Análise: Novos smartphones da BLU ameaçam Moto E e Moto G

Desde a chegada do Moto G, começou uma corrida para tentar oferecer no Brasil um aparelho que consiga competir em especificações e em preço com o intermediário da Motorola. A nova tentativa a tentar roubar este mercado é uma novata no mercado nacional e se chama BLU Products, uma empresa americana fabricante de smartphones, que tenta se infiltrar no país.


A empresa está lançando dois aparelhos que tentam competir em faixa de preço por aqui: um deles é mais básico, chamado Studio C Mini, e o outro, um pouco mais avançado, se chama Studio C HD. Mantendo a linha de comparação com a Motorola, seriam o Moto E e o Moto G da BLU, respectivamente. O primeiro é oferecido a US$ 120 nos EUA e deve ser comercializado por aqui a R$ 550, enquanto o segundo custa US$ 150 no exterior, mas ainda não tem preço definido no Brasil. Dificilmente ele deve superar os R$ 800, porém.


O Olhar Digital teve a oportunidade de testar ambos. Veja abaixo o que achamos:


Reprodução


Ao tirar os dois aparelhos da BLU da caixa, é possível perceber duas coisas: a primeira é que as aspirações da empresa são altas, reproduzindo as caixinha de plástico do iPhone; a segunda é que a aposta é alta em cores fortes (para não dizer berrantes) para se diferenciar da concorrência. Oferecere celulares coloridos é cada vez mais comum lá fora, com destaque para a Nokia e seus celulares amarelos, mas por aqui isso ainda é uma novidade.


ReproduçãoNo entanto, a BLU pegou um pouco pesado na cor do Studio C Mini. Embora haja outras cores diferentes, o aparelho que recebemos na redação é tão gritante que chega a doer os olhos, literalmente. A foto acima provavelmente não faz jus ao quão forte a cor do aparelho realmente é. Olhar para ele por algum tempo causou dor de cabeça nos membros da redação, e não estamos brincando.


A situação só foi amenizada pelo fato de que os dois aparelhos já saem da caixa com uma capinha de silicone perfeitamente ajustada ao aparelho, com uma cor compatível. Ponto positivo para a empresa, que sabe o quão difícil é achar acessórios para um aparelho incomum no Brasil. A capinha também filtra um pouco do laranja agressivo na traseira do Studio C Mini, então acabou se tornando um item de primeira necessidade ao testar o produto.


Continuando em visual, ambos os aparelhos são bem construídos, com uma carcaça de plástico removível confortável e agradável ao toque. Neste sentido, ambos não deixam a desejar em nada ao Moto G e para outros aparelhos mais caros. O único problema visual é a agressão visual que é o laranja do C Mini.


Câmera

Aqui é possível apontar uma pequena vantagem do Studio C Mini em relação a concorrentes: o aparelho, embora não tenha uma câmera de encher os olhos, tem flash traseiro e um sensor frontal, algo que fica faltando no Moto E, por exemplo, e no Lumia 530. Com isso, é possível fazer videoconferências, além de, claro, permitir as tão famosas “selfies”. Inclusive, ele desempenhou bem esta função em nossos testes.


Os dois aparelhos são muito parecidos em relação às suas câmeras, com a diferença que o menor é capaz de fazer fotos em 5 megapixels e o maior possui um sensor de 8 megapixels; ambas as câmeras frontais são de 2 MP. Eles também são capazes de fazer vídeos em Ful HD.


Os dois aparelhos possuem HDR, o que não é muito comum na faixa de preço, e contam com um recurso chamado “Modo de beleza facial” que tenta remover espinhas e outras imperfeições da pele do usuário na foto. Nos nossos testes, no entanto, o resultado ficou um pouco assustador e a pele acabou ficou parecendo a de um boneco de plástico. Imperfeições demais, talvez? Sim, os membros da redação não são os mais lindos do mundo, é verdade, mas o resultado ficou um pouco estranho demais. Não recomendamos.

 

 

TelaReprodução

 

Estamos fazendo muitos paralelos com a Motorola e aqui vai mais um (prometemos que é o último). Quando foi apresentado o Moto G, o grande diferencial do aparelho, segundo a própria empresa, era ter uma tela grande com uma resolução boa a um preço aceitável. A receita foi claramente aplicada também pela BLU em seus aparelhos. Tanto o Studio C Mini quanto o HD se esforçam para oferecer um display grande e com uma resolução compatível com seu preço.


O primeiro é um pouco mais modesto. As 4,7 polegadas do display concentram uma resolução de 800x480, ou uma densidade de 200 pixels por polegada. Não é nada incrível, mas é compatível com o que o mercado oferece por essa faixa de preço. Com esta resolução, ao aproximar os olhos é possível perceber claramente os pixels na tela, sinal de que a configuração poderia ser um pouco mais ajustada, talvez com um display um pouco menor. Já o Studio C HD leva a sério o nome com uma resolução de 720p comprimida em uma tela de 5 polegadas que já oferece uma experiência visual superior, com uma densidade de 294 pixels por polegada.


A diferença é bem perceptível quando se coloca um do lado do outro, mas claro que é injusto fazer a comparação entre dois modelos com preços distintos. O que podemos dizer é que nenhum deles deixa a desejar aos concorrentes de suas respectivas faixas de custo. Ambos possuem telas chamativas, brilhantes, embora pequem um pouco em contraste.



Desempenho

A BLU acerta muito aqui ao vender o aparelho já com o Android KitKat e com pouquíssimas modificações em relação à versão pura do sistema operacional. Algumas mudanças incluem itens novos na janela de configuração, como o bloqueio de rotação da tela, e alguns aplicativos como gravador de som e uma agenda de afazeres.


Isso é muito bom porque, como já ficou provado muitas vezes no passado, as modificações que muitos fabricantes fazem consomem bastante processamento, que poderia ser aplicado em uma experiência melhor de uso. Basta lembrar do peso que tem uma TouchWiz, da Samsung, e como isso consome o poder do celular.


O fato de usar um sistema mais puro ajuda os aparelhos da BLU a disfarçar um pouco o fato de que a empresa usa processadores MediaTek, reconhecidamente mais baratos do que os Snapdragon da Qualcomm, com desempenho relativamente inferior também. Ambos usam o mesmo modelo de chip: um MediaTek MT6582 com quatro núcleos operando num clock de 1,3 GHz; a diferença fica na memória RAM, com o Studio C HD tendo 1 GB, enquanto o C Mini tem apenas 512 MB. Isso significa que o HD deve permitir um gerenciamento melhor do multitarefa, ao menos.


O resultado é que ambos oferecem desempenho muito parecido, que foi bem fluido nos nossos testes, mas obviamente nada comparável aos tops de linha. O teste do AnTuTu mostra que há pouca diferença no geral em relação ao Moto G, pecando, porém, na renderização de gráficos em 3D, o que pode ser um problema em jogos mais rebuscados.


Conclusão

Se o objetivo da BLU é lançar concorrentes à altura do Moto G, a empresa está no caminho certo, com dois produtos que parecem até mais elegantes (apesar da cor absurda do Studio C Mini que recebemos) do que a alternativa da Motorola, embora deixem a desejar um pouco em relação a desempenho.


Complementando algumas informações mais gerais sobre os aparelhos: eles têm 4 GB de armazenamento interno, então ainda bem que a empresa disponibilizou slot para cartão MicroSD de até 64 GB. Eles também tem suporte a dois chips SIM, rádio FM, mas não suportam a rede 4G nacional.





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