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Entrevista: Analista da Petrobras pede mais supercomputadores no Brasil

Estatal é dona do grifo04, eleito o 68º computador mais rápido do mundo
02 de Janeiro de 2013 | 09:00h
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Grifo04
Grifo04
Grifo04/Foto: Divulgação
Marcelo Gripa

O que você faria se tivesse à disposição um supercomputador de 1088 GPUs , com 487 mil núcleos de processamento matemático, 17 TB de memória RAM (incluindo 3TB de GRAM) e 544 servidores com interface de rede com 20 Gigabits/segundo?

Não esquente a cabeça pensando em planos mirabolantes porque são bem remotas as chances de alguém dispor de máquina tão potente em casa. A menos que esteja disposto a investir R$ 17 milhões e disponibilizar uma sala inteira para armazenar esta estrutura de grandes proporções.

A Petrobras fez isso. Em 2009, a estatal projetou o grifo04, supercomputador que capta imagens do sub-solo em altíssima qualidade para facilitar a exploração de petróleo. Esta é a quarta versão do projeto que ‘casa’ tecnologia, matemática e geofísica. Há dois meses, o ‘cluster’ foi apontado como o 68º computador mais rápido do mundo, o melhor da América Latina, na lista que enumerou os 500 mais potentes. Outras duas máquinas brasileiras compõem o ranking, mas não estão a serviço de empresas: uma atua em favor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (79º) e a outra para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (457º). 

Luiz Rodolpho Monnerat e Paulo Roberto Souza são alguns dos responsáveis pela área da Petrobras dedicada à tecnologia de informação, telecomunicação e exploração de produtos. Segundo eles, a crescente demanda de problemas dependentes das capacidades computacionais pede mais investimentos na própria estatal e no país como um todo. “Há uma carência de supercomputadores que impede o desenvolvimento do potencial brasileiro”, constata Monnerat.

Nesta entrevista ao Olhar Digital, os analistas comentam a importância tecnológica nos processos da companhia e atestam a qualidade brasileira na área, apesar da falta de investimentos.

- Como a tecnologia da computação influencia o dia a dia da Petrobras?

Luiz Rodolpho Monnerat: A Petrobras faz forte uso de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC) em seus diversos ramos de atividade. E uma das características é o uso de computação científica como uma peça importante de diversos de seus processos e atividades. 

- Quais as principais atribuições atuais do grifo04?
 
Paulo Roberto Souza: Atuar como uma ferramenta fundamental para a geração de imagens do sub-solo. Este supercomputador foi projetado na Petrobras e dispõe de uma enorme capacidade de processamento para execução de algoritmos especialmente desenvolvidos dentro da empresa. Assim, com uso desta ferramenta que combina hardware e software de alta tecnologia, nossos geofísicos geram imagens mais precisas.
  
- Dada a importância de um supercomputador, falta ao Brasil mais máquinas deste porte?
 
Luiz Rodolpho Monnerat: Acreditamos que os nossos centros de pesquisa e universidades têm um enorme potencial em várias disciplinas, mas existe uma carência de supercomputadores que impede o desenvolvimento de todo este potencial, já que muitos problemas demandam grandes capacidades computacionais para serem tratados. Também na Petrobras o processamento de alto desempenho pode ser objeto de mais investimentos, em virtude do enorme volume de trabalho que deveremos ter nos próximos anos, incluindo o processamento sísmico e as simulações de reservatório de campos do pré-sal.
 
- Qual o nível brasileiro em termos de inovações na área da computação? Cite bons projetos.
 
Luiz Rodolpho Monnerat: O Brasil é sem dúvida o líder nesta área dentro da América Latina. E a nossa capacidade de inovação é também internacionalmente reconhecida. Por exemplo, a própria Petrobras foi uma das primeiras empresas a construir, ainda em 2007, um cluster de PlayStations 3 para uso em processamento científico. Também em 2007 criamos um projeto que procurava usar GPUs, ao invés de CPUs, para fazer o processamento pesado de problemas científicos. Como consequencia deste projeto, reduzimos cerca de 10 vezes de custo e de consumo de energia nos nossos últimos supercomputadores.
 



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