Entenda como a Volks usou a tecnologia para enganar testes

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Os motores a diesel estão no centro da polêmica. E eles evoluíram bastante ao longo do tempo. Hoje, quando comparados aos motores a álcool ou gasolina, ainda são mais caros, mas, ao mesmo tempo, mais econômicos.

O tipo de poluente emitido pelos motores a diesel também é diferente. Nos modelos mais antigos, e que a gente ainda vê em alguns caminhões por aí, a fumaça preta cuspida pelo escapamento era indício do alto nível de poluição.

Mas, dos males, a fumaça preta não é o pior. Além dessas partículas, um dos principais poluentes resultantes da queima do diesel é o óxido de nitrogênio. O NOx é um dos grandes responsáveis por aquela camada de poluição cinza e amarela no horizonte das cidades; mais do que isso, o óxido de nitrogênio está diretamente associado a doenças pulmonares. De olho nesse vilão da saúde humana, há quase 10 anos, o governo norte americano diminuiu os níveis aceitos para emissão de óxido de nitrogênio na atmosfera. Foi aí que alguém dentro da Volks decidiu programar um algoritmo para enganar esses testes e liberar os modelos a diesel da montadora de rodarem livremente mundo afora.

A descoberta do software enganador instalado na central eletrônica dos carros da Volks foi feita pela EPA – a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Um estudo feito no país apontou grandes discrepâncias entre os poluentes emitidos em testes de laboratórios e nas ruas.

Entenda o que aconteceu: entre as dezenas de sistemas eletrônicos inteligentes embarcados nos carros mais modernos, os veículos com motor a diesel trazem um software específico que monitora a quantidade de combustível não queimado que sai pelo escapamento. Para evitar essa emissão, no escapamento dos carros a diesel da Volks existe um compartimento que absorve e captura o óxido de nitrogênio – caso contrário o NOx seria jogado na atmosfera. O software ilegal utilizado pela empresa é, na verdade, um algoritmo dentro de um desses sistemas eletrônicos que faz parecer que o automóvel atende os padrões de emissão. Mentira!

Como dissemos há pouco, os motores a diesel são famosos pela sua eficiência e economia. Mas esse compartimento que absorve e captura o NOx só funciona bem quando uma quantidade maior de combustível é utilizada. Assim, o algoritmo é capaz de identificar a utilização deste dispositivo quando o veículo é submetido a um teste de emissões de poluentes. Ou seja, usando mais combustível, o compartimento faz seu trabalho, captura o NOx e o carro passa nos testes. Já na estrada, em condições normais, onde o consumo é menor, o dispositivo é automaticamente desligado. Segundo a EPA, a fraude resulta em carros que atendem aos padrões de emissões na estação de laboratório, mas, na rua, jogam até 40 vezes mais NOx na atmosfera. Mas como é que será que o software sabe que o carro está sendo testado? A EPA diz que o sistema é extremamente sofisticado; capaz de identificar e rastrear a posição do volante, a velocidade do veículo, o tempo que o motor está ligado e até mesmo a pressão atmosférica ambiente.

Fraude desvendada e explicada. Em outras palavras, é difícil acreditar que o software manipulador estava ali “por acaso”. Para a agência ambiental americana esses carros continuam seguros para dirigir, mas são uma ameaça à saúde pública. Mais recentemente, a agência Reuters revelou que a Volks planeja emitir um recall mundial para todos os 11 milhões de veículos a diesel equipados com software projetado para fraudas os testes de emissões. Por outro lado, a empresa alemã – que admitiu o uso do software fraudulento – prevê que todo o escândalo custe nada menos do que sete bilhões e 300 milhões de dólares aos cofres da Volkswagen.



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