos de indivíduos: são seres humanos complexos e indefiníveis. Os gestores deveriam conversar mais com as pessoas, como indivíduos únicos, conhecer suas características, saber combiná-las e gerar sinergia para que a estratégia da empresa funcione.
Assim como hoje as companhias procuram enxergar os indivíduos na multidão, os gestores deveriam fazer o mesmo com seus liderados. Sentir-se único não é interessante apenas como consumidor, mas também como funcionário. E, se desejar isso significa ser da geração Y, que assim seja.
Dicas para educar-se financeiramente e direcionar sua carreira para o sucesso
Uma pessoa deve tratar sua carreira profissional como parte de seus investimentos e saber que não há investimentos arriscados, mas sim investidores arriscados. Aqueles que não se alfabetizam financeiramente estão sempre se surpreendendo com fatos que, de repente, afetam sua carreira de forma dramática: países em crise, fusões, colapsos financeiros, variações cambiais e outros eventos do quotidiano econômico.
Em economia tudo se movimenta ao mesmo tempo e a pessoa sucumbirá diante de sua complexidade se adotar 4 comportamentos de risco:
1) Fechar os olhos às questões econômicas: pois ao fazê-lo, diminui o medo dos perigos à sua frente e continua sua vida profissional como se nada estivesse por vir. Como resultado, vive a maior parte do tempo tranquila mas, quando um fato a atinge, está tão despreparada que o resultado em geral é o colapso de sua vida como um todo e não apenas da esfera financeira.
2) Não saber para onde olhar: recebe as informações por todos os meios, mas não sabe qual indicador é o mais relevante em um dado instante. Assim, está sempre um ou dois passos atrás do que seria mais seguro para sua carreira e investimentos. Exemplo típico são aqueles que pensam que investem em ações, mas o fazem nos momentos menos favoráveis e sem nenhum conhecimento, seguro ou proteção contra perdas. Literalmente doam seu dinheiro, ganho com tanto esforço, para os profissionais do mercado de capitais.
3) Focalizar somente em um indicador: imagine se o comandante de um avião decidisse pilotá-lo olhando só para o altímetro e o marcador de combustível.
Pois alguns indivíduos olham para a complexidade da economia, decidem por um par de indicadores a acompanhar e acham que sabem tudo que precisam para sua carreira e vida econômica. Deste modo, olham para a inflação quando deveriam se preocupar com a oferta de dinheiro. Focalizam os juros dos títulos do governo e se esquecem da tributação sobre este tipo de investimento. E assim por diante. Sem preocupar-se com o panorama completo, sua carreira e seus investimentos estão sempre patinando, ou não fazem o menor sentido.
4) Não saber ler os indicadores: regularmente os telejornais, internet e todas as midias informam a taxa de câmbio, inflação, juros, déficit público, leis de incentivo tributário e demais notícias econômicas sobre o Brasil e o mundo. Mas, a maioria não tem ideia do que fazer com todas essas informações. Assim, arriscam suas carreiras em empresas que atuam em mercados pouco lucrativos, sem benefício tributário ou com concorrência acirrada, por exemplo.
Uma pessoa investe no mínimo 10 anos para tornar-se mestre em sua profissão. Uns 20 anos para ser capaz de formar outros profissionais, mas quando o assunto é investimento, quer dicas e orientações em poucos instantes, pois está muito ocupada. Considera o mercado financeiro complexo e arriscado demais e por isso não faz a lição de casa: se educar financeiramente, treinar e aprender a investir.
O resultado é que não sabe como proteger seu dinheiro. Cria despesas demais e compra passivos como carros, casas e outros bens que tiram dinheiro de seu bolso regularmente em bases mensais. Quando perde o emprego fica em sérios problemas. Isso quando não pode mudar de profissão ou empresa, pois está com um padrão de vida muito alto e, por mais desgastada que esteja com sua carreira ou emprego, a mudança é quase impossível e muito arriscada.
Ao refletir sobre o momento atual do mundo econômico e como ele afeta a carreira das pessoas, observamos que a situação dos Estados Unidos está piorando, não importa o que seu governo faça. O problema é que, quando o país responsável pela oferta da principal moeda no mundo começa a imprimir dinheiro excessivamente e sem lastro - ou melhor, lastreado em dívidas - desorganiza a economia de tal forma que nem o mais habilidoso economista é capaz de prever os acontecimentos. Mesmo com essa dificuldade é possível saber quais condições vão ocorrer e que afetam sua vida e sua carreira.
Sugiro focalizar dois importantes fatores para suas decisões:
Em primeiro lugar a inflação será generalizada pelo mundo, portanto, cuidado com sua poupança e prepare-se para custos maiores em comida, energia e contratos atrelados a índices inflacionários, como aluguéis, por exemplo.
