Facebook caça drag queens que não usam nomes verdadeiros na rede

Em fevereiro, o Facebook passou a permitir que usuários nos Estados Unidos adotassem gêneros como transexual e andrógino, possibilidade estendida ao Reino Unido em junho. Mas agora a rede social se voltou contra parte da comunidade LGBT, excluindo as contas de drag queens que se recusarem a usar seus nome de registro no site.

A obrigação chegou a uma série de artistas norte-americanas, que tiveram os perfis deletados e agora só podem contar com páginas, porque o Facebook não permite que elas usem os nomes artísticos na rede. Por e-mail, a empresa justificou ao TechCrunch que faz parte de suas políticas exigir o nome de registro. O problema é que boa parte das drag queens é conhecida somente pelo nome artístico.

“Eu mantive este nome por 20 anos”, disse ao site a drag Heklina. Ela até tentou convencer o Facebook a deixá-la no site usando seu sobrenome, Grygelko, mas não conseguiu. “Eu ando pelas ruas e as pessoas dizem: ‘Hey, Heklina’”, explicou ela. “As pessoas me conhecem pelo meu nome drag.”

Scott Wiener, defensor dos direitos LGBT em San Francisco, publicou um protesto explicando que o Facebook está ignorando que as pessoas afetadas se definem pelos nomes que escolheram, e que obrigá-las a expor suas identidades é o mesmo que forçá-las a se mostrar à toda a comunidade - o que nem todas podem fazer.

A rede social responde que os usuários podem adotar apelidos ou então criar páginas com seus nomes artísticos, o que não é o suficiente para as drag queens. Primeiro porque o apelido não resolve a questão da exposição, porque ele ainda revela a identidade da pessoa; segundo porque os recursos das páginas são limitados, se comparados aos dos perfis. “Você não pode enviar ou receber mensagens em uma página ou obter notificações”, lembrou Weiner.

Um protesto está marcado para esta terça-feira, 16, em frente à sede do Facebook. Os participantes pressionarão a empresa a colocar os perfis no ar novamente.





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