Os polêmicos acidentes com carros autônomos. A culpa é de quem?

Os carros autônomos estão cada vez mais próximos de se tornar realidade – a expectativa é que até 2020 os primeiros modelos já estejam circulando pelas ruas da Europa e dos Estados Unidos. No Brasil, como sempre, deve demorar um pouquinho mais. Para a maioria, essa história é um pouco assustadora: segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, um em cada três motoristas afirmaram ter medo de andar em um carro autônomo.

No começo do ano, um carro autônomo do Google bateu em um ônibus; ninguém se feriu. Mais recentemente, no meio do ano, um motorista morreu na Flórida, quando seu Tesla Model S elétrico e autônomo bateu em um caminhão em um cruzamento. Devido à altura do caminhão, o carro passou por baixo e a colisão aconteceu diretamente com o para-brisas, causando a morte do motorista.

A Tesla explicou que o piloto automático é desabilitado como padrão, e o motorista precisa ativá-lo por vontade própria. Tudo bem, mas a partir de casos como esses, uma nova e pertinente discussão surgiu: em casos de acidente, quem é o responsável? O motorista, mesmo que não esteja conduzindo o carro? A montadora? Os dois?! E agora?

Conversamos com um advogado especialista em trânsito. Dos carros autônomos, para avaliar a situação, ele nos levou de volta ao tempo das charretes puxadas a cavalo.

Por enquanto, nenhum país comercializa automóveis totalmente autônomos. Ainda existe uma série de fatores que precisam ser colocados em prática para que o carro independente se torne viável: a legislação é uma delas. Hoje, não existe lei específica para a categoria. Em casos como este, a justiça faz uma analogia com as leis de trânsito existentes.

A responsabilidade então só não seria do dono do veículo quando a culpa for exclusiva de um terceiro ou quando houver uma falha no sistema. Claro, isso vai precisar ser comprovado. Mas enquanto os autônomos são estudados, discutidos e desenvolvidos, no meio desse caminho, os semiautônomos, com funções que auxiliam o motorista e, em alguns casos, até são capazes de assumir o controle dos pedais e da direção, já são comercializados. Nós inclusive testamos um aqui no Olhar Digital algum tempo atrás. Mas, para 2035, a expectativa é que os carros saiam de fábrica sem volante, buzina ou pedais. Dá pra imaginar?

Uma coisa é certa, se – por acaso – uma legislação passar a responsabilidade integralmente para as montadoras, a legislação estaria inibindo a tecnologia. Afinal, uma coisa é certa, sem autônomos, nós, seres humanos, já causamos muito mais acidentes fatais todos os dias. E a tendência, segundo especialistas, é que a tecnologia deixe os veículos e o trânsito como um todo cada vez mais seguro...mesmo que isso ainda leve algum tempo.

Se você quiser ver o teste que fizemos em um modelo semiautônomo já comercializado no Brasil, confira o link que separamos logo abaixo do vídeo desta matéria. É surpreendente. E, para terminar esse assunto, vale lembrar mais uma vez que a legislação é só mais um impasse no enorme desafio dos carros autônomos. É dúvida que não acaba mais.



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