Entenda o poder dos terroristas na web

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Veja o manual de cibersegurança do Estado Islâmico

Logo após aquela sexta-feira 13 sangrenta em Paris, o mundo se voltou contra o temido e odiado Estado Islâmico – o grupo terrorista que reivindicou os ataques que mataram 129 pessoas na capital francesa. A guerra ao terror tomou conta do mundo virtual. O grupo de hackerativistas Anonymous declarou guerra ao Estados Islâmico – ou melhor, uma cyber guerra.

A principal estratégia do Anonymous é desarticular a comunicação e a propaganda virtual do Estado Islâmico. O Anonymous já declarou ter derrubado mais de 5500 contas do Twitter ligadas à organização terrorista. Segundo relatório da organização Foreign Policy, só neste ano, cerca de 150 páginas da web ligadas ao Estado Islâmico foram desativadas e cerca de 100 mil perfis suspeitos no Twitter foram denunciados.

As redes sociais são uma arma poderosa para o Estado Islâmico; os terroristas usam vídeos, publicações, mensagens e campanhas na internet para atrair e recrutar jovens soldados. E essas ferramentas têm sido altamente eficazes no recrutamento de jovens – em particular em países europeus. E não fica só nisso, a organização terrorista também ganha dinheiro através da internet. Só no Twitter, segundo o Brookings Institute, até março deste ano haviam sido identificadas 46 mil contas de apoiadores ou militantes do grupo terrorista no microblog.

O contrabando de petróleo é a principal fonte de renda do Estado Islâmico, mas os terroristas também usam os meios digitais para arrecadar dinheiro. O Instituto Europeu para Estudos em Segurança afirma que as contribuições são feitas em bitcoin – a popular moeda virtual – que foge de qualquer sistema bancário ou governo. As transações com bitcoin não revelam emissores e receptores.

A questão é: será que os ataques anunciados pelo Anonymous contra o Estado Ismâmico podem incomodar a organização terrorista? Mais que isso: uma cyber guerra traz embutida o risco da contaminação. As batalhas podem acabar cruzando as fronteiras do mundo virtual e atingir serviços do nosso dia a dia. Aliás, não seria a primeira vez que isso acontece.

Engana-se quem ainda guarda aquela velha imagem dos jihadistas como combatentes eternamente identificados com o deserto e com lugares pobres. O Estado Islâmico está anos luz de distância dessa imagem. Uma mostra do grau de sofisticação desses terroristas foi revelada recentemente.
Pesquisadores do Centro de Combate ao Terrorismo de West Point, nos Estados Unidos, descobriram um manual de cybersegurança do Estado Islâmico. Além da cartilha com instruções detalhadas, o grupo se dá ao luxo de manter até um help-desk 24 horas por dia para ajudar seus membros a evitar ataques virtuais e manter suas comunicações sigilosas.

Do outro lado da trincheira virtual, Alex Poucher, porta-voz do Anonymous, diz que o grupo possui agentes bem próximos ao Estado Islâmico. Ele também afirma que o Anonymou tem acesso a tecnologias que podem ser melhores que as ferramentas de qualquer governo para combater os terroristas pela internet. Mas, essas são afirmações sobre as quais pairam muitas dúvidas.

Não duvide: algumas das principais batalhas dos conflitos atuais não são travadas com atos de barbárie como decapitações ou ataques suicidas. Algumas dessas lutas se dão no universo virtual, em que as atrocidades aparecem na forma binária, de zeros e uns. Essa é uma das faces das novas guerras. Se você quiser entender mais sobre o assunto, nós publicamos uma matéria que explica o manual de cybersegurança dos terroristas. O link está abaixo do vídeo desta matéria e é um exemplo de como um dos mais temidos inimigos da civilização ocidental está usando a tecnologia em nome do terror.



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