Testamos e comparamos cinco caixas bluetooth; veja quem se deu melhor

Tamanho não é documento. Se a história de que os melhores perfumes estão nos menores frascos, podemos fazer uma analogia interessante para o Laboratório Digital deste mês; essas caixinhas são pequenas, portáteis e charmosas... mas quando estão ligadas surpreendem e deixam qualquer um de orelha em pé – no melhor sentido da expressão. Convidamos algumas marcas para eleger o melhor modelo de speakers sem fio disponíveis no mercado brasileiro. Recebemos cinco modelos. Testamos e comparamos as seguintes caixas de som bluetooth: Flip 3, da JBL; SP192, da Multilaser; modelo BT3500, da Philips; SP222, da marca Pulse; e SRS-X2, da Sony.

DESIGN

Estilo é questão de gosto, mas a gente tem o nosso. O modelo da Philips foi o que menos agradou. Ela é bem simples – até demais. Com acabamento em plástico, traz um ar que lembra aqueles velhos radinhos de pilha dos anos 70 (se é que alguém aqui ainda lembra deles). O botão de volume analógico fica, estranhamente, em um canto do superior do aparelho. Não gostamos muito. A caixinha da Multilaser tem acabamento emborrachado e botões discretos – tudo preto. O que chama atenção é a iluminação de LEDs coloridos que piscam conforme a música quando o speaker está ligado. No começo é legal, mas depois fica um pouco exagerado. A Pulse é a única que destoa das suas concorrentes. Parece um subwoofer com alça e botões analógicos. Talvez grande e robusta demais. Os modelos da Sony e JBL são mais charmosos. A JBL tem dois falantes pulsantes laterais com acabamento emborrachado e botões discretos na parte traseira. É a única com acabamento em tecido de alta qualidade; muito bom gosto. A Sony é mais arredondada. Também traz acabamento emborrachado de primeira e botões quase imperceptíveis. Se design é gosto, a gente ficou bastante dividido entre a Sony e a JBL.

CONEXÕES

Claro, todas se conectam a outros dispositivos via Bluetooth – o alcance médio é de até 10 metros. Todas têm também entrada auxiliar de áudio para conexão com quase todo tipo de dispositivo. Os modelos da Multilaser, Philips e Sony possuem conexão NFC; não para transmissão de áudio, mas para facilitar o pareamento das caixinhas com tablets e smartphones. Por último, Multilaser e Pulse oferecem ainda entrada para cartão micro SD. Vale destacar que o processo de pareamento de todos os modelos foi extremamente rápido e sem qualquer problema; bem fácil e sem a necessidade de mais de uma tentativa. Isso é ótimo!

ÁUDIO

Certamente esta é a principal comparação desta disputa, afinal estamos falando de caixas de som – todas sem fio com conexão Bluetooth. Para comparar, selecionamos músicas de estilos variados – umas com graves mais acentuados, outras com mais detalhes sonoros. Tocamos várias em cada um dos modelos e experimentados diferentes níveis de volume. Antes do veredito é importante dizer que com qualquer uma dessas você estará bem equipado e com um bom equipamento para ouvir suas músicas onde quer que esteja. Primeiro, os números: em ordem crescente, a Philips possui dois falantes de 5 watts RMS cada; a Flip 3, da JBL, dois falantes com 8 watts de potência RMS cada um; usando somente a energia da bateria interna, cada um dos dois falantes da Sony atinge 5 watts cada, mas conectada na tomada, o speaker eleva a potência para 10 watts em cada falante; a Multilaser, em suas especificações, diz ter 15 watts RMS; e a Pulse, com todo esse tamanho, 20 watts distribuídos em um subwoofer de quatro polegadas e dois falantes de duas polegadas cada um.

Neste caso, números não são suficientes para avaliar a qualidade do som – de nada adianta muita potência sem definição e, mais do que isso, boa distribuição de graves, médios e agudos. A princípio, a Multilaser apresentou graves agradáveis. O problema é que quando a gente aumenta o volume um pouco acima da metade, começa a estourar tudo – graves, médios e agudos; a qualidade se perde. Em alguns casos, mesmo com o volume mais baixo, os graves desapareceram e os agudos estouraram um pouco.

A Pulse – talvez pelo seu tamanho – é a mais potente. Mas nada adiante muito volume sem qualidade à altura. O bom é que em volumes mais moderados, a qualidade se sobressai e os graves começam a agradar – só não dá para se empolgar senão começa a estourar também. Sony não é tão potente (fizemos os testes usando apenas a bateria, quando o modelo oferece 10 watts de potência), ainda assim a caixa apresentou definição de médios e agudos surpreendentes. O que a gente sentiu falta foram dos graves um pouco mais pesados e também de um pouquinho mais de volume.

Apesar do design minimalista e quase antiquado, a Philips surpreendeu na qualidade de som. Como não tem tanta potência, ela não suporta volumes tão altos, mas ainda assim já daria para dar uma festinha em casa com ótima qualidade de som. Mesmo no talo, não notamos muitas distorções, o que rendeu a vice-liderança na qualidade de áudio. Os graves não são muito potentes, mas os tons médios são o que chamam atenção, principalmente pela definição.

