Quinta-feira, 26 de novembro de 2009 Busca:
Exibido em: 25/11/07

Laboratório Digital: TVS Full HD

Um teste completo com 3 dos melhores aparelhos digitais de televisão do mercado.

Maiores e melhores

Em 2006, muito em função da Copa do Mundo de futebol, a TV de tela grande entrou para o rol de sonhos de consumo dos brasileiros. Junto com os notebooks, essas delgadas e belas armações recheadas de imagens ocuparam a imaginação do consumidor. A TV de grandes proporções ocupou um espaço que, antes, estava devotado aos reprodutores de DVD - que muito antes que qualquer um suspeitasse, se tornaram lugar-comum, com aparelhos custando menos de 200 reais.

Agora, com o dólar barato, e com a chegada da TV digital no início de dezembro em São Paulo, a procura por essas TVs ganha novo impulso. Afinal, muita gente deve estar planejando trocar os antigos aparelho de tubo por essas sedutoras representantes da imagem digital.

Porém, esse é um período de transição de tecnologias, assim, muitas soluções e "meias-soluções" estão disponíveis no mercado. Para essa edição do Laboratório Digital, analisamos o cenário sob uma perspectiva de médio e longo prazos - afinal, ninguém compra TV para trocar no dia seguinte. Por isso, escolhemos as chamadas TVs "Full HD". Elas são hoje o que há de mais moderno no mercado e, ainda que os preços sejam um pouco maiores, são a garantia de que mesmo daqui a alguns anos, o seu equipamento continuará atual.

TV Digital, que bicho é esse?

full hd 1

Tanto LCD quanto Plasma são tecnologias de reprodução de imagem. A TV Digital que está chegando ao país se refere ao modo de transmissão: é o sinal que sai das antenas das emissoras que está mudando e, com essa mudança, será possível transmitir imagens em alta-definição. Um bom paralelo é com os telefones celulares. Quando eles chegaram por aqui, eram todos analógicos, cheios de ruídos e com quedas freqüentes nas ligações. Além disso, alguns serviços hoje comuns simplesmente não existiam: não dava para mandar SMS, acessar a Internet pelo celular então, nem pensar. Tudo mudou quando os celulares se tornaram digitais. Ou seja: as operadoras passaram a transmitir sinais digitais a partir de suas antenas. Com essa mudança, melhoraram as ligações e houve uma explosão de serviços e coisas que você pode fazer com o telefone móvel. Porém, todo mundo teve de trocar de aparelho. Os aparelhos analógicos simplesmente não funcionam com as atuais linhas digitais.

Com a TV, o processo é similar, só que um pouco mais complicado. Todas as transmissões abertas de TV no Brasil atualmente são analógicas. Elas começam a ser digitais a partir do dia 2 de dezembro de 2007, numa transição gradativa ao longo dos próximos dez anos. Do lado dos aparelhos de TV, no entanto, já existem vários modelos digitais à venda há um bom tempo: as tecnologias digitais de imagem mais difundidas são o Plasma e o LCD. Só que, se você comprar uma dessas TVs hoje em dia, mesmo assim ela não será capaz de, sozinha, reproduzir as imagens do novo padrão de TV. Por quê? Porque o modelo de TV Digital escolhido pelo Brasil é único. Ele foi baseado no padrão japonês, mas sofreu adaptações locais. Assim, para que o seu televisor "entenda" o novo padrão, ele precisa de um "tradutor" - um aparelho que está sendo chamado de set top box. Resumindo: tanto uma super moderna tela de LCD de 50 polegadas, quanto aquela TV velhinha, de 14 polegadas, só conseguirão "entender" os sinais digitais do padrão brasileiro com a ajuda de um set top box. Alguns modelos de TV até já começam a sair de fábrica com o set top box embutido, mas ainda há muita controvérsia se essa é realmente uma boa idéia. Afinal, uma TV deve durar muitos e muitos anos e a expectativa é haja muita evolução dos set top box nos próximos anos, principalmente no que diz respeito à interatividade.

