| Marcelo Gripa |
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Marcelo GripaSergio Francisco, gari, 49 anos, analfabeto digital. Em meio aos 8 mil campuseiros frenéticos por gigabytes, na maior feira de tecnologia do Brasil, em São Paulo, há quem nunca tenha acessado a internet.
"É a primeira vez que vejo tanta novidade junta. Nunca mexi na internet", afirma Francisco, que diz ficar com os ouvidos ligados nas palestras para entender este novo mundo.
"A tecnologia evolui e a rapazeada vem aqui para ver. Tudo isso é muito bom. No meu tempo nem tínhamos celular", brinca enquanto faz a coleta do lixo. Hoje em dia ele é dono de um aparelho, mas o modelo não permite conexão online.
Nascido na capital paulista, o gari mora com as duas filhas, de 26 e 28 anos, e a mulher. O mesmo isolamento do mundo digital não faz parte da rotina das filhas que, segundo ele, navegam constantemente e mantêm ativos os perfis nas redes sociais, acessados no traballho ou na lan house.
O varredor atribui o desconhecimento online à falta de estímulo e ao receio de não compreender os comandos necessários para se conectar. "Tudo o que é novo assusta", justifica. Além disso, pesa a questão financeira. Ele conta que o orçamento apertado e o custo de um plano de banda larga inviabilizam ter computador em casa. O mesmo motivo, argumenta, o impede de trocar o celular por um smartphone com recursos mais avançados.
O funcionário considera a
Campus Party importante para efeito social. A difusão de conhecimento torna a feira tranformadora da realidade de muita gente, na visão dele. "Hoje as pessoas mais pobres, das favelas, podem se conectar ao mundo e buscar uma profissão, uma vida melhor. Acho isso bonito e o evento ajuda a acontecer", observa.
Sergio Francisco estará no evento até domingo, 3, último dia de atividades. Até lá, disse que pensará na possibilidade de aprender a navegar.