Os jogos já começaram, mas uma sombra paira sobre Londres: a da segurança. Evidentemente, a melhor tecnologia disponível está em uso nos estádios e em todas as cidades que participam dos jogos – lembrando que o torneio de futebol tem sedes fora de Londres.
São carros super equipados, helicópteros com câmeras de grande precisão, raios-x na na entrada de todos os estádios e aparelhos de revista como os usados em aeroportos. Mas, se houve uma área em que os britânicos não conseguiram mostrar eficiência foi na preparação da segurança para a Olimpíada. Na verdade, até agora, foi uma coleção de trapalhadas. E ainda que, aqui no Olhar Digital, estejamos preocupados com a tecnologia, não dá para esquecer os problemas que os ingleses enfrentaram para garantir a segurança desses jogos. Uma segurança que, aliás, muitos dizem ser precária.
Boa parte do problema teve início com uma terceirização. A empresa G4S foi contratada para fornecer 10.400 seguranças, que cuidariam de arenas e outros locais dos jogos. O problema é que a empresa não conseguiu contratar toda essa gente. Estima-se que menos de 7 mil tenham aparecido para trabalhar.
Na semana passada, o governo inglês teve de convocar cerca de 3 mil militares às pressas para cobrir o buraco. O pior é que vários dos seguranças contratados pela G4S não receberam treinamento adequado. As próprias autoridades britânicas classificaram a organização da segurança como um fiasco.
O pior é que esses jogos olímpicos marcam um aniversário triste. Exatos 40 anos dos atentados de Munique, em 1972, quando 11 atletas israelenses foram mortos num atentado terrorista. Por esse, e por vários outros motivos, atentados terroristas são a maior preocupação desses jogos.
" O primeiro risco é o terrorismo. fizemos muito nessa área, no sentido de garantir a segurança dos estádios, com as entradas super monitoradas para assegurar a tranquilidade de todos", comenta Chris Allison, sub-comissário do Metropolitan Police.
O medo de atos terroristas convive com outros problemas, como os possíveis protestos de rua, e os bilhetes falsos. A polícia de Londres temia dias antes dos jogos que houvesse ingressos falsos circulando.
"Nossa segunda maior preocupação é com a ação do crime organizado. particularmente no que diz respeito aos ingressos falsos. E nós nos preparamos para combater esse problema. mas, também estamos preocupados com protestos durante os jogos. Não protestos contra a olimpíada, mas grupos que podem querer aproveitar a ocasião para protestar. Temos também uma alta dose de preocupação com relação a doenças e epidemias, que podem se espalhar durante os jogos", diz Allison.
Do lado da tecnologia, Londres já era considerada a cidade com maior número de câmeras de segurança em todo o mundo. Estima-se que só na região central sejam mais de dez mil. Essas imagens são reunidas em centros de monitoramento 24 horas. Nem precisa dizer que a polícia local está totalmente informatizada há algum tempo.
Durante os jogos – e até por conta dos problemas – os tradicionais policiais ingleses contarão com o reforço de militares das forças armadas. Algo que geralmente não acontece. Quando há grandes eventos esportivos, como jogos do campeonato inglês por exemplo, é a polícia regular quem cuida da segurança. E o detalhe é que a maioria desses policiais não carrega armas de fogo até hoje - uma tradição dos policiais londrinos.
Durante a Olimpíada, há uma preocupação especial com os ares, e com o patrulhamento do rio Tâmisa e suas margens. Entre os militares, o treinamento começou vários meses atrás. As tropas de elite gastaram horas em simulações de abordagem de veículos suspeitos e invasão de recintos. A vila olímpica, onde ficam hospedados todos os atletas, é alvo de atenção constante. As revistas e checagens são feitas diariamente. Aqui, novamente, o maior temor é de atentados terroristas.
Ainda que os preparativos de segurança para os jogos tenham sido mais que problemáticos, todos agora torcem para que a Olimpiada chegue ao fim sem transtornos.