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Conheça o surpreendente Instituto do Cérebro, em São Paulo
Centro une medicina e tecnologia para encontrar maneiras de lidar ou curar doenças como Parkinson e Alzheimer
10 de Junho de 2012 | 15:45h

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Instituto do Cérebro 
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Um dos motivos para esse ser um lugar especial é que, aqui, tecnologia ganha o significado de esperança. Os estudos complexos que são realizados por esses profissionais estão entre as melhores chances de encontrar maneiras de lidar ou de curar doenças terríveis como Parkinson e Alzheimer.

"Cientistas de áreas básicas e médicos que cuidam dos pacientes se reuníram em um local onde temos acesso a várias tecnologias que podem permitir fazer investigações sobre, por exemplo, o funcionamento cerebral, ou até mesmo moléculas que compõem os neurônios", explicou o doutor Edson Amaro, neurologista e coordenador do Instituto do Cérebro.

Físicos, matemáticos, biólogos, psicólogos e médicos, cada um com seu conhecimento, se unem com um único propósito: combinar diferentes tecnologias para compreender melhor o funcionamento do cérebro. As informações são obtidas a partir de diferentes plataformas, como a ressonância magnética, a encefalografia e a eletroencefalografia. Cristofer Caous, pesquisador do Insituto do Cérebro, diz que o desafio é fazer com que esses aparelhos "conversem" uns com os outros.

"Muitas vezes, o que um método vê, o outro não vê. Mas, quando eles convergem e conseguem trazer a mesma informação, isso funciona como um selo de que aquele é um fenômeno real, que acontece na natureza", completou Amaro.

Um dos projetos aqui do Instituto é o estudo de um tipo específico de epilepsia que não pode ser tratada com remédios; nestes casos, hoje a única solução ainda é a cirurgia. A doença ataca o "hipocampo", a região do cérebro responsável pela memória e orientação espacial. Felizmente todos nós temos dois hipocampos e, para resolver o problema, um deles é extraído.

Depois de extraído, este “hipocampo” doente é submetido a uma ressonância de altíssima resolução. Este equipamento, que vale algo em torno de 15 milhões de reais e ocupa uma sala inteira, é um pouquinho diferente dos usados para diagnósticos. "Ele tem, aproximadamente, três vezes o campo magnético da Terra, o que resulta em uma imagem com alta resolução", diz Caous.

Bacharel em ciências da computação, Maryana de Carvalho, também pesquisadora do Instituto do Cérebro, é a responsável por criar algoritmos complexos para extrair informações importantes dessas imagens em alta resolução. "Nós médicos vemos uma imagem, mas o computador enxerga números. A partir desses números, conseguimos usar algoritmos computacionais para extrair dados da imagem - dados estes que, muitas vezes, só a máquina é capaz de identificar", explica Maryana.

Em alguns anos de estudos e pesquisas, esses cientistas conseguiram desenvolver uma plataforma inédita, que combina essas informações da ressonância com as obtidas através desta touca que mede a atividade cerebral do indivíduo. A partir desses dados, foi criar uma fórmula matemática para prever crises epilépticas. "Estamos em busca de formas para descobrir mais características das doenças sem a necessidade de abrir a cabeça do paciente para arrancar um pedaço do cérebro dele", acrescenta Maryana.

Sabe-se que os ataques epilépticos estão associados a uma descarga elétrica simultânea em várias regiões do cérebro. Os profissionais do Instituto do Cérebro descobiram que, antes da crise epilética, o cérebro entra num processo de economia de energia, que pode ser um aviso de que a crise se aproxima. "Criamos um modelo para identificar essa economia de energia a partir de um modelo matemático", diz o pesquisador Birajara Machado.

Resultado: agora já é possível identificar com antecedência um possível ataque epiléptico. E a partir de uma descoberta como esta, as aplicações são inúmeras e surprendentes. "As aplicações vão desde parar o carro sozinho até avisar a família do paciente via SMS, ou ainda um dispositivo que possa liberar o medicamento antes da crise", completa Machado.

Em um dos casos, por exemplo, o paciente com epilepsia teria um microchip implantado no cérebro capaz monitorar essas informações, identificar a eminência do ataque e tomar as devidas precauções. Esta incrível descoberta ainda está em fase de implementação, mas no Insituto do Cérebro já é usada para nos leitos para monitoramento de pacientes com epilepsia.

"Nosso objetivo maior é contribuir para a humanidade e que todas essas pesquisas fiquem abertas, ou seja, que nada seja de exclusividade do hospital", conclui o doutor Edson Amaro.

Se você quiser conhecer mais detalhes e outros projetos do Instituto do Cérebro de São Paulo, separamos o link direto (abaixo do vídeo desta matéria) para conhecer mais informações e inclusive participar das pesquisas. Acesse e veja como participar.

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Saúde Medicina Ciência

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