Stephanie KohnCom a chegada
fulminante dos tablets no mercado, a pergunta que fica vagando na cabeça de
alguns é: será que os tablets podem substituir o notebook? Bom, a resposta
ainda não é definitiva, mas pelas conversas dos usuários, os tablets podem ganhar
seu espaço sem concorrer com os notebooks, algo bem diferente do que apontam os
recentes estudos de mercado.
Katia Weber, tecnóloga
e usuária assídua da Apple, comprou seu
iPad logo que o dispositivo foi lançado, e conta que tem
usado o tablet todos os dias para consumir conteúdo, mas não para produzir. "Eu
ouço música, leio um livro, mas é no notebook que preparo
apresentações e edito conteúdo", diz. O mesmo acontece com outros usuários como Lorenzo Mendoza, gerente de novos negócios de uma agência de publicidade, que confirma que o notebook é para produzir e o tablet é para consumir. Já Zina Vishnevsky, diretora comercial, foi além: desde que comprou o tablet da Apple esqueceu o seu notebook de casa. Continuou usando o notebook apenas no trabalho, inclusive em reuniões. "Pra mim, o
iPad tornou-se meu companheiro de entretenimento e o note
continua sendo sinônimo de trabalho", explica.
Apesar dos depoimentos de alguns usuários, os estudos mostram o contrário. Uma pesquisa
realizada pela Morgan Stanley Research, divulgada em setembro deste ano pela
CNN Online, aponta
que as vendas de notebooks nos EUA apresentaram alta queda, conforme gráfico
acima. A IDC, instituto de pesquisa, também acredita que os tablets podem
afetar inclusive o mercado brasileiro, porém somente em 2012. Conforme
publicado recentemente, a canibalização
esperada é principalmente em cima dos netbooks.
Segundo Katia, ela só ficaria sem notebook e apenas com o
iPad se tivesse um desktop com
computação em nuvem, algo que ainda não entrou com tudo no Brasil. Porém, levar seus conteúdos para qualquer lugar ainda é o ideal. Já Zina acredita que terá espaço para tudo. "Acho que as
vendas dos notebooks caíram porque a maioria das pessoas já tinha um em casa
ou no trabalho, e preferiu comprar o
iPad que era uma grande novidade", argumenta.
O pensamento de Zina
faz sentido se analisarmos que com menos de dois meses de lançamento, o
tablet da Samsung, o Galaxy Tab, já alcançou a marca de um milhão de vendas. E o iPad, que chegou no Brasil há
três dias, já estava esgotado em algumas lojas apenas 24 horas após o
lançamento. "Comprei [o iPad] para ver como que era e tinha esperança que me
seria útil", conta Lorenzo.
As pessoas conhecidas
como early adopters, ou que adotam rapidamente novas tecnologias, muitas vezes
não sabem qual será o propósito da compra, porém não resistem a uma inovação. O
quesito curiosidade acaba aumentando as vendas e consequentemente mexe com o
mercado. Ainda que ninguém saiba ao certo qual será o futuro dos tablets, uma coisa é
inegável: eles se tornaram um marco da tecnologia.