Facebook censura foto histórica da guerra do Vietnã

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, recebeu duras críticas nesta sexta-feira, 9, do Aftenposten, maior jornal da Noruega, por ter censurado uma fotografia histórica da guerra do Vietnã. Em uma carta aberta na primeira página da publicação, Espen Egil Hansen, editor-chefe e CEO do jornal, acusa Zuckerberg de "abusar de seu poder" e afirma que está com medo do que a rede social está "prestes a fazer com um dos pilares da sociedade democrática".

A polêmica surgiu quando o Facebook decidiu remover uma mensagem publicada pelo escritor norueguês Tom Egeland, que mostrava as sete fotos que mudaram a história da gueera, e era ilustrada por uma fotografia de Nick Ut, que mostrava crianças fugindo de um ataque durante a guerra do Vietnã. A imagem inclui uma criança nua de nove anos de idade. 

Reprodução

Ao publicar a imagem, Egeland foi suspenso da rede social. O Aftenposten, informando a suspensão, usou a mesma imagem em seu artigo e o compartilhou em sua página do Facebook. O editor conta que o jornal recebeu uma mensagem pedindo que removesse ou encobrisse as genitálias na foto. "Todas as fotografias de pessoas exibindo a genitália, totalmente nuas ou com nádegas ou seios femininos nus, serão removidas", explica a empresa no aviso que enviou ao jornal. Antes que o jornal respondesse, o Facebook retirou a postagem do ar.

Na carta aberta, Hansen afirma que há uma incapacidade em "distinguir entre pornografia infantil e fotografias de guerra famosas, bem como uma falta de vontade para permitir espaço para o bom senso". "Eu acho que você está abusando do seu poder e acho difícil acreditar que você tenha pensado completamente nisso", afirma o editor.

Questionado, um porta-voz do Facebook explicou que a rede social ainda enfrenta problemas em distinguir fotos pornográficas de fotos históricas."Embora reconheçamos que esta foto é um ícone, é difícil criar uma distinção para permitir uma fotografia de uma criança nua em um caso e não permitir em outros". A companhia ainda prometeu melhorar suas políticas para permitir a livre expressão de seus usuários.

Via TheGuardian





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