Agora o modelo da JBL sai da curva. Em qualidade de som, ela é muito superior às concorrentes. Ela não é a mais potente da categoria, mas não apresentou qualquer distorção mesmo com o volume no máximo e nos mais diferentes testes de som. Além dos médios e agudos quase perfeitos, o que chamou muito nossa atenção foi o peso dos graves; de novo, sem estourar. Na prática, independente de números e definições, o melhor áudio.

BATERIA

Outra análise importante é a autonomia das baterias; afinal estamos comparando caixinhas bluetooth portáteis – a ideia é que elas sejam usadas desplugadas da tomada. Depois da qualidade sonora, o segundo ponto mais importante do nosso embate. De baixo para cima, Philips e Sony oferecem apenas 5 horas de bateria fora da energia elétrica. Se a gente parar

para pensar no tipo de uso dessas caixinhas, é pouca coisa! A Pulse não foge muito disso: promete até 6 horas de música rolando. A Multilaser prefere ser mais cautelosa. A duração da bateria depende muito do volume que o usuário estiver escutando; mas a marca diz que o speaker tem autonomia energética de até 7 horas. Novamente, em um quesito importante, o destaque ficou com conta da JBL Flip 3, que garante 10 horas de som contínuo de áudio estéreo.

EXTRAS

Alguns modelos comparados neste Laboratório apresentam peculiaridades interessantes. A Pulse, por exemplo, traz rádio FM embarcado. As caixas da JBL, Philips e Sony têm microfone embutido – assim é possível atender o telefone e falar através das próprias caixinhas, mesmo se você estiver longe do seu smartphone. A JBL ainda é resistente à água e, com uma tecnologia específica, permite conectar até duas caixas iguais para ampliar a experiência de áudio e deixar a festa ainda maior.

PREÇO

OFF 11: Do mesmo que a qualidade varia, os preços também. Consultamos o preço sugerido pela fabricante e também pesquisamos em grandes sites de e-commerce. As mais caras são as caixas Sony e JBL – ambas custam R$ 700, mas encontramos elas por até R$ 500 em alguns sites. A Philips tem preço sugerido de R$500; esta achamos por até R$ 350 online. A Multilaser e a Pulse são oferecidas oficialmente pelo mesmo preço: R$ 300. Estas a gente não encontrou muita diferença de preço...pouca diferença.

CONCLUSÃO

Diferente da maioria, este não foi um Laboratório Digital tão difícil de ser decidido. Entre valores sugeridos e preços encontrados, no final das contas ficamos com uma diferença de até 200 reais entre os modelos experimentados. Assim, o preço deixou de ser determinante na nossa escolha. Em último lugar, apenas com os LEDs piscando se sobressaindo, ficou a Multilaser SP192. Apesar da bateria um pouco melhor que algumas concorrentes, a caixinha bluetooth foi a que apresentou qualidade de som inferior e mais distorções. A entrada para cartão micro SD e até o NFC embutido não foram suficientes.

Em quarto lugar, com maior potência nominal, mas sem tanta definição, ficou a caixa Pulse SP222. Além de ser um pouco grande para ser portátil, o que falou mais alto (ou mais baixo) foi a distorção do áudio e a falta de graves. Multilaser e Pulse são as mais baratas da nossa bancada, mas na relação custo-benefício, se você busca qualidade, na nossa opinião, vale a pena pagar a diferença.

Em terceiro lugar, já com mérito um pouco maior, ficou a Sony SRS X2. Além do design atraente e acabamento de primeira, a qualidade de som surpreendeu. O que deixou muito a desejar no modelo japonês foi a autonomia da bateria; 5 horas é pouco para um equipamento portátil. No pódio, os três primeiros lugares acabaram com preços praticamente equivalentes. A decisão foi técnica mesmo.

Na vice-liderança da nossa disputa, apesar de o design não ter agradado muito, o speaker sem fio da Philips fez bonito. Assim como a Sony, deixa a desejar na durabilidade da bateria; apenas 5 horas também. Mas a qualidade de som é muito boa; o grave não é muito potente, mas os detalhes nos médios e agudos são impressionantes para uma caixinha tão pequena. O modelo BT3500 conta com uma tecnologia que corta os tons muito altos para evitar qualquer tipo de distorção na reprodução – muito interessante e realmente funciona. Ela também traz microfone embutido para atender chamadas telefônicas.

Agora a Flip 3, da JBL se destacou e ficou na frente de todas suas rivais. A qualidade de som é incomparável, principalmente pelo grave envolvente e a altíssima qualidade de reprodução dos outros tons. Pequena e potente, os números (apenas dois falantes de 8 watts cada) enganam... é uma opção perfeita para levar para qualquer lugar. Resistente à água, é ótima para ficar na beira da piscina ou até na praia. Para dar ainda mais base à nossa decisão, a bateria de 10 horas e o acabamento de primeira fecham com chave de ouro. Realmente, neste caso, tamanho não é (nem foi) documento.



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