Tela grande, imagem ruim

Um detalhe importante é que a qualidade de imagem da TV analógica não melhora numa tela de maior definição. Isso ocorre porque a TV convencional de hoje em dia é transmitida com algo em torno de 480 (NTSC) até 576 linhas (PAL-M), bem abaixo das 720/1.080 linhas dos LCDs/Plasmas mais comuns. O resultado é que as imagens tendem a ser mais borradas e você pode enxergar vários pixels (pontos) da tela. A sensação pode ser ultrajante para fãs de novela ainda não gravadas ou transmitidas em alta definição. Esse, por sinal é o motivo pelo qual a maioria das lojas demonstram suas TVs mostrando filmes em DVD e nunca programas de TV.

Opções nas prateleiras

Os modelos mais comuns no mercado ainda são os que oferecem 720 linhas de resolução - também chamadas de 720p. Essas TVs são capazes de reproduzir o chamado 1080i (1080 linhas entrelaçadas) que, aliás, será o padrão de transmissões da TV Digital brasileira. Porém, o que se costuma chamar de High Definition tem um degrau acima: aparelhos capazes de reproduzir imagens com 1080 linhas no modo progressivo; não entrelaçado, o chamado 1080p. Assim, se alguma TV LCD ou Plasma chamar a sua atenção - principalmente pelo preço - confira primeiro se ela é capaz de reproduzir imagens no modo 1080p (Full HD) ou no 1080i.

E por que sugerimos um modelo full HD? Na nossa opinião, apesar dos modelos de 720p/1080i estarem atraentes em termos de preço, entendemos os modelos Full HD como melhores na preservação de investimento, principalmente num equipamento não exatamente barato.

Os Participantes

full hd lg
LG - 47LY3RF

full hd philips
Philips - 42PFL7432D/37

full hd samsung
Samsung - Tulip M8

Convidamos a maioria das empresas do mercado que já comercializam TVs LCD e de Plasma para nosso comparativo, e três delas atenderam ao nosso convite, a LG com seu modelo 47LY3RF de 47 polegadas, a Philips com seu modelo 42PFL7432D/37 de 42 polegadas e a Tulip M8 de 46 polegadas da Samsung.

Entre as empresas que não tinham equipamento disponível ou estavam renovando sua linha de produtos durante a realização dos testes estão a Sony, cujos primeiros modelos Bravia Full HD chegaram às lojas no final de novembro, e a Panasonic, que trabalha basicamente com modelos de Plasma, e já dispõe de modelos de até 50 polegadas no Brasil.

Apesar da variedade de tamanhos - com diferenças de até a uma polegada - todos os modelos analisados possuem a mesma resolução nativa (1.920 x 1.080 pixels na proporção 16:9). Segundo os fabricantes, todos os aparelhos testados têm previsão de funcionamento sem falhas (MTBF) de 50 mil horas ou quase seis anos de TV ligada, oito horas todos os dias.

Esteticamente falando, todos os modelos têm visual parecido: grandes quadros em tons escuros equilibrados em pedestais que lembram taças. Isso permite que as telas girem parcialmente em relação à base, o que facilita o acesso aos seus conectores traseiros.

Apesar da impressão de falta de estabilidade, nenhum aparelho perdeu equilíbrio durante os testes. Uma solução bastante comum para telas dessas dimensões é a fixação na parede, e todos os modelos possuem pontos para esse fim.

Preste atenção nas conexões

Em termos de conectividade, quanto mais entradas melhor. Todos os modelos analisados vieram com uma ou duas entradas para vídeo componente, S-Video, entradas e saídas de som e vídeo composto e HDMI - essa última, a principal conexão do mundo de alta definição. Pela porta HDMI, trafegam tanto áudio multicanal, quanto vídeo em alta-definição. Portanto, faça questão de uma entrada dessas no seu próximo televisor.

Os modelos da Samsung e LG vieram equipados com uma porta SVGA padrão Dsub de 15 pinos, que permite ligar um PC na televisão, algo muito útil em apresentações ou aplicações de Media Center direto de um notebook ou desktop com Windows Vista Home Premium ou Ultimate. A Philips não dispõe dessa entrada, mas oferece uma terceira porta HDMI que pode ser ligada numa porta SVGA com o uso de um adaptador.

