Engenheiro cria robôs para acompanhar pacientes em estado terminal

Por Redação Olhar Digital - em 22/06/2012 às 17h00

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Resumo: Máquinas conversam, abraçam e oferecem cuidados às pessoas que estão em seus últimos momentos de vida

O designer e engenheiro Dan Chen desenvolveu uma máquina projetada para acompanhar pacientes em estado terminal e oferecer às pessoas cuidados e segurança em seus últimos momentos de vida. Chamado de Robô do Último Momento (Last Moment Robot), o androide foi construído como parte de uma série de robôs funcionais capazes de reencarnar comportamentos humanos e sociais.

De acordo com o CNET, em sua tese de mestrado intitulada "Arquivo > Salvar como > Intimidade" (clique aqui para ver o arquivo em PDF), Chen estuda uma série de interações com base no que ele chama de tecnologia robótica da intimidade (RIT).

Em uma demonstração, o robô segura o braço de uma mulher e começa a dizer as seguintes palavras: "Eu sou o Robô do Último Momento. Estou aqui para ajudá-la e orientá-la pelo seu último momento na Terra. Lamento que sua família e amigos não possam estar com você aqui agora, mas não tenha medo: estou aqui para te confortar, pois você não está sozinha, você está comigo. Seus familiares e amigos te amam muito e eles vão lembrar de você depois que você se for".

Ter uma máquina ao invés de entes queridos nos últimos momentos da vida pode dividir opiniões. "Por um lado, revela a crueldade da vida e a falta de apoio humano e conexões sociais", explica Chen. "Por outro, o dispositivo se transforma em algo que o doente pode confiar e depender. Coloquei uma parte de mim em cada um dos robôs para que eles dissessem coisas que eu diria a uma pessoa que está prestes a morrer", completou.



Entre outras criações do engenheiro está um robô de abraços que usa um sensor de proximidade para detectar objetos próximos. O aparelho enrola o braço do paciente ao redor dele para, então, produzir uma baixa frequência de vibrações que podem ser sentidas pelo corpo. Outra invenção é o Terapeuta OK, uma pequena caixa que fornece palavras personalizadas de conforto em caso de depressão ou incerteza.

Há ainda o Robô do Último Minuto, que consiste em um braço almofadado que acaricia e conversa com o paciente através de orientações e mensagens de conforto antes da pessoa falecer. Essas conversas podem ser personalizadas, afirmou Chen. Todos os protótipos, segundo o designer, são construídos com base na plataforma Arduino e possuem elementos de conquista e até mesmo de humor para simular o comportamento humano.

As máquinas estão expostas na Escola de Design de Rhode Island (Estados Unidos), onde o público pode acompanhar uma instalação chamada "Hospital do Último Momento". Dan Chen disse que ainda não tem planos de iniciar uma produção massiva de seus produtos, mas acredita que eles podem aproximar cada vez mais os seres humanos.

"O dispositivo destina-se a levantar questões. A morte é, provavelmente, o momento mais vulnerável de uma vida humana e, nesta instalação [Hospital do Último Momento], a presença de uma pessoa de verdade é substituída por um robô, questionando a qualidade da intimidade sem a humanidade", finalizou.



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