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Minority Report? Alunos da USP criam manipulação de imagens em 3D usando o Kinect

Projeto "Fusion 4D" traz o objeto para as mãos do usuário e não requer nenhuma máquina de última geração para ser usado
16 de Janeiro de 2012 | 09:36h
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Reprodução
Fusion 4D
Rafael Arbulu

Você assistiu ao filme "Minority Report", com Tom Cruise? Todo o aspecto de ficção científica do filme é marcado por um breve momento, onde o protagonista da película manipula uma série de imagens com as próprias mãos, mudando a angulação, aumentando ou reduzindo o tamanho, enquanto conversa com um computador.

Embora ambientado em uma trama futurista, algumas coisas que vemos no filme - em especial, a dada manipulação 3D - já estão a cada dia mais perto. Roberto Sonnino e Keila Keiko Matsumura, formandos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli-USP - desenvolveram um software chamado "Fusion 4D", que lhes permite a manipulação de imagens em 3D usando nada mais que um PC de configuração moderada e o sensor de movimentos do Xbox 360, o Microsoft Kinect.

De acordo com Roberto Sonnino, um dos dois formandos da Poli-USP, o Fusion 4D é uma interface gráfica que traz uma imagem 3D às mãos do usuário, permitindo-o manipulá-la através de giro, movimento, aumento e redução de tamanho e também "explosão" de componentes, abrindo-a para uma exibição mais detalhada. Outro recurso é a possibilidade de exibir uma "linha do tempo visual" através do movimento, a qual mostra a aparência do objeto apresentado durante determinados períodos. Veja abaixo o vídeo de demonstração (sem o 3D e em inglês) com todos esses recursos:



"O Kinect, hoje, já é vendido pela Microsoft junto de um kit de desenvolvimento de aplicativos. Isso facilitou muito o processo de desenvolvimento", diz Roberto, indicando que, se fosse no começo, o trabalho seria mais complicado pois seria necessário o uso de hacks no sensor de movimento (O Olhar Digital já fez, inclusive, uma matéria sobre o assunto: veja aqui). O que a dupla fez foi utilizar o kit de desenvolvimento para criar um programa que fosse diretamente compatível com o Kinect: "não houve mudança alguma nem no sensor, nem no software dele. O que fizemos foi um estudo em cima do kit e criamos nosso programa por cima dele".

A dupla, que apresentou o Fusion 4D como o trabalho de conclusão do curso de Engenharia da Computação, diz que já vinha trabalhando em sistemas similares, que usassem 3D e o Kinect, mas que a ideia do software final veio do próprio laboratório: "a ideia deles era desenvolver uma espécie de 'mapa da anatomia humana', usando imagens em 3D e realidade virtual. Nós entramos com o Kinect, que acabara de ser lançado na época. Hoje, o programa pertence à Poli-USP e eles vão desenvolvê-lo mesmo depois de nossa formação, mas nós o vemos sendo aplicado em diversos campos que atuem com modelagem 3D, como Medicina ou Engenharia - seria interessante ver uma aula de Anatomia com o Fusion. Já li até alguns artigos que indicam o uso de sistemas similares em reabilitação social, como Psicologia pós-traumática. Tomara que o Fusion consiga chegar tão longe", diz Roberto.

No caso do "maquinário" necessário para a criação do projeto, engana-se quem pensa que a dupla trabalhou em algo parecido com um supercomputador da NASA. Segundo Roberto, os itens mais importantes, além do óbvio Kinect, são um processador moderado e uma placa de vídeo, por causa da demanda de processamento gráfico da resolução 3D. "O trabalho foi, na maior parte, desenvolvido no meu laptop - uma máquina com dois anos de idade na configuração. Qualquer máquina vendida no varejo hoje, à exceção dos netbooks, consegue reproduzir o Fusion".

Reprodução

As partes necessárias - Kinect, PC de configuração moderada e um óculos 3D comum - são simples de se obter, de acordo com Roberto. A maior preocupação deles foi com o desenvolvimento em si, mas mesmo isso foi facilitado pelo devkit disponibilizado pela Microsoft: "o kit já oferece recursos para você trabalhar com o 'esqueleto' do Kinect - isso seria o reconhecimento de ambiente, pessoas e movimento do sensor - e os comandos por voz. A parte mais exigente do trabalho ficou mesmo na pesquisa: usamos o que aprendemos sobre interfaces interativas e programação, com a orientação dos professores, com a linguagem de programação 'C#'. O tempo de desenvolvimento, entre criação do software, redação da monografia e as aulas normais, foi de cerca de seis meses".

E, para quem acha que o 3D é só uma moda passageira, inaugurada por fabricantes de TV, Roberto dá o recado: "acho que o 3D ainda está começando. Somente agora criaram o 3D sem óculos e telas mais específicas e mais baratas para ele. Tem muita lenha para queimar. Eu imagino um futuro onde as telas, por padrão, terão reprodução em 3D somente por elas serem, logo, logo, tão baratas como as telas sem ele. Claro, tem muita pesquisa para ser feita, mas acho que o 3D ainda terá o seu momento".

Para saber mais, acesse o site oficial do projeto.

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