Dois mil e onze será o segundo ano consecutivo que todos os
veículos registrados no município de São Paulo serão inspecionados. A Inspeção
Ambiental Veicular controla a emissão de gases poluentes liberados pelos
escapamentos de carros, motos e caminhões da capital paulista. O objetivo é um
só, melhorar a qualidade de vida do paulistano e controlar a poluição. Mas você
sabe como isso funciona?
De olho no meio ambiente e pensando no futuro do planeta, mais
de 50 países em todo o mundo realizam inspeções para controlar a emissão de
poluentes liberados pelos escapamentos dos automóveis. Em São Paulo, maior
cidade brasileira, a frota ultrapassa os sete milhões de veículos. Ou seja,
existem, em média, três carros para cada cinco habitantes da cidade; e por mais
modernos que sejam – os carros, é claro -, todos poluem o ar que respiramos de
alguma forma.
Para controlar essa poluição inevitável, o Programa de Inspeção
e Manutenção de Veículos em Uso é regulamentado por lei na capital paulista e
está em vigor desde 2008. Os níveis de gás carbônico, monóxido de carbono e
hidrocarbonetos que cada carro, motocicleta, ônibus ou caminhão joga na
atmosfera é medido aqui neste centro; o Controlar.
Tudo começa com uma inspeção visual; um profissional
qualificado verifica se há vazamentos no sistema de escape, lacre na bomba
injetora ou emissão evidente de fumaça. Se o veículo não passar nesta primeira
avaliação, tem 30 dias para solucionar o problema e se reapresentar à inspeção.
Se aprovado, vai direto para a vistoria computadorizada – onde entra a
tecnologia aplicada em todo o processo.
Para que a medição seja realizada corretamente, o carro precisa
atingir determinada rotação, assim simulando as mesmas condições quando
trafegam pela cidade. A primeira tecnologia está no medidor de rotação
magnético, que capta a rotação de qualquer motor, de qualquer carro, com
fidelidade, em apenas cinco segundos!
Assim, a medição começa com esta sonda posicionada no
escapamento do veículo. O inspetor acelera o carro durante 30 segundos e dá-se
início à medição 100% automática dos níveis de concentração dos poluentes. A
inspeção leva, em média, seis minutos. Dentro do computador, os níveis de
emissão dos poluentes são comparados com os limites que aprovam o veículo.
"O que acontece, você tem os gases que vão entrando pela sonda e vai levar em torno de 10 segundo pra chegar no analisador de gás. Chegando no analisador de gás, tem lá dentro um banco ótico. Então, um feixe de lux atravessa esses gases, que são raios infravermelhos, e aí a gente vê pela refração desses raios que passam qual a quantidade de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e dióxido de carbono", conta Luiz Vicente Siqueira De Melo Filho, gerente regional da Controlar.
Claro, carros de diferentes épocas são analisados baseados em
diferentes parâmetros. Por exemplo, um automóvel fabricado no final dos anos 70
pode emitir até 6% de monóxido de carbono que será aprovado na inspeção. Já um
veículo 2009, se ultrapassar 0,3% da emissão de "CO" é reprovado.