Fomos a Praga conhecer uma das maiores empresas de segurança digital do mundo

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Entrevista: como os vírus evoluíram nos últimos 20 anos

Esta é considerada uma das cidades mais bonitas da Europa. Praga tem mais de mil anos de história, registrada em construções incríveis.

Mas, a cidade não se resumiu à preservação do passado. A capital da república Checa orgulha-se de ter sido cenário de uma transição pacífica entre o período comunista – quando o país ainda se chamada Tchecoslováquia – e a abertura para ocidente, com a divisão do território em dois países: Eslováquia e República Checa. Mas, antes mesmo de todas essas mudanças políticas, ainda em 1988, Praga deu o primeiro passo para ocupar lugar de destaque no mundo digital, com a fundação da Avast, que acabaria se transformando numa das principais empresas de segurança digital do cenário global. Passamos alguns dias em Praga para conferir de perto como trabalha uma empresa desse tipo.

O que primeiro chama a atenção é que apesar de estarmos na Europa central, o clima por aqui lembra o das grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício. O conceito é o mesmo, com a criação de um ambiente amigável, que mistura trabalho, espaços de descompressão, como sala de jogos, biblioteca, academia e até um espaço para redes de descanso. Até nossa apresentadora não resistiu e resolveu experimentar.

Um dos destaques do complexo é, sem dúvida, a estrutura de alimentação que foi montada para atender a funcionários e visitantes. Um restaurante e uma cafeteria que oferecem refeições que vão desde o café da manhã, almoço, lanches e jantar. Tudo de graça e à vontade.

Um detalhe curioso é a presença de pets nas dependências. Aqui, quem quiser, pode trazer o seu e eles circulam livremente por aí.

Não tão longe daqui, no país vizinho da Holanda, em 1991, a AVG começou suas operações. Depois de alguns anos de disputa pelo mercado, a Avast comprou a AVG no ano passado, numa transação de 1,3 bilhão de dólares. Hoje, as duas empresas ainda estão na fase de fusão. Conversamos com Ondrej Vlcek – um dos nomes mais importantes da história da Avast. Apesar de jovem, hoje ele é um dos vice-presidentes. Sua carreira entrou para a memória da própria história da computação: ele foi o criador do primeiro antivírus a rodar no Windows 95. De lá para cá muita coisa mudou, é claro. Inclusive a empresa que ele ajudou a colocar no mapa. Perguntamos a ele como preservar a cultura start up, agora que a companhia deu um salto depois da compra da AVG.

E o mundo digital? O que mudou fundamentalmente desde quando ele criou o seu primeiro antivirus até os dias de hoje?

O trabalho por aqui tem um foco claro: identificar malwares (vírus de computador, cavalos de tróia e outros bichos digitais) e produzir vacinas que os neutralizem. E essa sala aqui é o coração dessa operação. Esse painel é o que mais chama a atenção. Ele registra em tempo real a criação global dessas pragas. Cada risquinho desses corresponde a uma praga virtual. Detalhe: eles limitam o número de registros. Se eles fossem exibir todas as pragas que estão sendo criadas por segundo, a gente nem veria o mapa: a tela seria tomada pelos riscos – tão grande é a proliferação de vírus e outras ameaças digitais. Michal Salat é o responsável pelo laboratório.

Um detalhe que chama atenção no painel é verdadeira Guerra cibernética que está em curso hoje entre Estados Unidos e Rússia. Dá uma olhada na quantidade de ataques trocados entre os dois países. E olha que na hora que registramos essas imagens, ainda era madrugada nos Estados Unidos – imagine quando os ianques acordarem...

Para proteger os usuários dessa infinidade de pragas virtuais, a equipe do Micál produz uma vacina a cada 5 minutos! Boa parte desse trabalho hoje é feito automaticamente, por computadores que usam aprendizado de máquina e conseguem aprender sozinhos. Mas, ainda há momentos em que a interferência humana é indispensável.

É claro que não podíamos deixar de prestart atenção no que acontece no Brasil. E olha que interessante: no painel não aparecem ataques saindo do Brasil – praticamente só temos ataques sendo direcionados ao nosso país... será que os hackers brasileiros são menos ativos? A explicação é um pouco diferente. Acontece que os hackers brasileiros preferem usar servidores fora do país – especialmente na Rússia para criar suas pragas virtuais. Na terra do Putin tem menos fiscalização e a infra-estrutura é muito mais barata. Ou seja, até os bandidos virtuais brasileiros estão de olho em custos menores – é brincadeira?

Aliás, o Ondrej nos disse que os bandidos virtuais brasileiros têm uma atuação ligeiramente diferente do observado em outros países.

Pois, criatividade brasileira em campo até para o lado do mal… o que só reforça a necessidade de você se cuidar: mesmo que seja com uma solução gratuita, ter algum software de proteção é fundamental.

Para completar essa nossa viagem ao mundo da segurança digital, perguntamos ao Ôndrei o que ele vê como principal perigo nos dias digitais de hoje. E a resposta tem a ver com a tão falada internet das coisas.

Foi uma visita super produtiva essa, ao mundo da segurança digital. Produzimos vários outros vídeos no período que estivemos por aqui. Você confere tudo no Olhar Digital.com.br. Aliás, confira, também, a entrevista na íntegra com o Ondrej. O cara faz parte da história da tecnologia e tem muita coisa interessante para contar. Está tudo disponível no nosso site: Olhar Digital.com.br. Para finalizar, mais algumas imagens da belíssima Praga, hoje, uma das capitais mundiais da segurança digital.



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