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Ações coletivas na internet trazem shows internacionais para o Brasil

Modelo de negócio, que deu certo nos EUA, chega ao país com força total. Pessoas se unem em vaquinha gigante a favor de uma única ideia
13 de Julho de 2011 | 12:03h
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Crowdfunding
Crowdfunding
Stephanie Kohn

A internet tem ajudado muito as empresas com feedbacks de clientes. No entanto, atualmente, mais do que ajudar as empresas a compreender o que o consumidor quer, as redes sociais, blogs e sites em geral têm colaborado para que o internauta consiga ter o que ele quer através de um conceito conhecido como Crowdfunding.

Este é um modelo de negócio que ganhou força com um site americano, criado em 2009: o Kickstarter. Os donos dos projetos exibiam a sua ideia, colocavam a quantia necessária e o prazo para concretizá-la, e, se o objetivo fosse atingido, eles ofereciam recompensas para aqueles que colaboravam, como um CD ou um jantar.

Aqui no Brasil, diversos movimentos digitais de multidões de pessoas estão surgindo pela internet, especialmente nas redes sociais. Um dos melhores exemplos de como a união de todos em busca de um único objetivo dá certo é o projeto "Queremos". Em 2010, quando foi criado, conseguiu trazer músicos como Miike Snow, LCD SoundSystem, Mayer Hawthorne e Belle & Sebastian ao Rio de Janeiro - e o melhor, os shows acabaram saindo de graça para quem investiu.

Isso só foi possível porque o projeto trabalhou seguindo os conceitos do crowdfunding. O grupo levantava os custos de produção do show e dividia o valor por algumas unidades de ingressos necessários para tornar a ideia viável. Esses interessados em ver a banda, então, pagavam um valor pelo "ingresso" com a ajuda do PayPal. A partir daí, com o valor mínimo necessário assegurado para trazer o artista para o país, o evento era confirmado e aqueles que compraram o ingresso com antecedência, e ajudaram o evento a se concretizar, tinham direito de receber de volta um valor proporcional à venda de todos os outros ingressos regulares.

No show do Miike Snow, por exemplo, o ingresso reembolsável custou R$ 280, mas, no dia do evento, os colaboradores receberam o valor integral de volta. Ou seja, aqueles que acreditaram no projeto e colaboraram para que tudo fosse confirmado assistiram ao show de graça. A grana foi estornada no cartão de crédito e todos ficaram felizes.

Assim como o projeto "Queremos", o "No Tickets No Fun" - uma referência à empresa organizadora de eventos Tickets For Fun - também segue o modelo de crowdfunding. Porém, a ideia aqui é organizar um festival inteiro com shows de várias bandas. Filipe Techera, um dos organizadores do projeto, usou o Facebook como chamariz e criou um evento na rede social para divulgar a ideia e, assim, chamar os internautas para colaborar. "O projeto surgiu de uma frustração de não termos conseguido comprar ingresso para outro festival", conta.

A principal ideia do "No Tickets No Fun" é que todos participem dos processos de desenvolvimento de um festival, como a escolha dos artistas, horário e local. Segundo Filipe, tudo será decidido em conjunto e, por isso, eles já disponibilizaram até um questionário para entender o que o público quer ouvir e de que forma gostariam que fosse o evento.

O grupo acredita que o Facebook tem o público certo para este tipo de ação e que, por fazer parte do dia a dia das pessoas, daria boa exposição. Neste momento, a página do evento já possui 2910 pessoas confirmadas para o festival que ainda não tem nem data para acontecer, mas já conta com a colaboração de muita gente. "Primeiro vamos descobrir o que as pessoas querem e depois vamos correr atrás de tudo. A ideia é vender os ingressos por cota e, o que for arrecadado a mais, será revertido para a experiência do público, como um cachorro quente de graça, por exemplo", conclui Filipe.

Outro projeto de crowdfunding digital, chamado "Catarse", trabalha de uma maneira um pouco diferente. Lá, quem dá as ideias de ações de arrecadação são os próprios internautas. A "Banda mais Bonita de Cidade", que ficou famosa depois que seu videoclipe estourou nas redes sociais, conseguiu levantar dinheiro para gravar seu primeiro CD através do site.

Em entrevista para o Estado de S. Paulo, um dos criadores do projeto Catarse, Diego Reedeberg, disse que além de as pessoas conseguirem realizar algo por meio do projeto, eles também conseguem medir a popularidade do seu produto e checar se aquilo terá demanda. Atualmente, o site já possui mais de 40 projetos concluídos, todos bem sucedidos devido à colaboração dos internautas.

Além do "Catarse", ainda existe o site "Movere", que também conseguiu arrecadar fundos para gravar um CD e o "Embolacha", um grupo que, segundo eles mesmos, acredita que a colaboração com pequenas quantias de dinheiro é suficiente para transformar qualquer ideia em realidade.

Outro modelo de colaboração digital

No início de julho surgiu mais uma nova ideia de ação coletiva dentro das redes sociais. O publicitário Rafael Ziggy criou um evento no Facebook convidando os fãs da banda Foo Fighters a se unirem em uma vaquinha de R$ 50 por pessoa para trazer os artistas para o Brasil.

Em dois dias, o evento já contava com mais de 30 mil pessoas, entre elas, o próprio gerente da turnê. O cachê da banda gira em torno de US$ 700 mil e, segundo Rafael, alguns sites de crowdfunding já se prontificaram a ajudar com a arrecadação.

Para quem se interessou em fazer parte do projeto, clique aqui, confirme sua presença no evento, compartilhe a página com os amigos e, claro, esteja preparado para desembolsar R$ 50.

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