| Reprodução |
 |
Stephanie KohnO
Yahoo! ainda é um dos maiores sites do mundo quando olhamos para o número de visitantes únicos e o número de pageviews. Porém, o portal perdeu há muito a força original de sua criação, vinculada às buscas - espaço que foi, obviamente, ocupado pelo Google.
Desde 2008, o site que ditava tendências no mundo da tecnologia começou a perder espaço. Ano a ano a receita da
empresa tem caído e, com isso, a companhia começou a considerar aquisições ousadas para manter sua posição de liderança.
Em dezembro do ano passado, o
Yahoo! estava prestes a demitir 700 funcionários ao tirar do ar alguns de seus serviços como Delicious, Altavista
Yahoo! Buzz e outros. Na época, um ex-funcionário da empresa, Andy Baio – criador do serviço Upcoming.org -, afirmou que cerca de 5% do total de 14 mil funcionários seriam demitidos e a companhia passaria por uma reestruturação.
Pouco tempo depois, a companhia divulgou resultados desastrosos de seu quarto trimestre de 2010. A receita do
Yahoo! teve queda de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em comunicado à imprensa, a
empresa declarou que os números foram calculados contabilizando o compartilhamento de receitas com a Microsoft, por conta do acordo na área de buscas. "Nós acabamos de completar um trimestre e um ano bastante encorajadores para o Yahoo!, no qual vemos nossos planos de virada ganharem força na companhia", destacou a ex-CEO do grupo, Carol Bartz.
No entanto, na mesma semana, o site confirmou mais um corte de funcionários. Foram demitidas, aproximadamente, 150 pessoas. Mais uma vez, a
empresa declarou as demissões parte de uma estratégia para se posicionar melhor no mercado. Só que, a partir daí, nada mais deu certo para a companhia e o ex-líder da internet começou a enfrentar derrotas atrás de derrotas.
Uma delas foi a queda do Flickr, até então principal plataforma de compartilhamento de imagens na web. Com a ascenção monstruosa do Facebook, o site de fotos perdeu seu posto para a rede social. Enquanto o Flickr recebia, em média, 130 milhões de imagens por mês, a rede de Mark Zuckerberg reunia 3 bilhões de fotos mensalmente. No mesmo período, o Yahoo!, líder em publicidade online nos Estados Unidos, perdeu seu posto de número um no segmento para a arquirrival Google, de acordo com relatório da
empresa de pesquisas IDC.
Claramente, Carol Bartz, a ex-CEO da companhia, conhecida como "linha-dura", não estava obtendo o sucesso esperado em suas manobras de sobrevivência. Portanto, em setembro, um dos fundadores do Yahoo!, Jerry Yang, articulou a demissão da executiva em mais uma tentativa de fazer com que a
empresa encontrasse o seu caminho. A CEO foi demitida por telefone.
Sem líder e sem rumo definido, um dos caminhos alternativos encontrados pela companhia foi a venda. Mas, esta não foi a primeira vez em que o
Yahoo! esteve envolvido com negociações desse tipo. Em 2008, a
empresa rejeitou uma proposta de US$ 47,5 bilhões da Microsoft e mesmo após anos, a desenvolvedora do Windows ainda tem interesse pela compra.
De acordo com o New York Times, a Microsoft tem novos planos de comprar o
Yahoo! e, para isso, contaria com o apoio de diversos fundos de investimento como Silver Lake e TPG Capital. Um acordo de confidencialidade teria sido firmado entre as empresas, o que permitiria à Microsoft observar de perto as operações e finanças do portal para avaliar a viabilidade do negócio.
Mas, alguns rumores apontam que a compra do
Yahoo! pode ganhar um novo concorrente de peso. Segundo o The Wall Street Journal, o Google teria procurado dois fundos de private equility a fim de financiar uma possível aquisição. A gigante de buscas estaria avaliando a possibilidade junto com os bancos, porém, nenhuma oferta teria sido elaborada por enquanto.
Outra possibilidade, segundo a agência de notícia Reuters, é a compra integral do
Yahoo! pelo Blackstone Group e a Bain Capital em uma transação avaliada em cerca de US$ 25 bilhões. A oferta inclui ainda a participação do grupo chinês Alibaba, do empresário Jack Ma, que já tinha demonstrado interesse pela compra, além da japonesa Softbank. Porém, assim como as outras negociações, a entrada desses grupos ainda não está finalizada.
As negociações conturbadas e baseadas em rumores têm transformado a crise do
Yahoo! em uma verdadeira novela. Enquanto duas das maiores empresas de tecnologia disputam o restante de sucesso que sobrou da companhia, outros acreditam que o
Yahoo! é irrelevante no mundo atual da web.
O analista de tecnologia e articulista do jornal The Guardian, Charles Arthur, fez críticas bastante rigorosas quanto ao papel da
empresa no mercado atual. Segundo ele, o
Yahoo! não fez nada para melhorar a internet nos últimos dez anos, somente tem enfrentado crises e, portanto, quase ninguém reconhece o propósito da existência da companhia nos dias de hoje.
Quer deixar sua opinião? Conte para gente nos comentários abaixo o que você acha do
Yahoo! e das manobras que a
empresa vem fazendo para contornar essa longa crise.