Segundo, embora se fale muito de Grécia e Espanha nesse momento, em novembro de 2011 as condições que dispararam a crise de 2008 serão revisitadas - especialmente no mercado americano de hipotecas. Imagine que uma pessoa possua uma casa que desvalorizou-se para US$ 140 mil, mas, em novembro, devido ao reajuste da prestação da hipoteca, pagará o equivalente a US$ 200 mil.
Muitos devolverão suas casas e isso afetará novamente a economia de forma dramática. E não será um teste de estresse, mas de realidade. Isso pode representar um forte freio na economia, ou uma marcha a ré. Portanto, se você pretende fazer alguma mudança em sua carreira reflita se ao chegar em novembro estará consolidado na nova posição. Se a resposta for negativa, é prudente aguardar.
Prepare-se para dias difíceis e sempre terá dias bons. A visão do futuro é algo complexo e embora não saibamos o que de fato ocorrerá, podemos visualizar as condições e levá-las em conta em nossas decisões de carreira e de vida. Não considere minha análise sem refletir, interesse-se por educar-se financeiramente e tire suas próprias conclusões. Elas que devem direcionar sua carreira. Vamos em frente!
Silvio Celestino é Consultor Organizacional e Senior Partner da Alliance Coaching
Dácio Campos, comentarista de tênis da SporTv, há uns 3 anos afirmava pausadamente e com muita ênfase: "Guardem esse nome: é Djo-ko-vic". Agora, ao ver Novak Djokovic ganhar de forma magistral o mais importante torneio de tênis do mundo, Wimbledon, materializa ali na partida final a relevância da competição como forma de desenvolvimento humano. Durante anos Djokovic jogou com Nadal e Federer e suas chances de vencê-los era reduzida. De forma consistente os padrões de jogo, físico e mental dele aprimoraram-se e agora é o atleta a ser batido nas quadras. Acrescente-se o fato de que compartilha o histórico momento em que vivem aquele que é considerado o maior tenista de todos os tempos, Federer; e um dos mais fortes atletas mentais da história, Nadal; seu feito ganha dimensões épicas.
Na raiz da competição estão a cooperação e a generosidade. Se você e eu competimos, então há o compromisso de que jogarei com você e darei o meu melhor e espero que você faça o mesmo. E ao darmos o nosso melhor, cooperamos para nos aprimorarmos. Generosidade porque não há vitória ou derrota eterna e enquanto nos dispusermos a jogar, estaremos sempre evoluindo. Como Federer, Nadal e agora Djokovic nesses anos fantásticos que vivemos no tênis.
Essa é a competição sadia. Aquela que desenvolve pessoas.
Entretanto, quando olhamos nas empresas, é evidente que os profissionais temem a competição dentro delas. O estresse, as injustiças, as deslealdades e ausência de regras degeneram a competição para ações destrutivas e por vezes auto-destruidoras das próprias pessoas e de suas carreiras profissionais.
Avaliando as razões, três são determinantes:
1) Favorecimento desleal: quantas vezes não vemos se abrirem oportunidades relevantes de projetos ou processos de contratação e muitos profissionais qualificados, inclusive de dentro da empresa, serem descartados por "não cumprirem as exigências do cargo". Logo depois se anuncia o vencedor: um amigo de longa data daquele que está contratando. Evidentemente, com toda a preparação esperada. Assim como em um jogo em que o favorecimento de um atleta desanima os demais, nas empresas, favorecimentos desanimam e tiram o desejo dos profissionais de se desenvolverem. Sou extremamente a favor de networking, marketing pessoal e habilidades política e de influência. Mas, desde que sejam usadas de forma limpa por profissionais que são reconhecidamente de excelência em tudo que fazem.
2) Líderes desonestos: chefes que não são claros quanto aos propósitos e objetivos da empresa, do departamento ou de uma determinada tarefa. Que não sabem esclarecer planos de ação e, principalmente, são incapazes de declarar seus critérios de decisão, criam um ambiente de desânimo, descrença e insegurança a todos. Bons líderes desenvolvem bons líderes, não bons seguidores. Um chefe arbitrário cria um senso de individualismo e auto-sobrevivência a todos que estão abaixo de si, preocupados mais em se manter empregados do que em se desenvolver e produzir cada vez mais resultados para a empresa e seus clientes.
