Afinal, a cyberguerra já começou?

Por Redação Olhar Digital - em 10/02/2012 às 16h00

  • ciberguerra
  • Segurança

Resumo: Para especialistas da área de segurança, a corrida armamentista virtual está a pleno vapor
cyberwar

Igor Lopes, de Cancun*

No mundo paranoico dos profissionais de segurança em TI, todos os movimentos parecem se tornar uma porta aberta para possíveis ataques hackers. Cloud Computing? Que nada. Para eles, é melhor deixar os dados guardados bem pertinho de você. Criptografia é uma necessidade, até mesmo nas contas de emails pessoais. Senhas gigantescas, com números, letras e caracteres especiais? Mas é claro! É inevitável conversar com eles e não imaginar um futuro apocalíptico, ainda mais quando essa conversa acontece em Cancun, território ocupado pelos Maias em séculos passados. A cidade mexicana foi escolhida pela Kaspersky, empresa de segurança online, para a realização de seu congresso mundial. E, ao assistir às palestras, a previsão dessa civilização de que o mundo acabará em 2012 nunca pareceu fazer tanto sentido.

E se a segurança pessoal no mundo online já requer vários cuidados, o que dizer da segurança de nações inteiras na web? Costin Raiu, diretor do laboratório de pesquisas e análises da Kaspersky, afirma que a tão temida cyberguerra está definindo novos rumos para a tecnologia militar. "Hoje, estamos trabalhando com 4 forças bastante poderosas. De um lado, hacktivistas como Anonymous e LulzSec querem ser ouvidos. Os países também estão em uma 'corrida armamentista virtual'. Google e outras grandes empresas são cada vez mais poderosas graças à quantidade imensa de informações que guardam de todos nós. Cybercriminosos desenvolvem ataques cada vez mais complexos e sofisticados. Frente a esse cenário, como não se preocupar e enxergar riscos para todos os lados?", comenta.

Para Vitaly Kamluk, engenheiro especializado em malwares da empresa, a cyberguerra já começou há muito tempo. "Em 2007, a Estônia entrou em colapso graças a ataques vindos da Rússia. Em 2008, ataques DDoS derrubaram a Geórgia. Em 2009, os governos da Coreia do Sul e dos EUA sofreram invasões. O Stuxnet foi descoberto em junho de 2010, mas rastros indicam que ele já estava em atividade desde 2009. Na verdade, nós acreditamos que existam cerca de 100 países praticando a ciberespionagem atualmente, e de forma bem organizada", diz.

A saída, segundo os especialistas, está no desenvolvimento de novas leis internacionais para o cybercrime. "Talvez precisemos reconstruir a internet a partir do zero", afirma Kamluk. "Hoje, enfrentamos muita dificuldade ao pedir apoio de alguns governos em investigações mais aprofundadas. Isso acontece porque, muitas vezes, as pragas geram dinheiro para aqueles países. E algumas nações preferem manter essa renda vinda de caminhos pouco éticos".

E o Brasil?

O CCOMGEX (Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Governo) lançou um programa para simular ataques de eventuais guerras cibernéticas. "O país está em posição de destaque no mundo e essa evidência pode ser bastante perigosa neste aspecto. Temos ativos e patrimônios para proteger. Se algum país quiser nos atacar não precisa soltar bombas, basta atacar nossa rede", comenta Carlos Rust, sócio-diretor da Decatron, empresa que venceu a licitação para desenvolver o sistema de defesa brasileiro.

O simulador grava todas as ações para que seja possível analisar quais recursos foram utilizados durante o ataque. "Existem softwares como esses na Itália ou Israel, mas o exército queria ter algo nacional. Vamos gerar um produto completo no mesmo nível das principais soluções estrangeiras disponíveis no mercado. E ainda existe a vantagem de garantirmos total controle da solução", completa.

*O jornalista viajou para Cancun a convite da Kaspersky.


Recomendações
Ver todas
Últimos vídeos
Ver todos
Redes Sociais