Controles remotos fracos

Outro item que merece atenção é o controle remoto. O modelo mais simples foi o da Philips que apresenta as funções básicas da TV e dispõe de botões de atalho para suas funções mais utilizadas como ajuste de imagem, som, SAP, entrada de sinal, formato de tela, etc. O controle da Samsung é bem maior, mas igualmente espartano em recursos. O da LG é o melhor deles, com capacidade de comandar outros aparelhos, como DVD players, Blu-Ray players, aparelhos de som, etc. Além disso, apenas o dispositivo da LG oferece algumas das teclas com luz. Seria de se esperar soluções mais criativas para controles remotos de aparelhos tão sofisticados. A verdade é que todas as teclas deveriam ser iluminadas, para facilitar o manuseio, caso você queira assistir a um filme, por exemplo, com menos luz.

Os modelos da Samsung e LG vieram equipados com uma porta SVGA padrão Dsub de 15 pinos, que permite ligar um PC na televisão, algo muito útil em apresentações ou aplicações de Media Center direto de um notebook ou desktop com Windows Vista Home Premium ou Ultimate. A Philips não dispõe dessa entrada, mas oferece uma terceira porta HDMI que pode ser ligada numa porta SVGA com o uso de um adaptador.

Sob Testes

full hd 2

Para avaliar a qualidade de imagem e de áudio dos produtos, reunimos o pessoal da redação e parte da equipe técnica do Olhar Digital. Afinal imagem melhor ou pior pode ser muito subjetivo. Como referência, utilizamos um gerador de sinal cedido pela LG, desenvolvido especialmente para demonstrações de HDTV e um player de vídeo Blu-Ray da Samsung, com o qual reproduzimos alguns filmes nesse formato já disponíveis no mercado.

Nossa primeira constatação foi que a qualidade da imagem - mesmo em HDTV - depende muito da mídia original. Por exemplo, filmes produzidos pelo sistema convencional mostraram áreas com bastante granulação (provocada pelo uso de filmes mais sensíveis) em cenas pouco iluminadas, um efeito que pode passar despercebido no cinema ou na TV convencional, mas que se destacou nas telas de alta definição. Esse efeito foi bem minimizado ou praticamente eliminado em filmes feitos totalmente no computador - como as produções da Pixar - ou vídeos gravados com câmeras HDTV.

Esses "defeitos especiais" podem ser até mais ressaltados se utilizarmos algum modo de tela disponível - porém inadequado - para esse tipo de mídia. Um bom exemplo é o chamado modo "Dinâmico" que realça as cores em tons vibrantes o que pode passar uma percepção errada da qualidade de imagem. No nosso caso, o melhor resultado foi obtido no modo "Suave" ou "Filme".

No geral, nossa platéia elegeu o modelo da Philips como a TV com melhor qualidade de imagem, na frente por um fio de bigode do modelo da Samsung, com a LG chegando em terceiro lugar.

Uma característica que prejudicou a avaliação da LG foi a sua reprodução de tons escuros, já que numa tela completamente escura era possível notar vazamentos de luz nas laterais.

Nossas conclusões

Analisando todas as informações coletadas, a disputa ficou acirrada entre as TVs da Philips e da Samsung - ambas com o preço sugerido de 7.999 reais. Como citamos anteriormente, o modelo da Philips foi a nossa preferida em termos de qualidade de imagem. Entretanto, a Samsung oferece mais em termos de custo por centímetro quadrado de tela, já que além de maior (46 contra 42 polegadas) a TV da Samsung oferece um conjunto mais harmonioso, fabricação local e é bivolt (a Philips está disponível apenas em 110V).

Assim, a escolha do Olhar Digital como melhor aparelho Full HD é o aparelho da Samsung. Se você tiver espaço na sala (46 polegadas é realmente grande...), e espaço no orçamento, divirta-se.

Características Técnicas

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