3) Discurso e prática desconectados. Empresas que possuem valores, missão e visão escritos em uma placa na sua recepção, mas cujos líderes não conseguem transformá-los em ações práticas produzem como resultado uma rotina trágica de decepções e desmotivação. A cultura de uma empresa que não está expressa nos comportamentos de seus líderes, nos sistemas e nos símbolos dela é uma cultura moribunda. Assim, uma companhia diz que valoriza a satisfação dos clientes; mas seus profissionais são bonificados somente por vendas. Ou deseja a meritocracia, mas na verdade aceita que resultados sejam maquiados em processos e sistemas para que pessoas apareçam bem na foto da auditoria. E ainda existem aquelas que declaram que desejam que os profissionais se sintam responsáveis por suas ações, mas na verdade usam esse discurso para culpá-los por erros de natureza estratégica.
Não há como se criar um processo sadio de competição e desenvolvimento de talentos em empresas com esses graves equívocos.
Desenvolver pessoas, especialmente novos líderes, deve ser um propósito permanente em toda organização. Ela somente poderá existir daqui 5, 10 ou 20 anos se tiver líderes formados de forma consistente, com ética, valores e propósitos elevados. O mundo e as pessoas estariam em melhor situação se fossem desenvolvidos dessa forma. Muitos dos problemas que enfrentamos hoje na economia mundial, por exemplo, são resultados de líderes executivos sem caráter que preferiram a fraude à excelência. Optaram pelo resultado a qualquer custo e pela ausência de ética na condução de seus negócios. Não se formam boas pessoas em ambientes com esses fundamentos.
Vida longa a Djokovic, Nadal e Federer, que seus exemplos de competição sadia e ética sejam fomentados para preencher cada vez mais o propósito de prepararmos e formarmos pessoas e empresas campeãs. Vamos em frente!
É importante a reflexão de que a vida é muito maior que sua carreira.
Sua vida não é sua carreira profissional. Ainda me recordo do ano de 2001 quando conheci um gerente de sistemas que, ao receber a notícia de que seria demitido, teve um enfarte. Não conseguia se imaginar em outra empresa ou função após duas décadas de serviços na mesma companhia. Identificava-se fortemente com sua rotina e, na verdade, pensava na empresa 24h por dia. Felizmente recuperou-se, do enfarte e da mudança em sua carreira.
Apesar de ser frequente encontrarmos profissionais com esse comportamento, é importante que reflitam que sua vida é muito maior que sua carreira profissional.
É evidente que a pessoa adulta deve viabilizar-se financeiramente para que se sustente e adquira o patrimônio que deseja. Também é importante que desenvolva um propósito para si e o alinhe com o da organização em que trabalha. Na verdade, quanto maior a capacidade do indivíduo de ver sua trajetória profissional em ciclos, maior sua consciência para fazê-la produzir a vida que deseja. E não o contrário, ou seja, deixar de ter uma vida que considera relevante para adaptar-se à sua carreira. Quando o tempo mental do indivíduo se torna 100% dedicado à sua profissão, isso começa a causar as condições para o esgotamento, que pode ser de caráter físico, mental ou psicológico. Importante ressaltar que a pessoa não tem controle sobre todos os fatores que afetam sua carreira: uma crise internacional, um declínio de mercado, uma questão política dentro da empresa, enfim, há muitos elementos que podem fazer sua trajetória sucumbir e que não estão sob seu domínio. Quando uma grande mudança ocorre na carreira é que o indivíduo precisa de outras esferas de sua vida que lhe dêem apoio e serenidade para enfrentá-la.
Pela natureza de meu trabalho, observo o desenvolvimento de executivos nos diversos ciclos de sua vida profissional. Os momentos mais terríveis não são as mudanças bruscas ou os desafios que os fazem sucumbir momentaneamente. Mas, a colheita final. Isto é, gestores que ao passar dos 60 anos percebem que tudo que conquistaram está exclusivamente na esfera material: não possuem amigos, estão separados e, em alguns casos, nem mesmo os filhos os desejam por perto.
No decorrer de sua trajetória uma pessoa não deve confundir sua vida com sua carreira. Se por um lado ela é responsável por proporcionar os recursos financeiros e a realização, por outro ela não substitui as esferas familiares, espirituais e de maturidade emocional, entre outras.
É complexo e desafiador planejar e realizar uma carreira profissional. O caminho para o topo é difícil e muitos ficarão no meio do caminho. Entretanto, ao entendermos que ela é apenas uma de nossas dimensões, então dedicaremos tempo ao desenvolvimento de outras áreas de nossa vida que são fundamentais, inclusive, para nos apoiar no decorrer de nosso trabalho. E, para ser franco, muitos não chegam lá - não por falta de competência ou conhecimento em sua área de atuação, mas pelo peso que carregam ao tentar compensar na esfera profissional os fracassos em outras esferas de sua vida. Vamos em frente!