Smartphones à prova d'água realmente funcionam debaixo d'água?

Já existe cerca de uma dezena de modelos de smartphones totalmente à prova d’água. E mais do que chuva ou acidentes molhados, é possível mergulhar esses aparelhos sem que nada aconteça por até 30 minutos.

Nós experimentamos um desses modelos; e fomos além. Tudo bem, ele realmente funciona embaixo d’água, mas então surgiram novas dúvidas: será que dá mesmo pra “usar” o smartphone submerso? A tela sensível ao toque funciona? Tem sinal wi-fi na água? Fomos aos testes para responder todas essas perguntas...

Bom, a primeira impressão surpreende. Depois de superado o medo de mergulhar o aparelho: surpresa. A vedação do modelo testado é realmente resistente à água. Até aí, tudo bem. Mas para acessar qualquer função nos smartphones, a gente sabe, precisamos tocar a tela do aparelho. Foi aí que surgiu o primeiro obstáculo.

Ao contrário do que imagina muita gente, as telas sensíveis ao toque mais modernas não funcionam por transmissão de calor, mas sim eletricidade. Por menor que ela seja, a eletricidade presente em nossos corpos é que faz o toque desta ou daquela função. Debaixo d’água, essa condução elétrica é mais difícil, então, nada feito... o aparelho fica praticamente inutilizável. A não ser que você acione outra função através de botões ou ainda antes de molhar o aparelho.

A água também é uma barreira para o sinal wireless. As ondas eletromagnéticas do wi-fi viajam em uma frequência muito próximas às ondas de um forno microondas; isso ajuda explicar essa história. A frequência próxima dos dois gigahertz é bastante alta – o que, no caso do forno, apenas aquece a água. No caso do wi-fi, como a potência é baixa, o sinal é totalmente anulado pela água.

"As moléculas de água vão absorver o sinal, o que faz com que a água vibre. O sinal não chega até o aparelho", afirma Leandro Ramos, professor de hardware e redes.

Assim, o máximo que o sinal wi-fi pode fazer na piscina, por exemplo, é aquecer as moléculas de água, que naturalmente se agitam na presença de ondas eletromagnéticas. Mas a potência de um roteador wi-fi é baixa, em torno de 100 watts; já um microondas precisa de algo em torno de mil watts para aquecer um líquido.

Conclusão: os smartphones à prova d’água são bem interessantes, mas principalmente em casos de acidentes – afinal, ninguém quer perder um aparelho caro por causa de um leve banho. Agora, usar o smartphone submerso é bem complicado. Até dá pra tirar fotos e fazer vídeos se estes forem iniciados por um botão ou ainda secos. Mas acessar a internet dentro da piscina, sem chance. Pelo menos por enquanto.