Conversar com obras de arte já é possível graças à computação cognitiva; veja

Quem vê alguém assim, conversando com uma obra de arte só pode imaginar que a pessoa, literalmente, pirou de vez.

Mas a impressão se transforma em surpresa na primeira resposta sobre uma das sete obras interativas em exposição na Pinacoteca de São Paulo.

Em uma iniciativa inédita no Brasil – e provavelmente, no mundo – o Watson, a plataforma de computação cognitiva da IBM, foi usado para criar um aplicativo interativo que usa inteligência artificial para interagir com o ser humano em linguagem natural.

A interação com as obras é muito intuitiva. Ao entrar no museu, o visitante recebe um smartphone com fone de ouvido e o aplicativo do projeto “A Voz da Arte” instalado no aparelho. Dispositivos minúsculos como este instalados próximos às obras selecionadas identificam quando alguém se aproxima da obra e estimula o visitante a fazer perguntas. São beacons; e uma das capacidades do dispositivo que troca informações via bluetooth é permitir a localização em ambientes fechados – uma espécie de GPS indoor. Os beacons ativam o app no smartphone e a partir daí toda interação é feita por voz, em português, e sem códigos.

Foram seis meses de treinamento da plataforma de computação cognitiva para que o chatbot pudesse responder as perguntas mais inusitadas possíveis e, claro, as mais óbvias também. Mais de 12 mil respostas foram cadastradas e distribuídas entre as sete obras de arte. Quando o visitante faz uma pergunta, o sistema primeiro entende a linguagem natural, classifica a pergunta e devolve uma resposta em voz robotizada. O aplicativo não responde necessariamente a pergunta em si, mas sim a intenção do questionamento.

Nem tudo tem resposta. A ideia é que a plataforma seja atualizada semanalmente com novas interações.

A ideia da iniciativa, além de tornar a visita ao museu muito mais divertida e interativa, é mostrar uma pequena experiência de capacidade da computação cognitiva – considerada a Terceira Era Computacional. E o mais interessante é abrir a cabeça e imaginar soluções do gênero em outras aplicações como pontos turísticos, no varejo ou onde quer que seja.

A Voz da Arte

A mostra “A Voz da Arte” ficará disponível ao público até o dia 5 de junho. As visitas acontecem de quarta a segunda-feira, das 10 às 17 horas, na Praça da Luz, em São Paulo. Durante a semana, o ingresso custa R$ 6; aos sábados, o acesso é gratuito.

 



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