| Reprodução |
 |
O australiano Julian Assange está se refugiando na embaixada equatoriana em Londres desde o último dia 20 de junho, quando pediu asilo político ao país sul-americano. Mas com a demora de uma resposta por parte do presidente Rafael Correa, o tempo do criador do Wikileaks parece estar chegando ao fim. Nesta quinta-feira, o ativista recebeu uma carta da polícia britânica para que ele negocie os termos de sua rendição e futura extradição para a Suécia, onde responderá por dois supostos crimes sexuais cometidos em 2010.
Um porta-voz da polícia confirmou a informação ao
Guardian: "A polícia entregou nesta manhã uma carta para a negociação dos termos de rendição de Julian Assange. Pedimos que ele se apresente em um posto policial na próxima sexta-feira para que comecemos o procedimento padrão em casos de extradição".
Assange violou a sua prisão domiciliar quando decidiu fugir e buscar abrigo na embaixada do Equador. Se não se render, sua condição pode piorar ainda mais. Ativistas favoráveis às ações de transparência alegam que as acusações contra a Assange foram plantadas, que seu julgamento é político e que uma condenação na Suécia pode preparar caminho para uma futura extradição para os Estados Unidos, onde o australiano poderia receber a pena de morte.
Em novembro de 2010, quando o Wikileaks liberou mais de 250 mil documentos diplomáticos norte-americanos, diversos políticos e representantes da sociedade civil do país afirmaram que gostaria de ver Assange morto, mesmo que para isso o governo se valesse de algum método ilegal. O soldado Bradley Manning, que ajudou o Wikileaks no vazamento mas acabou descoberto, cumpre pena por crimes de guerra na prisão de segurança máxima da Baía de Guantánamo.
No começo desta semana, uma petição assinada por artistas do mundo todo e representantes de organizações de direitos humanos foi entregue na embaixada equatoriana, pedindo que Rafael Correa conceda o abrigo e evite a prisão de Assange.
Os cineastas Michael Moore e Oliver Stone, o escritor Noam Chomsky, o ator Danny Glover, o apresentador Bill Maher e o ativista Daniel Ellsberg, responsável pelo vazamento dos 'Pentagon Papers' em 1971, foram alguns dos nomes que apoiaram a ação e o abaixo-citado. "Pedimos que você conceda asilo política para o Sr. Assange porque o único 'crime' que ele cometeu foi a prática do jornalismo", diz a carta.